Alerta Bruno de Carvalho: maus resultados podem vetar saída dos craques

Jesus já viu este filme: o leão não sabe lidar com ausências de Patrício, William, Adrien e Gelson

• Foto: EPA

Quatro jogos, uma única vitória e três derrotas consecutivas com cinco golos marcados e nove sofridos. O saldo do estágio em Nyon é francamente negativo e revelador das fragilidades de uma equipa que tem a benesse de ainda estar em plena fase de construção, mas na qual já alinharam a maioria dos jogadores aos quais Jorge Jesus vai confiara a titularidade no arranque oficial da temporada.

Mais dos que as conclusões a tirar sobre o rendimento, importa sublinhar que o desempenho provou que o Sporting continua refém das suas pedras nucleares. Patrício, William, Adrien e Gelson são cruciais e suas ausências reduzem o impacto da ideia de jogo de Jesus, ao ponto de quase tornar o Sporting numa equipa banal.

Jesus viu este filme há um ano, quando Patrício, William, Adrien e João Mário falharam um estágio que provocou dores de cabeça ainda maiores (as mesmas três derrotas com mais seis golos sofridos). A história repete-se e aciona o alarme em Alvalade. A bem do sucesso, Bruno de Carvalho terá de repensar eventuais propostas por cada um destes quatro.

Perante o cenário atual, Patrício torna-se absolutamente imprescindível na baliza, tal como Gelson no ataque. Se Bruno Fernandes transmitiu a sensação de que poderá minimizar os efeitos da saída de Adrien, Battaglia e Petrovic estão ainda (muito) longe de garantirem a sucessão de William.

Estes jogos permitiram perceber que Jesus tem trabalho pela frente, sobretudo na afinação do processo defensivo, para a qual poderão contribuir as entradas ao serviço de Patrício, William e Adrien. Em teoria, os três tornarão o leão mais forte defensivamente, tal como Gelson ajudará a criar desequilíbrios e a expor as defesas rivais à eficácia de Bas Dost e Doumbia, um dos (poucos) reforços que já conseguiram deixar marca.

A bola está, pois, nas mãos de Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting decidirá se mantém os craques a salvo das investidas do mercado ou se abre mão dos jogadores mais valiosos, fragilizando a equipa mas fortalecendo a saúde financeira da sociedade desportiva que administra.

Três centrais e o reforço defensivo

Jesus aproveitou o estágio para ensaiar um quarteto defensivo, onde apenas ‘sobrevive’ Coates em relação a 2016/17. Piccini e Coentrão são os novos laterais de eleição de Jesus, que ‘riscou’ Schelotto e Zeegelaar sem dó nem piedade ano e meio depois de ele próprio os ter indicado. Mathieu completa o eixo para fazer parceria com Coates. O central do Barcelona foi ‘primeiríssima’ opção do treinador e obrigou Bruno de Carvalho a forte investimento num central de 33 anos.

O quarteto deu provas de que pode vir a ser um garante de segurança defensiva, mas não ficou a salvo de erros comprometedores, desculpados pelo próprio Jesus, que os justificou como naturais em quem está a dar os primeiros passos em conjunto.

O processo defensivo é sacramental na ideia de jogo de Jesus, pelo que o trabalho será reforçado neste sentido ao longo das próximas semanas e em todas as vertentes, uma vez que o treinador está a trabalhar a equipa num modelo alternativo.

Jesus já pôs em prática o plano através do qual vai colocar o o leão a jogar em 3x4x3, a ‘tática da moda’ para a qual o treinador acredita que o futebol vai evoluir definitivamente nos próximos tempos. É neste cenário que jogadores como André Pinto podem ganhar vida em Alvalade.

Notas soltas

Órfãos de Patrício. Azbe Jug melhorou em relação ao desastroso rendimento da pré-época anterior mas continua longe do nível exigido. Pedro Silva provou que pode ser solução de futuro, mas Patrício... é Patrício.

À margem. Palhinha, Gauld e Francisco Geraldes chegaram a treinar-se à margem do grupo com Stojkovic e Leo Ruiz. Se integrar a equipa B, está dentro do percurso normal destes dois últimos; o mesmo não se aplica aos três primeiros, que podem ser ‘riscados’ por JJ... outra vez.

Afirmação. Iuri Medeiros fez prova de maturidade ao terceiro estágio com Jesus. Tem sido um dos destaques positivos da pré-época e ameaça tornar-se num caso sério em Alvalade, depois de temporadas bem-sucedidas por Arouca, Moreirense e Boavista.

Prémio. Tobias Figueiredo pode ter garantido um lugar no plantel. O jovem central mostrou evolução a Jesus e até foi promovido (temporariamente) a capitão. O treinador quer mais um central, mas este já não deve sair do grupo.

Sensação. Gelson Dala provou que Jesus não se enganou quando se predispôs a conceder-lhe tempo de jogo. Ficou em branco mas o rendimento causou sensação junto dos adeptos e reforçou a convicção do treinador.

Adaptação. Mattheus Oliveira foi uma das apostas de recurso de Jesus, e a verdade é que não se deu mal. Falta-lhe perceber melhor a ideia de jogo de Jesus, mas já deu para ver que pode ser alternativa, até pela polivalência.

Números

12,7 milhões em causa dentro de menos de um mês. É o prémio de acesso à Champions, onde cada vitória vale 1,5 milhões e até o empate dá 500 mil euros.

2,1 golos sofridos por jogo, eis a média preocupante e reveladora de que o processo defensivo de Jorge Jesus segue exposto a fragilidades comprometedoras.

8 milhões de euros é a diferença entre a despesa com nove reforços (34,4) e o lucro só nas vendas de Semedo (14), Paulo Oliveira (3,5) e Sacko (2). A diferença não é preocupante e pode ajudar BdC a privilegiar o sucesso desportivo em função do projeto financeiro.

Por António Adão Farias
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