Labyad: «Jesus queria trabalhar comigo»

Diz que sentiu vontade do técnico como uma vitória perante a direção dos leões

• Foto: Arquivo/Manuel Araújo

Zakaria Labyad, jogador do Utrecht, abordou a sua passagem pelo futebol português, nomeadamente pelo Sporting, salientando que tanto Leonardo Jardim como Jorge Jesus queriam a sua continuidade em Alvalade, uma vontade contrária à da direção.

"Não foram anos perdidos. Joguei muito na minha primeira época e em todas as competições. Por isso não posso dizer que esta minha aventura tenha sido um fracasso. Mais: tive muitos treinadores e todos eles contaram comigo! Bons treinadores que me queriam a trabalhar com eles. Leonardo Jardim fez de tudo para que eu continuasse no Sporting. Queria que eu estivesse na equipa principal e até o foi pedir diretamente à direção. Jorge Jesus é um treinador altamente reconhecido e também queria que eu trabalhasse com ele. Senti isto como uma vitória minha perante a direção, mas lá está… nunca ganhamos completamente uma batalha. Eles só queriam ver-se livres de mim pelo que a saída era irreversível. Mais: saber que todos aqueles treinadores contavam comigo, deu a autoconfiança que talvez me tivesse faltado antes", frisou em entrevista à 'Voetbal International'.

A carga física em Portugal

Labyad destacou o facto de o treino em Portugal ser muito diferente daquele que é praticado na Holanda. O médio deu como exemplo o trabalho duro que teve em Alcochete.

"Eles simplesmente aumentam a fasquia e exigem muito mais dos jogadores. Aqui pelo que vejo na imprensa, quando faço uma coisa boa, sou holandês; quando cometo um erro, sou marroquino… O que eles fazem é muito simples: todas as nossas acções têm de ser bem praticadas, cada passe, cada remate, cada movimento, tudo! É a regra de ouro no futebol português. São muito bons tecnicamente, são ágeis, velozes, e não têm motivos para cometer erros. Mais: temos de estar sempre no auge em termos físicos. Percebi isso com Leonardo Jardim. Treinei realmente no duro com ele. Tinhamos de estar na Academia às sete da manhã para correr oito quilómetros com o estomago vazio. Depois havia o pequeno almoço e a seguir mais um treino no campo. Ao final da tarde, mais um treino. Três vezes por dia, durante um mês e meio, sem folgas! No inicio achei que ia dar em maluco. Quando voltava ao hotel, caía na cama e adormecia de imediato. Ora, o que afinal importa desta história toda: sentia-me forte e em forma quando me olhava ao espelho e já não via aquele miúdo frágil e franzino que tinha deixado o PSV para ir para o Sporting. Os especialistas do Sporting calcularam que eu precisava de ganhar quatro quilos de massa muscular e sujeitaram-me a um programa que não tem qualquer comparação com o que fazemos aqui na Holanda. Só percebemos o que é realmente treinar a sério quando vamos jogar para o estrangeiro", vincou.

De resto, Labyad recordou mesmo uma visita ao Estádio da Luz quando representava o PSV, dando conta da diferença em termos físicos das duas equipas.

"Quando jogava por equipas holandesas contra outras dos grandes campeonatos europeus, a diferença era sempre a mesma: um fosso gigante em termos físicos, técnicos e tácticos. Uma vez fui jogar à Luz contra o Benfica mas pelo PSV e dei comigo a pensar que eles estavam fisicamente a 200 por cento. Passavam por nós a voar e eu a pensar como é que aquilo era possível… Quando cheguei ao Sporting, desfez-se o mistério: entradas a pés juntos em pleno treino era o pão nosso de cada dia e todos achavam aquilo perfeitamente normal. Se o futebol holandês quiser ir realmente longe, temos de mudar tudo!", concluiu.

Por António Adão Farias
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