Depois das acusações de corrupção no campeonato de andebol da época passada e da invasão por parte de 60 vândalos à Academia de Alcochete, ontem foi mais um dia extremamente negro e complicado para o Sporting. A manhã arrancou com buscas na SAD leonina em Alvalade, as quais se estenderam até bem perto do final da tarde.

Durante esta operação, foram detidas quatro pessoas pela presumível prática dos crimes de corrupção ativa no desporto. Os arguidos são o ‘team-manager’ do Sporting, André Geraldes – indiciado por 18 crimes de alegada corrupção ativa (10 no andebol e 8 no futebol); Gonçalo Rodrigues – funcionário do Sporting e ex-braço-direito de André Geraldes no departamento de apoio aos atletas leoninos; João Gonçalves – empresário com forte ligação ao ‘team-manager’ dos leões e que esteve envolvido nas transferências de Augusto Inácio para o Zamalek e de Shikabala e Mathieu para o Sporting, entre outros negócios; e Paulo Silva, empresário que confessou ao ‘Correio da Manhã’ e à CMTV a prática de crimes de corrupção ativa no desporto e que despoletou todo este autêntico terramoto que se está a viver atualmente em Alvalade.

As buscas foram feitas pela Polícia Judiciária do Porto e a operação em causa foi apelidado de ‘Cashball’. As operações em Alvalade envolveram 40 elementos da PJ e, para além do estádio verde e branco, os inspetores procuraram provas noutros locais privados, entre Pombal e o Entroncamento. Refira-se que este inquérito já estaria no DIAP do Porto desde fevereiro, altura em que Paulo Silva terá denunciado todo este esquema.

Ao longo da tarde de ontem, os quatro detidos foram chegando a conta-gotas às instalações da PJ do Porto. Paulo Silva foi o primeiro a chegar, às 13 horas, Gonçalo Rodrigues entrou nas instalações às 18h35 e André Geraldes foi o último, já bem perto das 19h30. Os arguidos pernoitaram neste local e, durante o dia de hoje – provavelmente ao início da tarde –, serão ouvidos por um juiz do Tribunal de Instrução Criminal, altura na qual poderão ser decretadas as medidas de coação.

Leões disponíveis

Através de dois comunicados emitidos ao longo do dia, o Sporting, ao início da tarde, confirmou que "dois colaboradores foram constituídos arguidos", sublinhando depois "confiar" na justiça e mostrando-se disponível para prestar "toda a colaboração necessária para o apuramento da verdade". Ao final da tarde, e num comunicado mais extenso e abrangente sobre os casos que abalam o clube, os leões reiteraram não se rever em "atos que desvirtuem a verdade desportiva". "Por isso, e no que respeita às diligências levadas a cabo hoje [ontem] pela Polícia Judiciária, nas instalações do Sporting, reafirmamos a nossa total disponibilidade em colaborar com a investigação para que se passa apurar toda a verdade. O Sporting pauta a sua atuação pelo respeito pela legalidade, transparência e lisura de todos os seus atos. Aguardamos serenamente o desenvolvimento da investigação, salientando no entanto que a presunção de inocência é um direito elementar que assiste a qualquer cidadão. Queremos manifestar a nossa solidariedade aos colaboradores envolvidos e reiterar o nosso apoio às equipas de andebol e futebol que venceram os seus jogos com profissionalismo, atitude e compromisso", pode ler-se no comunicado.

Autores: Alexandre Carvalho e José Miguel Machado