Douglas: «Fui muito desrespeitado no Sporting»

Jogador brasileiro diz que foi tratado "como um miúdo de 15 anos" em Alvalade

• Foto: Nuno André Ferreira

Douglas chegou ao Sporting em 2016/17, proveniente do Trabzonspor, mas acabou por sair de Alvalade pela porta pequena. Acusou doping num controlo em 2017 e o clube rescindiu o contrato um ano depois. O central brasileiro, que admite ter consumido um diurético, conta numa entrevista ao site 'Goal' que o clube de Alvalade e o próprio Jorge Jesus não o trataram bem.

"Saí do Trabzonspor por causa de um projeto que me foi oferecido pelo Sporting. Não fui para o Sporting para ganhar dinheiro, até porque na verdade abri mão de mais de 500 mil euros por ano. Fui para Portugal para fazer história com a camisa do Sporting", explicou o central. "Quando cheguei, muita gente disse que eu estava acima de peso. De facto, cheguei acima do peso. O Jorge Jesus, no entanto, sabia da minha condição física, visto que eu não tinha participado da pré-temporada do Trabzonspor. Recuperei o peso ideal num período de quatro a cinco semanas. O próprio Jesus elogiou-me pelo esforço, mas ainda assim pediu para que eu perdesse mais alguns quilos. Mas, no geral, ele estava satisfeito. Esforcei-me, fiz de tudo... Mas não demorou muito tempo para o Sporting não ser leal comigo e não cumprir o projeto acordado." 

Douglas diz que foi "desrespeitado" dentro e fora do campo. "Fui muito desrespeitado no Sporting, a maneira como me trataram... Cheguei ao clube com 28 anos, experiente, com uma história, mas trataram-me como um miúdo de 15 anos."

E esse "desrespeito", segundo o jogador, começou antes do controlo antidoping positivo. "Passei a ser muito julgado depois do jogo contra Vitória de Setúbal, logo no início de janeiro de 2017. Já não estava a ter muitas oportunidades, mas ali mudou tudo. Depois daquele jogo nunca mais tive uma oportunidade e o Jorge Jesus também mudou a forma como se relacionou comigo. Tudo mudou. Nunca entendi ao certo o que aconteceu, ninguém nunca me explicou nada. Eu não sou de perguntar por que estou no banco, assim como também não pergunto por que sou ou serei titular", friosu. "O Sporting desanimou-me muito. Depois, em maio, quando faltava uma semana para o grupo voltar a apresentar-se [para iniciar a temporada 2017/18], recebi uma mensagem. Uma mensagem! A mensagem dizia para que eu me apresentasse numa data tal, isso porque já não fazia parte da equipa principal." 

O central conta que não entende por que foi afastado: "Como é que um clube do nível do Sporting, e também levando em conta a minha história no futebol, age desta forma? Uma mensagem! Poderiam ter telefonado para mim, para o meu empresário... Mas, convém lembrar, não fui afastado sozinho, também afastaram o Bryan Ruiz, o Schelotto, o Zeegelaar e o Castaignos. O Jorge Jesus, que sempre insistiu para que eu fosse para o Sporting, nunca mais me procurou, nem mesmo um telefonema ou uma mensagem. Não entendi e ainda não entendo por que fui tratado assim."

O caso de doping (o controlo foi realizado em abril de 2017)agudizou ainda mais a situação e Douglas conta o que aconteceu: "Caí no doping porque tomei um diurético que a minha esposa me deu, mas, sinceramente, não imaginava que viria a acontecer tudo o que aconteceu. Era um dia de folga, estava um pouco inchado. Ela disse que tinha um remédio que poderia ajudar-me, era um remédio que ela tinha tomado uma vez durante a gravidez. Eu nunca fui de tomar muitos remédios, nem mesmo para as dores de cabeça. Tomei e continuei normalmente o meu dia. No dia seguinte, já no clube, fiz um exame, mas não imaginava que o remédio viria a ser considerado doping."

O resultado da análise, conta o jogador, só foi conhecido em janeiro de 2018. "Na ocasião, achei muito estranho, porque havia demorado muito tempo. Quando saiu o resultado, eu já não estava a treinar com a equipa principal. Lembro-me que estava em casa e fui chamado pelo doutor João Lobo, que me avisou que tinha chegado uma carta para mim. Fui então para Alvalade e lá ele mostrou-me o documento. Naquele momento lembrei-me que tinha tomado o medicamento, expliquei o que tinha acontecido e que, de facto, a culpa era minha. Mas tomei-o por pura inocência, não sabia da gravidade."

A mulher, explica, vive com uma culpa eterna: "Isso acabou por afetar muito a minha esposa, que passou a sentir-se culpada. Até hoje sente-se culpada, chora, pede desculpa... Só eu sei o que ela passou e que ainda passa, é muito triste."

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