Sp. Braga condena "tomada do poder por fanáticos ou jagunços"

Em causa a divulgação antecipada de nomeações de árbitros, "fuga" que bracarenses consideram "verdadeiramente inaceitável"

• Foto: Nuno Fonseca / Movephoto 

O Sp. Braga divulgou este sábado um comunicado no qual condena a fuga de informação sobre a nomeação de árbitros para jogos da Liga NOS. "Tendo tomado conhecimento, na quinta-feira, de um post de César Boaventura que antecipava as nomeações de árbitros para jogos desta jornada, o SC Braga registou a listagem e aguardou pela sua confirmação. Tendo-se verificado que todas as informações então veiculadas se concretizaram, o SC Braga entende estar perante mais uma fuga verdadeiramente inaceitável", escrevem os bracarenses no seu site oficial.

"Sendo as nomeações feitas em total secretismo, apenas do conhecimento de quem nomeia (o Conselho de Arbitragem) e dos próprios nomeados (o árbitro do CD Feirense x SC Braga, por exemplo, desconhece a nomeação para o FC Porto x CD Santa Clara), torna-se absolutamente revelador da falência e da permeabilidade do sector esta nova confirmação de que indivíduos estranhos ao futebol e às suas estruturas possam ter acesso a informações classificadas. Perante esta fuga, é premente que os responsáveis se expressem com tanta celeridade como o fizeram aquando da intervenção do Presidente do SC Braga. Porque há perguntas a que urge responder: Como é que agentes externos têm acesso a informação classificada? Quem é que está a passar tais informações? A quem servem essas informações? De que forma é que tal acesso condiciona e influencia as arbitragens? Sim, os árbitros em Portugal têm de ser defendidos e protegidos. Não com intervenções de corporativismo, mas com ações concretas e explicações cabais que assumam a existência de problemas e garantam a total independência e blindagem do sector", prosseguem.

E concluem: "O SC Braga e o seu presidente continuarão disponíveis para contribuir para um futebol melhor, que não encare como normal ou aceitável a tomada do poder por fanáticos ou por jagunços".

Leia o comunicado na íntegra:

"No início deste mês, o Presidente António Salvador alertou para os indícios que vinha registando e que, no seu entendimento, afetavam muito negativamente o sector da arbitragem em Portugal, devendo ser analisado se estaríamos mesmo perante casos de desvirtuação dos resultados desportivos.

A contundência das suas afirmações gerou uma reação corporativa, mais preocupada em atacar o mensageiro do que em averiguar a mensagem. Responsáveis pelo sector e pela classe saíram a terreiro para garantir que tudo ia bem no reino dos árbitros, ignorando os problemas flagrantes que descredibilizam o futebol português e se revelam incompreensíveis na era do VAR.

Por entender e interpretar a responsabilidade do cargo que desempenha, o Presidente do SC Braga optou por não trazer para o espaço público outros factos suscetíveis de abalar os pilares do sector e que continua disponível para apresentar às entidades e nos locais apropriados.

Porque a verdade é que há, de facto, algo muito preocupante em torno da arbitragem em Portugal, como ainda agora verificamos ao constatar que um post de César Boaventura publicado na quinta-feira e que revela uma conversa de WhatsApp em que pessoas externas ao futebol divulgam as nomeações para os jogos em que participariam Sporting CP, SC Braga e FC Porto nos dias seguintes. Tudo bateu certo!

Ora, sendo as nomeações feitas em total secretismo, apenas do conhecimento de quem nomeia (o Conselho de Arbitragem) e dos próprios nomeados (o árbitro do CD Feirense x SC Braga, por exemplo, desconhece a nomeação para o FC Porto x CD Santa Clara), torna-se absolutamente revelador da falência e da permeabilidade do sector esta nova confirmação de que indivíduos estranhos ao futebol e às suas estruturas possam ter acesso a informações classificadas.

Perante esta fuga, é premente que os responsáveis se expressem com tanta celeridade como o fizeram aquando da intervenção do Presidente do SC Braga. Porque há perguntas a que urge responder: Como é que agentes externos têm acesso a informação classificada? Quem é que está a passar tais informações? A quem servem essas informações? De que forma é que tal acesso condiciona e influencia as arbitragens?

Sim, os árbitros em Portugal têm de ser defendidos e protegidos. Não com intervenções de corporativismo, mas com ações concretas e explicações cabais que assumam a existência de problemas e garantam a total independência e blindagem do sector.

O SC Braga reafirma que o futebol português não está bem. O SC Braga reclama a legitimidade de questionar a relação de causa-efeito entre a provada intromissão de indivíduos ou grupos de adeptos relacionados com os três clubes com os quais o SC Braga tem discutido os títulos nacionais e as gritantes desigualdades de critérios que se verificam nos relvados de Portugal.

Acima de tudo, o SC Braga espera que os responsáveis reconsiderem a postura assumida após as declarações de António Salvador e que assumam, de uma vez por todas, que há problemas e que urge resolvê-los.

O SC Braga e o seu Presidente continuarão disponíveis para contribuir para um futebol melhor, que não encare como normal ou aceitável a tomada do poder por fanáticos ou por jagunços."

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