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Benfica-Sporting, 2-2: Polémica a rodos no adeus à Luz

CRÓNICA

O ÚLTIMO “derby” disputado no Estádio da Luz, que amanhã começará a ir abaixo, foi intenso, vibrante e emocionante. Nem sempre muito bem jogado, é certo, mas suficientemente épico para perdurar na memória dos adeptos, este duelo entre os eternos rivais acabou com um “golpe de teatro” monumental que “atirou” o Benfica da liderança provisória para o quarto lugar. A cinco minutos do fim, os encarnados tinham o pássaro na mão e apesar de estarem em inferioridade numérica, não passava pela cabeça de ninguém que se deixassem apanhar pelos leões. Mas o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e uma má decisão de Duarte Gomes lançou a turma de Alvalade para a recuperação. Que Jardel, fazendo jus à fama de predador insaciável, acabou por concretizar. Os estragos para a equipa de Toni podiam ainda ter sido maiores, tivesse o último remate de João V. Pinto acertado no alvo em vez de ter apenas assobiado junto ao poste direito da baliza de Robert Enke.

Ontem à noite, perante 75 mil espectadores – e nunca mais um Benfica-Sporting voltará a merecer tal moldura, uma vez que os novos estádios dos velhos rivais andam pelos 60 mil lugares – ficou mais uma vez provada a irrelevância do favoritismo neste tipo de jogos. O Benfica, mergulhado em polémicas directivas e chegado de dois resultados menos bons, iniciou o encontro a todo o gás, apostou no “pressing” e libertou a criatividade de Mantorras, Drulovic e sobretudo Zahovic e Simão, assinando algumas fases de verdadeiro regalo para a vista. Os primeiros 45 minutos dos encarnados foram muito bons e a vantagem com que chegaram ao intervalo era merecida. Porém, uma dúvida era imediatamente suscitada: seria que a equipa de Toni estava preparada para aguentar mais meia parte àquela velocidade? Se esta questão podia ser preocupante para os encarnados, o que a segunda parte trouxe foi muito mais complicado. Andrade foi expulso aos 53 minutos (duplo amarelo na quinta falta cometida) e ainda Toni devia estar a pensar como equilibrar a contenda quando a genialidade de Simão e Zahovic inventou um golo belíssimo. Os encarnados recuaram e prepararam-se para defender o 2-0; Bölöni foi ao banco e lançou Pedro Barbosa, primeiro, Tello e Prates, mais tarde, impulsionando a sua equipa para a frente. Toni, com menos recursos entre os substitutos, chamou Ednilson para o apoio ao excelente Meira e apostou apenas em Mantorras e Simão para a contra-ofensiva. O Sporting teve então, além do domínio territorial, uma série de ocasiões para encurtar distâncias, mas, essencialmente por falta de pontaria dos seus avançados, não conseguiu marcar. Foi então que aconteceu o lance entre Caneira e Jardel, que o árbitro, mal, entendeu como passível de castigo máximo. Super Mário não perdoou e fez o seu 17º golo na I Liga. Dois minutos volvidos, desta feita de cabeça, Jardel empatou o encontro, lançando a euforia na Superior Norte e um silêncio gelado no resto do estádio. A reviravolta verde-e-branca estava consumada...

Até ao apito final de Duarte Gomes, os leões continuaram a ser a equipa mais perigosa, mas a divisão de pontos estava sentenciada. Cerca de um ano depois de ter deixado fugir a liderança (0-0 na Luz frente ao Boavista), os encarnados repetiram a dose, desta vez de forma muito mais dramática, numa partida, no mínimo, polémica.

O árbitro Duarte Gomes teve um jogo muito complicado para dirigir. Cometeu erros graves (”penalty” sobre Jardel, aos seis minutos, não assinalado; “penalty” inexistente sobre o mesmo jogador, sancionado; decisão muito duvidosa no “penalty” de Beto) e teve dificuldades em segurar uma partida que acabou com 51 faltas cometidas, 12 cartões amarelos e um vermelho.
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