"Gente brincalhona" que joga "pataleca" no início do treino: Silas avalia balneário

Treinador do Sporting revela as primeiras impressões que teve do plantel e como convive com os jogadores

• Foto: Luís Manuel Neves

Em entrevista à Sporting TV, Silas avaliou o balneário do Sporting e a forma como o encontou quando assumiu o comando técnico dos leões.

No primeiro treino disse para agarrarem a oportunidade mas não darem tudo: Não é não darem tudo, não estava à espera que eles fossem contar… Não é não darem tudo, é não estarem ansiosos e quererem dar tudo no primeiro dia pois eu conheço-os. Aquilo não era uma avaliação para eles, o facto de chegarem a um treino meu, e poderem não atingir as expectativas pessoais não quer dizer que não tenham atingido as minhas. Eu disse-lhes que iam voltar muitas mais vezes e encararem a situação com normalidade. Não quero que o jogador vá ali e um treino não lhe corra bem - a mim aconteceu-me tantas vezes - e que saia dali… A chamada para o treino tem que ser uma motivação, não tem que ter um efeito contrário por terem feito um mau treino e saírem dali pior psicologicamente do que entraram, a ideia não é essa. A ideia foi dizer-lhe que não se preocupassem se um passe saísse mal pois não estou a avaliá-los... Falhei milhares de passes, e nesse sentido eles podem estar tranquilos pois estão perante alguém que cometeu mais erros que eles até pela idade: joguei até aos 40 anos por isso de certeza que cometi mais erros do que eles. É isso que eu quero, que não tenham medo de cometer erros ou estarem demasiado ansiosos, a ansiedade é boa na medida certa. A ansiedade a mais já deixa de ser boa. Tento passar tranquilidade e, se eles falham, eu percebo porque falham pois ou estão mal posicionados e aí chama-os e explico. Eles assim vão percebendo que não estão perante alguém que está para os criticar, estou para ajudar e corrigir. É a nossa maneira de trabalhar.

Que balneário encontrou: Encontrei um balneário… Acho, pois ainda não os conheço bem, que são muito chegados, é gente brincalhona e eu gosto muito disso, gosto de ver um bom ambiente no treino. Mesmo quando se perde não temos que olhar para a derrota como um tragédia, às vezes com as derrotas também se aprende. É um plantel que começa o treino com um jogo que chamamos ‘pataleca’ e eu gosto muito disso. Depois encontrei um balneário com vontade aprender, com vontade de trabalhar e dar a volta à situação negativa pela qual estavam a passar. Embora eu achasse que nos últimos jogos estavam a jogar bem faltava o resultado, faltavam os golos, mas as derrotas tiram sempre confiança e geram desconfiança. Acho que eles estavam a desconfiar um bocadinho do seu valor, e é normal quando não se ganha pois desconfiamos de tudo. Também os encontrei com vontade de dar a volta e temos dois jogos e duas vitórias, sobretudo por eles pois nós não tivemos a oportunidade de trabalhar absolutamente nada, foi mais a vontade deles ganharem. Foi isso que encontrámos, um plantel realmente com vontade de dar a volta à situação, e abertos a ouvir as nossas propostas pois o que trazemos são propostas, e temos tido sorte por eles estarem abertos a propostas novas e, se calhar, diferentes.

Estreia na Vila das Aves: Antes? Não senti coisas muito diferentes de outras que sentia em bancos de outros clubes, só estava a pensar no jogo. Sou muito objetivo, os meus sentimentos estão muito focados naquilo que é o jogo, só penso se eles fazem o que nós podemos fazer… Não foi muito diferente daquilo que tínhamos apanhado em outros bancos. A assinar o acordo e na apresentação, como a minha cabeça não estava no jogo, senti-me um bocadinho mais ansioso, mas antes do jogo não, já estou a pensar em movimentos e coisas desse género. A situação foi similar à de outros jogos.

Importância dos adeptos: Jogadores nesse momento precisam muito do apoio dos adeptos pois numa fase negativa eles estão mais atentos ao que acontece fora de campo. Quando estamos bem e a ganhar, não, mas quando estamos numa fase negativa estamos mais atento a isso. Não fizemos um grande jogo, errámos muitos passes, mas o facto dos adeptos apoiarem e não assobiarem ajudou-nos muito pois o jogador está atento a isso, eu sei. Nesse aspeto foi uma ajuda grande, no jogo em Alvalade também, foi uma ajuda grande pois quando estão numa fase negativa precisam muito mais dos adeptos. Quando ganhamos constantemente não se precisa tanto pois a própria vitória já nos traz para cima, quando se está mal é que precisamos. Foram muito importantes para nós e vão continuar a ser. Acho que vamos começar a jogar muito melhor: vamos fazer muito melhor do que nos dois jogos anteriores e, quando uma ou outra vez não corra tão bem, que nos apoiem como nos apoiaram pois ajuda bastante.

Tempo para trabalhar sem jogadores: Procurámos passar uma ideia coletiva aos que estavam, procurámos analisar e experimentar alguns jovens em posições específicas e movimentos específicos, para perceber se os conseguem fazer, mas foi sobretudo potenciar os que ficaram. A outra face da moeda é essa, num clube como o Sporting sabemos que temos os melhores, e os melhores vão para a seleção. Mas os que ficam também são bons e se calhar, no futuro, alguns dos que ficaram, estarão bem e também irão à seleção. No Belenenses tínhamos alguns mas não tínhamos tantos, e aqui vamos queixar-nos de quê? De ficar sem jogadores? Se são muito bons têm que ir à seleção e temos de ficar sem eles. Seria pior tê-los todos pois isso queria dizer que eles não são tão bons e não são selecionáveis. Aceitamos com alguma naturalidade e no fundo, queremos ter menos jogadores para treinar pois é bom sinal.

Por João Soares Ribeiro
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  • Sporting CP
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