Bruno de Carvalho explica negócios de Montero, Alan Ruiz e Bruno César

Antigo presidente do Sporting faz revelações sobre os três processos

• Foto: Carlos Barroso

No início de 2016, Fredy Montero deixou o Sporting e rumou aos chineses do Tianjin Teda, por 5 milhões de euros, como comunicado à data pelo clube. Em sentido inverso, os leões contrataram Hernán Barcos, também ao Tianjin Teda. A entrada do argentino, oficialmente, teve custo zero mas, na verdade, pesou 2 milhões de euros. O acordo foi realizado naqueles moldes para, admite agora Bruno de Carvalho, baixar o valor a pagar ao Seattle Sounders e à MLS, a liga norte-americana de futebol, que tinham direitos sobre Montero.

"A oferta do clube chinês pelo Montero foi de 7 milhões de euros, tanto que a comissão foram 350 mil euros, ou seja, 5% desses 7 milhões. Do mesmo clube, o Sporting queria o Barcos; o clube chinês pôs-lhe um valor de 2 milhões. Para defender os superiores interesses do Sporting e fazer o negócio da forma mais eficaz e eficiente, preferi fazer 5M€-0M€. Porquê? Porque parte do passe do Montero era do Seattle (Sounders), da MLS. Portanto, assim deu exatamente igual, porque (vender por) 7M€ e pagar 2M€ dá 5 M€. Mas paguei uma percentagem menor de dinheiro à MLS", explicou Bruno de Carvalho, este sábado, a Record.

"A proposta, de facto, era de 7 milhões de euros; não era de 5M€. Mas ninguém meteu ao bolso dinheiro nenhum. Foi 7M€ menos 2M€ igual a 5M€. Preferi fazer 5M€ pelo Montero e 0M€ pelo Barcos para pagar menos à MLS", assume BdC, descontente com o que considera terem sido insinuações de Frederico Varandas na conferência de imprensa que concedeu esta sexta-feira. "Ainda ontem, o Varandas disse que na equipa dele ninguém irá meter dinheiro ao bolso", regista.

 
O(s) telefonema(s) de Jorge Jesus
De Montero para Alan Ruiz, Bruno de Carvalho faz questão de esclarecer os valores envolvidos e insiste que terá sido uma alegada intervenção de Jorge Jesus a fazer disparar o custo do negócio. "(Varandas) disse que o valor de mercado foram 3,9 milhões; mentira: foram 4,8 milhões. O jogador surge no Sporting quase pelo dobro (8M€) por causa de comissões e prémios de assinatura. O que é que causou isso? A intervenção direta, sem autorização, do Jorge Jesus. Porque o Jorge começou a ligar ao Alan, para o pai do Alan, e eles sentiram-se com poder. O negócio acaba por ficar em quase 8 milhões, porque o jogador pede prémio de assinatura e os agentes pedem comissões. Só pela intervenção não autorizada do Jorge Jesus no negócio", reforça Bruno de Carvalho.

Confrontado por Record com o argumento de que na altura podia ter dito ‘não’ ao negócio, se o considerava abusivo, Bruno de Carvalho concorda mas coloca a questão sob outra perspetiva. "Podíamos ter dito que não, como é lógico. Mas não o dissemos porque para o Jorge (Jesus) era o Alan Ruiz e mais dez. Portanto, confiámos na visão do Jorge (Jesus). Claro que podia ter dito que não. Mas estou a explicar o que se passou", conclui, sobre  este tema.

 
Fatura de comissão por Bruno César
Bruno de Carvalho clarifica, ainda, os custos relacionados com a contratação de Bruno César, e reconhece que, em vez de prémio de assinatura, foi apresentada uma fatura de intermediação.

"Chegaram ao pé de mim e disseram-me: o jogador Bruno César, que o Sporting quer, custa 1 milhão. E eu disse: por 1 milhão, eu quero. Quando voltaram, já não era 1 milhão, eram 2 milhões, porque era 1 milhão limpo (livre de impostos), ou seja, quase o dobro em Portugal (depois de impostos); era um prémio de assinatura e ele (Bruno César) tinha de ficar com 1 milhão limpo. E eu disse: gastar 2 milhões está fora de questão, não quero o jogador; ou arranjam uma forma eficaz e eficiente, e o jogador volta para este valor, ou então eu não quero o jogador. A minha equipa apresentou-me, então, um negócio através do pagamento de comissão", explica Bruno de Carvalho, antes de ser questionado sobre a forma como esse modelo se terá processado.

"Foi através de uma fatura de comissão", revela. A diferença, relativamente ao prémio de assinatura, é que a fatura de comissão "não" seria taxada. "É uma fatura com um valor ‘x’ e só se paga isso. Ou seja, num prémio de assinatura, para a pessoa ficar com 1 milhão, gasta 2 milhões; com uma fatura de 1 milhão, paga 1 milhão. Ponto. Foi essa a forma eficaz e eficiente que eles arranjaram para ficarmos com o jogador", acrescenta.

O recurso a esta alternativa levanta dúvidas legítimas sobre o que pode ter sido uma forma de fuga aos impostos. BdC não precipita leituras, apenas constata o facto. "Isso são conclusões... As Finanças façam lá o que quiserem. A mim, apresentaram-me um modelo de um negócio que batia certo com o início disto tudo e eu aceitei", refere.

Por Vítor Almeida Gonçalves
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