Bruno de Carvalho: «Nove meses dá tempo para fazer um bebé...»

Recorda tempo que leva um dos processos de que foi alvo

• Foto: Paulo Calado

Durante 113 dias, Bruno de Carvalho esteve suspenso e, por isso, impedido de se sentar no banco de suplentes do Sporting. Ainda assim, o líder do clube de Alvalade garante que não se deixou condicionar por esse castigo que lhe foi imposto.

"Eu não me deixo condicionar pelas estruturas do futebol. Deixo-me condicionar pela minha família e pela lei. A única coisa que podem fazer, é tirar algo que tanto prazer me dá, que é estar no banco. Gosto de estar ao pé de quem é a minha família, quem me faz crescer e aprender sobre os meandros. Como funciona a questão dos árbitros, dos delegados… Este foi o pior castigo de sempre a um presidente após o Apito Dourado, é algo fantasmagórico. E já ninguém se lembra porque é que foi, visto ter sido há 4 meses…", considerou.

"Está a haver um recurso, mas castigar alguém por dizer que o Vítor Pereira não deixará saudades nenhumas ao futebol – não sei se reparou que voltei a dizê-lo, se alguém estiver desatento –, que não tinha senso a fazer algumas das nomeações. Se isto dá direito a um castigo, ao pior de sempre, estamos a atravessar um período de loucura e de crise emocional e houve uma altura em que se falava do Prozac. Nunca tomei mas dizem que é bom. As pessoas devem tomar porque se riem e dizem que está tudo bem. Direi 500 vezes aquilo que acho e Vítor Pereira não deixará saudades a mim nem a qualquer pessoa normal no futebol pelo que andou a fazer", reforçou o líder do clube de Alvalade.

"Temos de ter a noção que as pessoas têm de saber o que se está a passar e condenar alguém por delito de opinião – porque foi um delito de opinião que fiz e quando já fui apelidado de Vale e Azevedo, vigarista e aldabrão e ninguém foi condenado –, só realmente o futebol e estas pessoas do futebol acham que podem, por um motivo destes, que é condenar-me de estar longe daquilo que gosto por uma opinião fundada e de um sócio cinquentenário do Sporting. Eu ainda não promovi aquilo que prometi, olhe lá está uma promessa que não cumpri: a promoção da expulsão de Vítor Pereira como sócio do Sporting. Tenho que o promover o mais rápido possível. As pessoas metem-se em tudo; pelos vistos não posso falar de um sócio cinquentenário do Sporting. Se ele me estiver a ouvir e me puder poupar a este processo, deixando de pagar as quotas e escrevendo aquela cartinha a dizer que deixa de ser sócio, agradecia-lhe tanto porque poupava-me a todo esse processo e até saía com alguma honra", disse, de forma irónica.

Arquivamento das queixas do Benfica

Bruno de Carvalho aludiu ainda ao arquivamento das queixas apresentadas pelo Benfica, optando igualmente por recordar que ainda é alvo de alguns outros processos, nomeadamente o referente ao caso do túnel, no duelo com o Arouca.

"Espero que seja indiciador de que temos de começar a olhar para as coisas como elas são e que as pessoas não podem ser castigadas por qualquer coisa, mas também espero que os processos tenham as suas interligações. Por muito que fique feliz por ser ilibado de alguns processos, não percebo por que é que ainda estou com um processo pendente de uma entrevista que dei à TVI, quando acaba de sair uma decisão sobre algo que proferi quando cheguei ao futebol e disse que achava que havia um domínio do FC Porto e afinal não era do FC Porto.... E fui absolvido! Quero lembrar que há processos pendentes e graves", disse, recordando depois o caso do túnel.

"Recordo que há nove meses que tenho o estigma de ter cuspido em alguém, coisa que é gravíssima e um castigo por si só... As pessoas que me absolveram são as mesmas que estão há nove meses para tomar uma decisão. O mais engraçado é que esse processo diz que o Pinho fez tudo mal, provocou, fez, andou, dirigiu-se a mim, empurrou, tentou agredir, está lá tudo escrito; e depois também diz uma coisa maravilhosa... na sequência de um encontrão que o presidente do Arouca me dá - é o que diz lá - sai qualquer coisa da minha boca - já agora, porque há fotografias em que se nota - saiu da boca e do nariz ainda é mais grave - eles não conseguem definir se é saliva se é fumo, mas como sai qualquer da minha boca, entendem que pode ser um atentado à honra. Mas qualquer coisa que vem de um encontrão é involuntário".

"A verdade é que estou a ser castigado e isto vai ter de ter consequências, inclusivamente pedidos de indemnização porque os vou fazer a toda a gengte que esteve envolvida nesta tomada de decisão que é nenhuma, inclusive com todos os artigos que foram sendo escritos no estrangeiro e em Portugal. Se alguém me entrasse no meu gabinete e me dissesse 'desculpe lá, eu só me lembrei passado uma semana que alguém me cuspiu na cara', eu indicava-lhe o caminho da Avenida do Brasil, no Júlio de Matos, porque é um sítio bom para uma pessoa que só se lembra que lhe cuspiram na cara uma semana depois", referiu.

"Não se esqueçam que o maior castigo de sempre, não deriva de uma queixa do Conselho de Disciplina ou do próprio Vítor Pereira; deriva de uma queixa do Benfica. O Vítor Pereira leu e encaixou; os órgãos de disciplina leram e encaixaram; o Benfica veio em defesa do Vítor Pereira - imagine-se lá porquê... - e castigam-me. Quem está indignado é o Conselho de Disciplina? Eu não posso estar indignado por ler que o Benfica castiga Bruno, o Benfica afasta Bruno ou a Liga aprova regulamento anti-Bruno? Já chega de se andar a brincar aos 'timings', estou farto deste assunto que me incomoda solenemente. Passaram-se nove meses sem uma decisão. Não sei se eles têm noção que nove meses dá tempo para fazer um bebé... E tenho a certeza que dá muito mais prazer fazer bébés do que processos ao Bruno de Carvalho", disse ainda.

Por António Adão Farias e Bruno Fernandes
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