Artur Torres Pereira: «Foram três meses difíceis, muito pesados»

Presidente da Comissão de Gestão faz balanço do trabalho feito

• Foto: Fernando Ferreira

A dois dias das eleições que definirão o novo presidente do Sporting, Artur Torres Pereira fez um balanço do trabalho levado a cabo pela Comissão de Gestão à qual presidiu, admitindo que foram "meses difíceis e muitos pesados". Ainda assim, Torres Pereira congratulou-se com o que foi feito e deixou elogios ao papel de Sousa Cintra, que 'ajudou' na condição de presidente da SAD.

Balanço do trabalho feito

"Foram 3 meses difíceis, muito pesados. Uma situação muito delicada, geradora de tensão e conflitos, para a qual mobilizámos todas as nossas energias. Quando está em causa o Sporting não há que pôr em causa outras questões que são acessórias. Todos nós sabíamos a situação que estava, designadamente no futebol, na sequência dos acontecimentos de Alcochete e as rescisões, alegadamente por justa causa, que o Sporting não reconhece. Havia um desencanto e a descrença relacionado com a próxima época. É natural que a nossa prioridade tenha sido dada à reconstrução do ambiente em torno da equipa do futebol. Recompusemos a SAD, tudo foi feito para garantir o mais cedo possível a estabilidade e tranquilidade para a equipa pôr cobro à situação. Isso foi conseguido. Conseguiu-se muito fruto do entusiasmo e incorrigível optimismo de Sousa Cintra, a quem não posso deixar de prestar uma enorme homenagem. Um homem com vida estabilizada, de 72 anos, que dedica dias inteiros ao seu clube do coração, deixando de lado a sua profissão e família. É credor de um enorme obrigado por parte do clube e de todos os seus adeptos. A realidade é que, tendo começado nas circunstâncias em que começámos, ao fim da 4.ª jornada o Sporting está em 1.º lugar pontual e já um dos seus rivais está atrás. O Sporting tem equipa para, como sempre, ser um dos candidatos ao titulo.

Abrimos as janelas do clube, deixámos entrar ar fresco. Era preciso. O clube viveu nos últimos meses num clima asfixiante. Tenho uma vida já longa, ao início impressionou-me a forma como os funcionários se olhavam uns com os outros. O ambiente é hoje muito mais confortável para todos. O facto de vivermos num período eleitoral gera tensões naturais, mas o clima que se vivia antes de junho felizmente deu lugar à esperança. O Sporting há-de voltar ao lugar que lhe compete.

Quando recebi o convite de Jaime Marta Soares para a Comissão de Gestão confesso que fiquei um pouco surpreendido. A dimensão era imensa. Vivi e sofri como sportinguista com tudo o que se passou em 2018. Decidi na hora aceitar o convite, é daqueles que marcam uma vida. Estes 3 meses marcaram a minha vida. Já não sou um jovem, mas se há desafio e intensidade numa actividade por mim desempenhada foi aqui no Sporting.

Estávamos conscientes de que tínhamos pouco. Fomos constatando muitas lacunas e falhas. No modelo de organização, no sistema de funcionamento, nos departamentos. As modalidades não têm orçamento, por exemplo. Não há escrutínio nem monitorização do cumprimento dos orçamentos. Tínhamos cada vez mais dificuldade correr atrás das soluções que antevíamos. Havia que priorizar as respostas. O Sporting precisa de uma enorme reestruturação. Vamos entregar um relatório à direção que entrar para serem poupados ao que passámos e para ganharem tempo. No futebol, começámos pela Academia. Não é só um problema organizacional, é também de infraestruturas e recursos humanos. Hoje já não vai lá com remendos. É preciso uma reestruturação profunda do pensamento relacionado com o futebol de formação, profissional e modalidades. Temos de criar as mesmas condições que hoje existem no países da Europa para fazer o scouting dos jovens. Isto é aplicável aos departamentos do marketing, do comercial, dos sócios, das vendas- Temos de funcionar melhor. Não quero causar pânico nos sócios. É preciso uma reestruturação, mas estamos convictos que a direção que entrar está em melhores condições.

Os grandes problemas não estão resolvidos, estão identificados. Envolvem recursos humanos, funcionamento, planeamento. Afastei-me do clube em 2015 por discordância com o presidente do Conselho Diretivo. Quando voltei em 2017 estava à espera de encontrar outro clube. Afinal, para minha surpresa, verifiquei que a tão apregoada gestão e milagre financeiro não eram nem uma coisa, nem outra. Receio que a próxima direção tenha de fazer o seu trabalho e o da anterior direção. A situação está longe de ser alarmante, está perfeitamente controlada, quer do ponto de vista financeiro, como administrativo e humano."

Mais elogios a Sousa Cintra

"Só tive intervenção na escolha de um dos membros da Comissão de Gestão, que veio por minha influência: Sousa Cintra. Ele já tinha sido convidado por Marta Soares, mas tinha dito que a sua vida era feita no estrangeiro e por isso não podia aceitar. Quando vi os membros da equipa percebi que nenhum deles estava verdadeiramente ligado ao futebol. Perguntei por Sousa Cintra e Marta Soares disse-me que ele tinha declinado o convite. Liguei-lhe e disse: ‘Tenha paciência, se vai, eu vou. Se não vai, não vou’. E andámos nisto 48 horas. Felizmente, cedeu. Três dias depois, a sós, formulei-lhe o desafio para ser presidente da SAD. Tornou-se um brilhante presidente da SAD, ele que já tinha sido um brilhante presidente do Sporting."

Por Ricardo Granada
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Sporting

SAD guarda Ristovski

Pandemia não altera planos: Sporting ativa opção e alarga contrato do macedónio por 2 anos

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.