Ataque à Academia do Sporting: tudo o que foi dito na primeira sessão do julgamento

Bruno de Carvalho é um dos 44 arguidos no processo

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Bruno de Carvalho: «Era fácil ter colocado todos os jogadores em segurança»

18h08 - À saída do tibunal, Bruno de Carvalho explica porque pediu a reconstituição do ataque à Academia.

17h55 - CMTV refere que a defesa de Bruno de Carvalho pediu escusa, alegando que o ex-presidente do Sporting não tem carro nem meios que lhe permitam deslocar-se ao tribunal de Monsanto as três vezes por semana que foi decretado.

17h34 - Bruno de Carvalho à saída: "Tenho de trabalhar, continuar a minha vida. Sempre que me chamarem ou eu quiser, que é meu direito, cá estarei."

17h26 - CMTV avança que 20 arguidos, incluindo Bruno de Carvalho, pediram dispensa (por motivos profissionais) e que o tribunal autorizou.

16h59 - Primeira sessão do julgamento do ataque a Alcochete terminou. Amanhã começam a ser ouvidas as testemunhas: três da parte da manhã e três da parte da tarde.

16h51 - Procuradora questionou Bruno Jacinto se havia grupos de WhatsApp, sobre a ida a Alcochete, como não percebeu logo a gravidade da situação. Bruno Jacinto refere que não chamou as autoridades.

16h28 - A juíza interrompeu por diversas vezes o advogado de Bruno de Carvalho, Miguel Fonseca, durante as questões a Bruno Jacinto, que terá afirmado que era possível qualquer sócio pagar um extra e viajar no avião com a equipa e ter contacto direto com a equipa do Sporting.

16h07 - Bruno Jacinto diz que apenas 14 dos arguidos são sócios da Juventude Leonina. Foi-lhe também perguntado se falou diretamente com Mustafá ou se apenas ouviu o que o líder da claque disse sobre a alegada autorização de Bruno de Carvalho. Jacinto responde que não falou diretamente com Mustafá. Diz que ouviu uma conversa do líder da claque com Fernando Mendes.

15h59 - Bruno Jacinto não responde quando lhe perguntam se a Juventude Leonina era como um exército. Está a ser confrontado com as tochas atiradas a Rui Patrício no jogo com o Benfica, a juiza quer saber quem ordenou este procedimento. Jacinto diz que nem sempre é possível controlar o que entra no estádio e que foi aplicada uma multa à claque na sequência do sucedido. 

15h48 - O antigo oficial de ligação não consegue explicar por que razão disse a um spotter da PSP desconhecer se alguém iria à Academia, quando já sabia o que os adeptos tinham planeado deslocar-se a Alcochete. 

15h41 - Bruno Jacinto explica à juíza como funciona a claque Juve Leo. Voltou a ser interrogado sobre o aviso que fez a André Geraldes na véspera do ataque e explicou exaustivamente quais eram as suas funções enquanto oficial de ligação aos adeptos. 

15h06 - A juiza pergunta-lhe por que não avisou as autoridades. Bruno Jacinto diz que avisou André Geraldes e confiou que o então braço direito de Bruno de Carvalho tomasse a providências necessárias.

15h06 - Bruno Jacinto explica que houve uma reunião na 'casinha' (sede da Juve Leo) entre Mustafá e Bruno de Carvalho, que decorreu na sequência do sucedido em Madrid.

15h03 - O ex-oficial de ligação aos adeptos explica que a derrota do Sporting com o Atlético Madrid marcou o início dos conflitos entre os jogadores e a direção. 

14h59 - Bruno Jacinto continua a ser interrogado. Conta que havia dois grupos de adeptos, o de Fernando Mendes, que não queria a agressão e entrou com a cara destapada na academia, e o grupo de atacantes. Revela que havia também na direção um descontentamento generalizado pelos resultados da equipa de futebol e que por isso Bruno de Carvalho terá dado carta branca a este grupo de adeptos. 

14h40 - A sessão já recomeçou.

12h47 - Bruno de Carvalho sai do tribunal acompanhado pelo advogado e não faz comentários.

12h39 - A sessão foi interrompida para almoço. Será retomada às 14h00.

12h34 - O antigo oficial de ligação aos adeptos diz que cumpriu o seu papel, que comunicou ao seu superior hierárquico, André Geraldes, tudo o que sabia. Se houvesse indicação para impedir a entrada dos adeptos Geraldes ter-lha-ia comunicado.

12h26 - Bruno Jacinto conta que ouviu uma conversa de Mustafá com Fernando Mendes na Madeira, depois do jogo com o Marítimo, em que este afirma que Bruno de Carvalho lhe teria dito "façam o que quiserem". 

12h05 - A juíza pergunta se quando se apercebeu do que aconteceu não teve a preocupação de ligar a alguém. Bruno Jacinto diz que foi tudo muito rápido, que a própria GNR nada fez relativamente ao grupo de adeptos que estava com a cara destapada. Diz que falou com Fernando Mendes e Nuno Torres, que este último lhe pediu inclusivamente boleia para ir ao Montijo buscar o seu carro, o famoso BMW azul.

11h58 - A juiza confrontou Bruno Jacinto com as mensagens de WhatsApp [em que se fala em bater nos jogadores], mas o ex-oficial de ligação aos adeptos não quer falar sobre isso. Mas diz que não as valorizou, que nunca pensou que as coisas atingissem aquela dimensão. Já tinha comunicado a André Geraldes na véspera que um grupo grande de adeptos iria visitar a Academia e que depois se tinha concentrado nos pormenores da Taça de Portugal.

11h48 - Bruno Jacinto conta ainda que ligou para um segurança da Academia, Ricardo Gonçalves, a avisar que os adeptos iam à Academia. André Geraldes e Bruno de Carvalho estavam reunidos em Alvalade por causa da notícia que daria início ao processo 'Cashball'. Diz Bruno Jacinto que chegou às 17h25 a Alcochete, que viu um grupo de pessoas, vários elementos da Juve Leo, a falarem com o William. Os três alvos seriam Rui Patrício, Battaglia e Acuña. Falou com Fernando Mendes e que este ter-lhe-á dito que aquilo não deveria ter acontecido. A juiza pergunta por que só avisou o segurança a 10 minutos das 17 horas, ao que Bruno Jacinto responde que teve não noção da dimensão do que aconteceria e que era normal falar com os seguranças. Considerou que ao passar a informação do seu diretor [André Geraldes] partiu do princípio que a informação já estaria na posse da direção do Sporting. Não viu o ataque quando chegou, os adeptos estavam de cara tapada, mas que havia um grupo, entre eles Fernando Mendes, de cara destapada. 

Bruno Jacinto
11h26 - Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, está a falar. Diz que mandou uma mensagem a André Geraldes a dar-lhe conta de que iam adeptos à Academia de Alcochete. Geraldes ter-lhe-ia perguntado se a visita era no dia seguinte, terça-feira, sem mostrar mais nenhuma preocupação. Diz ainda Bruno Jacinto que os adeptos iam à academia quando havia maus resultados desportivos e que tinham lá estado umas quatro vezes. Neste contexto era relativamente normal. Mas Bruno Jacinto apercebeu-se que esta visita dos adeptos aos jogadores não seria no mesmo contexto. Reconhece ter recebido um SMS e que reportou imediatamente a situação a André Geraldes. Recorde-se que André Geraldes não é arguido neste processo.

11h14 - Está de regresso à sala o ex-presidente do Sporting, sempre acompanhado por um agente.

11h10 - Bruno de Carvalho pede para sair da sala e a juíza autoriza.

11h09 - Termina a identificação e a juíza chama os arguidos um a um para saber se querem prestar declarações nesta fase do processo. Os primeiros 10 dizem que não.

11h06 - Bruno de Carvalho é identificado. Quando lhe perguntam a profissão o ex-presidente do Sporting diz que é "comentador desportivo".

11h03 - Mustafá está agora a ser identificado.

10h54 - Estão 15 agentes da autoridade na sala de audiências.

10h51 - Elton Camará (que se encontra em prisão preventiva por ter cortado a pulseira eletrónica), Nuno Torres (que conduziu o BMW azul no dia do ataque) são dois dos arguidos já identificados. Bruno de Carvalho ainda não foi.

10h44 - Bruno de Carvalho sai da sala acompanhado acompanhado por dois agentes.

10h42 - Os arguidos estão agora a ser identificados um a um pela juíza Sílvia Rosa Pires.

10h30 - Fernando Mendes, um dos arguidos, luta contra um cancro e submete-se amanhã a uma sessão de quimioterapia, por isso não está presente em Monsanto.

10h28  Os advogados queixam-se à juiza pelo facto de terem sido sujeitos a uma minuciosa revista à entrada.

10h25 - A juiza que lidera o coletivo, Sílva Rosa Pires, diz "vamos começar esta empreitada".

10h22 - A audiência ainda não se iniciou, os familiares dos arguidos estão ainda a entrar nas instalações.

Advogado de Bruno Carvalho afirma que este quer apenas "trazer a verdade ao processo"
10h02 - O advogado de Bruno de Carvalho está indignado com o atraso.

9h54 - O início do julgamento está muito atrasado, entram agora os advogados. Há muitos familiares de arguidos presentes, também à espera de aceder à sala. Bruno de Carvalho, entretanto, já está no interior do tribunal.

9h43 - Os arguidos estão agora a ser chamados um a um.

9h41 - Bruno Jacinto, antigo oficial de ligação às claque do Sporting e um dos arguidos aos microfones das televisões: "Só espero ser absolvido."

9h38 - Bruno de Carvalho fuma um cigarro enquanto aguarda a entrada no tribunal.

9h34 - O ex-presidente do Sporting aguarda à porta para entrar no tribunal mas, não obstante a insistência dos jornalistas, diz que não quer falar.

9h32 - Chega Bruno de Carvalho. Duas pessoas aplaudem.

Miguel Matias: «O meu cliente está arrependido daquilo que fez que foi entrar na Academia, mais nada»
9h28 - Continuam a chegar advogados e arguidos, mas Bruno de Carvalho ainda não está em Monsanto. Entretanto, abrem-se as portas do tribunal.

9h25 - Advogado de Mustafá pretende reverter a prisão preventiva do seu cliente: "Uma das coisas que me preocupa é precisamente essa questão."

9h23 - Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho: "Ele vai falar seguramente, quando entendermos ser oportuno, no momento certo. O Bruno de Carvalho tem de trazer a verdade neste processo, nada mais. A acusação fala em paus, em ferros, em cintos, vocês viram isso?"

9h19 - Começam a chegar alguns arguidos. O tribunal ainda não abriu as portas.

9h13 - Aníbal Pinto, advogado de quatro arguidos: "Espero que se faça justiça, que o tribunal seja capaz de apurar factos, se houve dolo. É preciso aferir se existiram mandantes, uma razão para afetar os ativos de um clube, se existiram jovens que agiram em função de um grupo, se houve um 'efeito manada'. A maioria dos jovens estão arrependidos, ainda estão sujeitos a medidas de privação da liberdade. Se vão falar? Vamos ver. Estou certo que a maioria dos arguidos vão falar. Mas temos de ver qual é o melhor momento. Eu prefero que falem depois de se produzir prova. A maioria dos arguidos reserva-se ao direito do silêncio. O que aconteceu é factual, há imagens, a dificuldade é saber quem fez o quê e em que condições. Será um processo mediático, mas tenho ouvido os mais disparates jurídicos. Estou convencido que as medidas de coação possam ser alteradas, acredito que a maioria dos arguidos nem vai comparecer em tribunal. Os meus vêm hoje, estão a estudar e a trabalhar e vêm pedir para serem dispensados de cá vir três dias por semana."

Chegada dos advogados
9h09 - Chegam os primeiros advogados.

9h07 - O coletivo de juízes já se encontra em Monsanto.  

9h01 - Bruno de Carvalho já fez saber que não pretende falar nesta fase do processo. O antigo presidente do Sporting vai esperar que o Ministério Público exponha o caso. Não se sabe se os outros arguidos pretendem falar.

8h54 - Bruno de Carvalho queria chamar a depor Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues, Presidente da República e Presidente da Assembleia da República, respetivamente, mas a juíza não autorizou. Já Pinto da Costa, também arrolado como testemunha pelo antigo presidente do Sporting, vai depor, muito provavelmente por videoconferência.

8h53 - Antevê-se que este julgamento vá ser longo; já foram marcadas três sessões semanais até abril. São centenas de testemunhas, não apenas arroladas pelo Ministério Publico mas também pelos arguidos.

Polícia
8h51 - Já chegaram ao Tribunal de Monsanto várias carrinhas do corpo e intervenção da PSP, o julgamento vai ter um forte contingente policial.

8h14 - A primeira sessão do julgamento em Monsanto começa às 9 horas. Para hoje está prevista a leitura do despacho de acusação por parte do coletivo de juizes, liderado por Sílvia Rosa Pires, e a identificação dos arguidos.

O julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, começa esta segunda-feira no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com 44 arguidos, entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho.
Todos os arguidos

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" realiza-se em Monsanto, em Lisboa, explicou anteriormente à agência Lusa fonte judicial, e terá como presidente do coletivo de juízes Sílvia Pires.

Em 1 de agosto, o juiz de instrução criminal Carlos Delca pronunciou (decidiu levar a julgamento) todos os arguidos nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), deduzida pela procuradora Cândida Vilar, depois de vários arguidos requererem abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Na decisão instrutória, este juiz determinou que todos os arguidos que se mantinham em prisão preventiva passassem para prisão domiciliária (OPHVE), exceto o líder da claque Juventude Leonina, 'Mustafá', que continua em prisão preventiva.

Com Obrigação de Permanência na Habitação, com Vigilância Eletrónica (OPHVE), permanecem 36 dos 44 arguidos, depois de Elton Camará ter cortado a pulseira eletrónica, o que levou um juiz a ordenar a prisão preventiva deste arguido.

Bruno de Carvalho, que até esse dia estava sujeito à medida de coação de apresentações diárias às autoridades e ao pagamento de uma caução de 70.000 euros, passou a estar obrigado a apresentar-se quinzenalmente.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o MP imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Para a procuradora Cândida Vilar, que viu a acusação do MP confirmada pelo juiz de instrução criminal Carlos Delca, o então presidente do clube, Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estavam a par do plano e "nada fizeram" para impedir o ataque.

"Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes [Mustafá] conheciam o plano delineado pelos restantes primeiros 41 arguidos e determinaram-nos à prática dos crimes de ameaça, ofensa à integridade física e sequestro", lê-se na acusação.

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