Advogado de Nuno Torres clama inocência: «Ele não entrou com aquele grupo de encapuzados»

Adepto do Sporting que conduziu o BMW azul está indiciado pelos mesmos crimes dos 23 indivíduos já detidos

• Foto: Pedro Simões

Francisco Macedo Ferreira, o advogado que representa Nuno Torres, o adepto do Sporting que conduziu o BMW azul no dia do ataque à academia de Alcochete, mostrou-se agastado esta tarde no tribunal do Barreiro por o seu cliente, à semelhança dos outros três detidos, se encontrar indiciado pelos mesmos crimes dos 23 indivíduos que se encontram em prisão preventiva.

"Este grupo é diferente do outro. Está indicado. A diferença vocês [jornalistas] vão perceber. No Natal do ano passado houve um grupo que foi à academia para desejar as boas festas aos jogadores e ao Jorge Jesus. Este grupo organizou-se para ir lá falar com os jogadores e se alguém cometeu algum crime, que pague por ele. Estes não foram. Pelo menos o Nuno Torres não foi. Estão indiciados pelos mesmos crimes, o que está completamente errado. O que está na acusação e o que está previsto é a prisão preventiva", contou o advogado no final do primeiro interrogatório judicial.

Nuno Torres tem a opção de nada dizer ao juiz, mas o advogado afiança que o seu cliente vai falar. "O Nuno Torres vai falar. Na acusação diz que este grupo participou nas agressões e não foi o caso. Está indicado como se fosse um bando de malfeitores, como se fosse aquele grupo que partiu aquilo tudo."

E o que vai Nuno Torres dizer ao juiz? Não será muito diferente daquilo que disse na entrevista à SIC. "Vai dizer o que disse à comunicação social, ainda bem que falou à SIC e disse o que disse. Isto para ele foi dramático", conta o advogado, prosseguindo: "Ele vai dizer que é adepto do Sporting e que foi convidado a ir à Academia. Ficou orgulhoso por poder ver os jogadores e o Jorge Jesus. Por quem foi convidado? Foi convidado. Ele vai falar amanhã e vai negar todos os factos."

"Houve uma televisão que filmou a matrícula do carro, a partir daí esse carro está condenado, são 55.300 euros... Ele foi visto lá, apanhavam-no sempre. Ele não assistiu às agressões, quando chegou as agressões já tinham acontecido. Ele não entrou com aquele grupo deencapuzados, isso está nos autos", finalizou Francisco Macedo Ferreira, que espera, por isso, que o juiz aplique uma medida de coação mais leve ao seu cliente.


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