Frederico Varandas: «Adrien mete a cabeça onde os outros metem os pés»

Diretor clínico do Sporting considera capitão um exemplo

• Foto: Miguel Barreira

No âmbito das Jornadas Internacionais de Medicina Desportiva, que decorrem este sábado em Alvalade, Frederico Varandas aceitou o desafio de Record para fazer um balanço da época prestes a terminar a nível de lesões. A análise do diretor clínico do Sporting é positiva.

"Há lesões que se conseguem evitar, com um bom planeamento e boa metodologia. E aqui a equipa técnica tem muito mérito. Podem ir buscar o melhor médico do mundo, se tiver um treinador que não respeite a recuperação de um atleta, as cargas, aquilo parece um hospital de campanha. O mérito tem de ser repartido. A nível dessas lesões, que se conseguem prever, a época foi um sucesso", avalia Frederico Varandas, 37 anos.

Se houve "pouquíssimas" mazelas musculares, considerando que foi uma temporada com Champions, já problemas traumáticos aconteceram alguns e "para o mesmo jogador", Adrien.  Frederico Varandas começa por falar em "lesões azaradas" mas depressa corrige, porque há uma explicação bem objetiva. 

"É preciso dar-lhe o mérito. O Adrien magoa-se mais porque mete a cabeça onde os outros metem os pés. Sinto respeito por jogadores como o Adrien. Se ele tem lesões no joelho é porque disputa todos os lances a 100%. Ele não brinca num jogo. Divide a bola. Tenta dar tudo em cada lance e isso paga-se. Sofre mais contacto físico. As lesões traumáticas dele foram assim. Tem a ver com a sua forma de jogar", considera o médico fisiatra, remetendo para um segundo exemplo. "Lembro-me do Rinaudo, que teve uma lesão gravíssima connosco. Era igual na entrega. Estes jogadores que dão tudo muitas vezes têm uma carreira mais acidentada exatamente por isso."

Expectativa por Carlos Mané

Um caso de azar, este sim, é o de Carlos Mané. O avançado cedido ao Estugarda lesionou-se com gravidade nesta reta final da temporada e acaba de ser operado ao joelho direito. Pedro Pessoa, aos 56 anos, tem já um vasto currículo e experiência nestas intervenções. "Fazemos talvez 200 cirurgias aos ligamentos por ano. Eu opero à 2.ª, 3.ª, 4.ª e 5.ª feiras, 12 por semana em média. Mas posso fazer até 12 operações num único dia. Se fosse pôr no currículo agora, já seriam muitos milhares", afirma o responsável pela cirurgia a Mané, que decorreu no Hospital CUF Descobertas.

"A operação correu muito bem. Não é (ligamento) cruzado, não é menisco, é uma lesão da cartilagem e, portanto, o tempo de retorno tem mais variáveis. Depende da evolução dele. Uma fratura osteocondral é sempre uma lesão grave", remata o ortopedista do departamento médico do Sporting.

Por Vítor Almeida Gonçalves
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