Bruno de Carvalho garante que não irá desviar-se do seu caminho, a despeito da crise interna motivada pelas críticas aos jogadores e a consequente intervenção do presidente da mesa da assembleia geral, Jaime Marta Soares.

"É preciso mais do que um grupo organizado com lenços brancos e cartazes para me tirar do meu caminho. Espero que nunca se esqueçam que não estão só a falar de um presidente. Falam de um pai, de um filho. Não de um robot, de um parvo", disse Bruno de Carvalho esta tarde no Núcleo do Sporting de Arganil.

O presidente leonino foi mais longe e desvalorizou a polémica dos últimos dias. "Falam em grandes polémicas mas, desde que a suposta polémica começou, e estamos a falar de futebol, ainda só vi vitórias. Ganhámos 2-0 ao Paços de Ferreira e 1-0 ao Atlético de Madrid. Se isto é uma crise, espero que estejamos sempre em crise. Mas do princípio ao fim do campeonato, para que possamos festejar o título de campeões nacionais", ironizou BdC, citado no site oficial do clube na internet.

Bruno de Carvalho lamenta, ainda, que as mensagens de parabéns enviadas aos jogadores depois da vitória sobre o Atlético Madrid tenham chegado à comunicação social, como Record revelou em primeira mão, e revela uma conversa com a equipa antes do conturbado jogo em Madrid com o Atlético, da 1.ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa.

"Até as mensagens que enviei para os jogadores vieram parar à comunicação social. É pena porque, antes de Madrid, numa palestra que tive com a equipa, disse-lhes para nunca levarem a mal os assobios dos sócios e adeptos. Se o fazem é porque acreditam na qualidade do plantel e sabem que é possível fazer melhor. Por que é que isso não veio ‘cá para fora’?", questionou.

Em jeito de mensagem para o universo sportinguista, Bruno de Carvalho recuperou o discurso ambicioso e utilizou como exemplo os Prémios Manuel Marques distribuídos este domingo em Arganil, nomeadamente a representantes da equipa de 1973/4 que conquistou a dobradinha.

"Bem sei que o Sporting CP pode não ganhar sempre, mas temos de ter honra e orgulho. Contudo, hoje estamos a homenagear pessoas que me deram o primeiro campeonato de futebol. Não faz mal não ganharmos? Porquê? Porque os senhores viram o Sporting CP ganhar muitas vezes? A minha exigência e a minha vontade é a de colocar o clube a ganhar tudo, porque o Sporting CP do meu pai e do meu avô era o crónico [campeão]. Se as pessoas sentem que, afinal, basta existirmos, para mim é mais fácil. Parece-me que, a única coisa que os sportinguistas não querem é que o clube ganhe a qualquer custo. Aí estamos todos de acordo", concluiu.


Autor: Vítor Almeida Gonçalves