O presidente do Sporting anunciou numa nota pessoal enviada à Lusa, que vai mover um processo contra o Presidente da Assembleia da República, comentadores e jornalistas por o terem "difamado e caluniado", após os atos de violência em Alcochete.

"Não posso aceitar que a segunda figura do Estado tenha sido mais taxativo e belicista, fazendo-me uma crítica violentíssima, não tendo a mínima noção do cargo que ocupa e da sua condição de sócio do Sporting Clube de Portugal. Será por isso um dos primeiros visados nas ações cíveis que vou mover, até pela posição relevante que ocupa na sociedade", refere Bruno de Carvalho.

Contra todos os que o têm difamado - políticos, jornalistas e comentadores - Bruno de Carvalho garantiu que vai "mover ações cíveis".

As ações estender-se-ão a figuras públicas como Daniel Sampaio, José Maria Ricciardi ou Rogério Alves, os quais afirmaram que Bruno de Carvalho "não tinha condições de continuar a exercer o cargo", acrescentou.

O presidente do clube de Alvalade classificou como "terroristas" os atos cometidos na terça-feira e queixou-se do linchamento público de que tem sido alvo.

"Não passa pela cabeça de ninguém que o Clube ou a SAD tivessem interesse neste tipo de atos de terrorismo contra os seus, ou outros", disse Bruno de Carvalho, sublinhando que tem "lutado com todas as forças contra a violência".

"Nunca tive qualquer tipo de ação que fosse geradora de violência como se comprova (...) pelos cinco anos [na presidência do Sporting] sem qualquer incidente. Lamento, por isso, que me estejam a ser imputadas responsabilidades, diretas ou indiretas, morais ou materiais desse ato absolutamente hediondo".

Na terça-feira, cerca de 50 pessoas, de cara tapada, alegadamente adeptos 'leoninos', invadiram a Academia de Alcochete e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.

Na sequência da invasão à Academia leonina, a GNR deteve 23 suspeitos, apreendeu cinco viaturas ligeiras, vários artigos relacionados com os crimes e recolheu depoimentos de 36 pessoas, entre jogadores, equipa técnica, funcionários e vigilantes ao serviço do clube.

Os detidos foram já identificados e ficaram a conhecer os factos que lhe são imputados no tribunal do Barreiro e vão começar hoje a ser ouvidos por um juiz de instrução criminal.

O Ministério Público disse na quarta-feira que os detidos pelas agressões a futebolistas do Sporting são suspeitos de práticas que podem configurar crimes de sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, e terrorismo, entre outros.

Autor: Lusa