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Benfica-Sporting, 1-3: Um baile verde e branco

CRÓNICA

Foi um baile verde e branco, construído desde muito cedo, com todos os ingredientes necessários para o alimentar: segurança, coragem, estratégia, atrevimento, sentido de aventura, qualidade individual e uma escandalosa superioridade colectiva, traduzida praticamente desde o primeiro apito do árbitro. Significa esta análise, legitimada pelo resultado final, que os seus pressupostos já faziam sentido ao intervalo, com a diferença de que, nessa altura, ganhava quem menos tinha feito por isso.

Aliás, a única hipótese para explicar a vantagem benfiquista ao fim dos primeiros 45’ era recorrer à Divina Providência, que fez cair do céu um golo encarnado no meio da imensa maré verde de um futebol esmagador e surpreendente para quem chegava ao dérbi em situação mais delicada. O tempo serviria para confirmar que, afinal, os deuses também têm sentido de justiça. E resolveram não punir a melhor equipa.

Desencaixados

Paulo Bento insistiu no 4x4x2 em losango, com uma diferença em relação aos últimos dois encontros: lançou Deivid para junto de Liedson, colocou Sá Pinto como vértice alto do quarteto da intermediária e deixou Romagnoli de fora. O Benfica apostou no tradicional 4x2x3x1, com olho na exploração das faixas laterais (Geovanni na direita, Simão na esquerda), tendo Manduca (uma surpresa no onze) no apoio a Nuno Gomes. Como o encaixe táctico era complicado de concretizar; porque uns procuravam ir mais por dentro e outros mais por fora; porque no miolo a superioridade leonina era esmagadora (quatro contra três e às vezes dois), enquanto as alas guardavam poder de fogo encarnado, o desequilíbrio só podia ser feito de uma forma: desequilibraria quem tivesse a bola. Foi quase sempre o Sporting que a teve.

Superioridade

Os leões nunca especularam e foram muito claros no sentido que deram ao jogo. Começaram por cultivar a posse de bola para roubar iniciativa ao adversário e mantiveram a pretensão como início da cavalgada para a baliza de Moretto. E o que fez o Benfica? Marcou um golo fortuito, nada fazendo para o justificar, e entregou-se a uma gestão atabalhoada dessa vantagem. Fê-lo sem um plano bem definido, com total ausência de confiança, com derrotas em todos os duelos individuais. De tal maneira que, nos primeiros instantes do segundo tempo, foi normal ver os defesas encarnados atirar a bola para onde estavam virados, reduzindo o fio de jogo ofensivo a pontapés sem nexo para a frente, à espera de novo milagre – que Nuno Gomes chegasse a tempo a uma dessas solicitações ou que algum sportinguista reincidisse em qualquer erro clamoroso. Nada disso aconteceu.

O festival

Ronald Koeman mexeu depressa na equipa (54’) e, ao trocar Manduca por Manuel Fernandes, emitiu mensagem de preocupação. Impotente para dar a volta ao jogo com os seus argumentos (nunca se impôs), o Benfica procurou retirar eficácia ao antagonista. O jogo precisava apenas de um sinal que indiciasse o começo da revolução e ele surgiu aos 65’, quando o Sporting chegou ao empate. A partir desse momento, deixou de fazer sentido ao Benfica resguardar-se; a equipa avançou e procurou fazer o que nunca foi capaz: atacar com critério. Nos últimos 20’ a superioridade leonina assumiu proporções gigantescas, resvalando para um festival que podia até ter acabado com números mais expressivos.

Árbitro

PEDRO HENRIQUES (5). Em jogo de coeficiente máximo de dificuldade, impôs-se claramente sem abdicar do estilo. Grande arbitragem naquilo que é essencial.
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