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Sp. Braga-Benfica, 0-0: Sem golos e sem perigo o jogo até perdeu calor

CRÓNICA

Afinal, ficou a zero o jogo de ontem, em Braga, onde a presença do Benfica suscitou, durante toda a semana, enorme expectativa. Nem o facto de se defrontarem segundo e terceiro da tabela espevitou mais as acções no relvado. A partida arrastou-se durante alguns períodos de modo demasiado previsível e os guarda-redes praticamente só nos derradeiros dez minutos aqueceram para o banho. O cenário, com um público entusiasta, merecia alguns golos.

Esperava-se mais do Benfica, que até vinha de uma série vitoriosa contando com o triunfo sobre o Sporting para a Taça, e esperava-se também mais do Sp. Braga, em especial para quem se lembrava do sensacional 3-1 obtido em pleno Dragão.

Ficámos pois pelas promessas, englobando também nesta série de ocorrências o razoável início de jogo dos encarnados, que entraram confiantes, a trocar bem a bola e a controlar por completo as operações. Mas já aí o saldo foi curto: apenas um lance perigoso, aos 18’, quando Nuno Assis isolou Nuno Gomes e o remate deste falhou o alvo.

Ao lado

Para dar uma ideia mais exacta da pobreza franciscana no que a situações de apuro diz respeito, veja-se que escassearam os remates na primeira parte (apenas um para os locais e cinco para os lisboetas) e, cúmulo dos cúmulos, nem um saiu
enquadrado com a baliza. É verdade que os defensores estiveram, de modo geral, muito certinhos, mas o registo envergonha qualquer avançado que se preze. O quadro alterou-se no período complementar, logo com Cesinha (rendeu o apagado Jaime ao intervalo) a dar o mote: nas duas primeiras intervenções passou por João Pereira como se andasse de moto e foi ele o responsável-mor pelos últimos dez minutos de melhor nível dos arsenalistas, que obrigaram então Quim a empregar-se a fundo, primeiro a remate do próprio Cesinha e depois a cabeça de Paulo Jorge, na sequência de um canto.

Duas jogadas de apuro em contraste com a melancolia reinante.

Sistemas

Embora com dispositivos diferentes, as duas equipas quase se encaixaram na perfeição uma na outra. Jesualdo Ferreira insistiu em Andrés Madrid a trinco, com João Alves à sua frente e Jaime e Vandinho nos flancos, mas sempre com a tendência de “entrarem” pelo miolo. Madrid tinha a incumbência de vigiar Nuno Assis, o elemento mais móvel do meio-campo benfiquista, e Petit preocupava-se sobretudo com João Alves. Deste equilíbrio de forças – nem Wender nem Simão revelavam a criatividade de outras ocasiões – resultou a tal toada morna e sem mudanças de ritmo, factores que beneficiaram quem defendia. A certa altura, convenhamos, deu a ideia de que podiam lá andar três ou quatro horas que o nulo ia mesmo manter-se.

Alterações

Com a entrada de Cesinha (foi para a esquerda e Wender passou para a direita) o Sp. Braga desenhou o 4x3x3 que só a espaços foi mais acutilante do que o sistema inicial. Seja como for a equipa rematou mais e dispôs de cinco cantos, em contraste com a miséria da primeira parte.

Trapattoni, por sua vez, que perto da meia-hora fora obrigado a trocar de central (Alcides no lugar do lesionado Ricardo Rocha), ainda substituiu Nuno Gomes por Delibasic, mas sem surtir qualquer efeito. O Benfica arrisca-se a ser líder por escassas horas. Mas o Sporting de Braga não mostrou ser menos candidato do que ele.
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