Ataque à Academia do Sporting: tudo o que foi dito no segundo dia de julgamento

Auto de notícia da GNR gera polémica por causa da data em que começou a ser elaborado e foi enviado

A discrepância nas datas de elaboração e de assinatura do auto de notícia que relata a invasão à academia do Sporting motivou a apresentação de um requerimento de impugnação subscrito por vários advogados.

18h15 - O advogado Miguel Matias, à saída do tribunal, fala em "grandes incongruências" a propósito do auto, que terá começado a ser elaborado por Márcio Alves a 15 maio mas só enviado a 16 ou 17. Do mesmo também consta informação recolhida por outro sargento, Fábio Castro.

18h13 - A segunda sessão do julgamento já terminou.

17h55 - "Por que motivo escreveu 17h06 mais ou menos?", perguntam ao sargento Márcio Alves ainda a propósito do auto de notícia.

17h23 - Outro dos advogados de defesa partilha o argumento de Miguel Matias, referindo que foi o comandante distrital da GNR de Setúbal a dirigir as operações na Academia, embora o seu nome não surja no auto de notícia relativo ao ataque.

17h22 - 'Aleluia', um dos arguidos, deixou a sala de audiência por se apresentar com febre. Foi retirado por elementos dos serviços prisionais.

17h21 - Miguel Matias, advogado de um dos primeiros 23 arguidos detidos questiona Márcio Alves sobre a altura em que o sargento assinou o auto de notícia relativo aos episódios na Academia. O comandante da GNR de Alcochete diz que assinou o documento dias depois do ataque (16 ou 17 de maio de 2018). O advogado apresenta um requerimento e invoca a nulidade do auto de notícia por alegar que o sargento recebeu informações transmitidas por terceiros e não teve conhecimento pessoal do que está relatado no auto.

16h56 - Márcio Alves diz que chegou à Academia e entrou no balneário, revelando que a principal preocupação foi preservar o local para permitir que fossem recolhidas provas. O sargento diz ainda que não se recorda das condições em que o balneário se encontrava.

16h44 - A sessão recomeçou; prossegue o testemunho do sargento Márcio Alves.

16h37 - A sessão está temporariamente parada. "Só cinco minutos", justificou a juíza.

16h35 - Márcio Alves, comandante do posto da GNR de Alcochete, diz ter sido avisado pelo diretor de segurança da Academia de Alcochete, Ricardo Alves, para a existência de "100 indivíduos no local para falar com jogadores e equipa técnica". Com esta informação, o sargento diz que avisou uma patrulha mas, poucos minutos depois, recebeu nova chamada de Ricardo Alves a indicar que já estavam a ocorrer agressões. Perante isto, Márcio Alves garante que se dirigiu de imediato para a Academia. 

16h29 - A juíza Sílvia Rosa Pires responde ao advogado de Bruno Carvalho dizendo que já solicitou as cópias das imagens que, segundo Miguel Fonseca, "desapareceram" e que aguarda a receção das mesmas.   

16h28 - Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, inquiriu André Medinas e quis saber se o militar da GNR tinha visto Bruno de Carvalho na zona do balneário ou outros membros dos órgãos sociais no local. "Não consigo lembrar-me, talvez sim mas não consigo precisar", disse o militar às perguntas de Miguel Fonseca, que reiteirou ainda que pediu imagens do local que "desapareceram" e que ainda está á espera de juntar ao processo. "Depende da decisão do tribunal", justificou a procuradora do MP.

16h23 - Termina o interrogatório a André Medinas. Vai agora ser ouvido o sargento Márcio Alves, comandante do posto da GNR de Alcochete. É a terceira testemunha a ser ouvida no dia de hoje.

15h34 - A testemunha responde agora às perguntas dos advogados dos arguidos. Até agora, o condutor do carro patrulha tenta explicar como tudo aconteceu na manobra de tentativa de parar a fuga do BMW.

15h22 - O militar continua a relatar o que experienciou do dia do ataque a Alcochete. "Lembro-me de entrar na zona do balneário e de falar com alguns jogadores. Por exemplo, lembro-me de falar com o Rui Patrício. A minha função ali era comunicar ou indicar aos jogadores para esperaram no local e dizer-lhes que alguém iria falar com eles. O ambiente que vi era misto. Havia muitos jogadores inquietos, que queriam ir embora ou ir ao hospital, diziam que tinham sido agredidos. E depois também havia calmos, como o Mathieu. Estava muito calmo", contou Medinas.

15h00 - André Medinas, o militar da GNR que conduzia do primeiro carro patrulha que chegou a Alcochete, refere que demorou cerca de dez minutos a chegar ao local. "Recebemos a primeira chamada às 17 horas. A nossa primeira prioridade era perceber se ainda havia alguém dentro da academia. O vigilante que estava na portaria disse que já tinham saído todos. Então voltamos para trás para tentar identificar os fugitivos. Na altura vi uns 30 indivíduos, alguns encapuzados, outros não. E cinco ou seis carros no parque de estacionamento. Lembro-me bem o BMW porque estava a tentar a fuga e meti o carro à frente para evitar."

14h41 - O militar que está a ser ouvido conduzia o primeiro carro patrulha da GNR que chegou a Alcochete.

14h37 - A sessão já recomeçou; está ser ouvido outro militar da GNR.

12h33 - "Correu tudo bem. Espero que as testemunhas mantenham a coerência deste militar, que digam o que viram", revelou à saída o advogado de Bruno de Carvalho, Miguel Fonseca.

12h28 - "Não faz sentido uma reconstituição dos acontecimentos. Podia ser importante uma visita ao local, fala-se em portas de vidro, portas fechadas, saídas de emergência...", diz Aníbal Pinto, advogado de quatro arguidos. Recorde-se que a defesa de Bruno de Carvalho pediu a reconstituição do ataque.

12h20 - A sessão é interrompida para almoço. Regressa às 14h00, com a inquirição de mais um militar da GNR. Estava prevista a inquirição de três militares para a parte da manhã, mas apenas um foi ouvido. 

12h10 - Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, tem a palavra para questionar a testemunha. Entre outras questões técnicas, Miguel Fonseca pergunta ao militar qual o seu ponto de comparação para dizer que o balneário do Sporting estava muito desarrumado. A juíza pede ao advogado para se cingir aos factos. Miguel Fonseca voltou a reafirmar o argumento da reconstituição do ataque.

12h10 - A testemunha continua a ser inquirida pelos vários advogados dos arguidos. Nas sucessivas respostas, o militar reafirma que não consegue identificar as pessoas que estavam do interior do BMW que saiu em fuga da academia. "Nem que a juíza os meta à minha frente eu consigo identifica-los. Não me lembro quantos estavam no interior do carro", explica.

11h38 - O advogado Aníbal Pinto, que representa quatro arguidos, interroga a testemunha sobre o que viu no interior do balneário. O militar da GNR reafirma que viu "o balneário virado do avesso, muito desarrumado e com instalações danificadas". "Não me lembro de ter cruzado com algum jogador do Sporting", reafirma, recordando ainda que havia um vidro rachado à entrada do balneário.

11h04 - O mesmo militar conta que esteve mais tarde no balneário e que havia sangue no chão. Não viu, no entanto, ninguém ferido.

10h55 - O militar conta que quando chegou ao local viu indivíduos encapuçados a fugirem do local e que um BMW tentou abalroar o carro patrulha. Foram chamados reforços, que depois partiram em perseguição dos elementos que tinham fugido em três carros.

10h45 - Está a depor um militar da GNR de Alcochete, que esteve na Academia do Sporting no dia do ataque.

10h35 - Mustafá e Aleluia, os dois arguidos que estão em prisão preventiva, chegaram algemados e não se encontra junto dos restantes acusados.

O julgamento do processo da invasão à Academia de Alcochete prossegue esta terça-feira, no Tribunal de Monsanto, com o coletivo de juízes e os advogados dos 44 arguidos a ouvirem os depoimentos de seis agentes da Guarda Nacional Republicana – três de manhã e três à tarde.

Os agentes terão estado no centro de treino dos leões a 15 de maio de 2018 e participado na captura de alguns dos elementos responsáveis pelos desacatos. A periodicidade de três sessões por semana (segundas, terças e quintas-feiras) vai manter-se até ao final do ano, diminuindo para duas em janeiro de 2020.

A maior parte dos arguidos, incluindo Bruno de Carvalho, foram dispensados de comparecer no tribunal. Recorde-se que segunda-feira, na primeira sessão, Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, implicou o antigo presidente dos leões no sucedido há ano e meio em Alcochete.

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