Miguel Fonseca: «Quem mandou os jogadores não falarem com Bruno de Carvalho foi Rui Patrício»

Advogado do antigo presidente do Sporting afirma com base no que ficou esclarecido na sessão de julgamento desta sexta-feira

• Foto: Fernando Ferreira

Miguel Fonseca, advogado de Bruno Carvalho, prestou declarações à comunicação social presente no Tribunal de Monsanto, no final da 22.ª sessão do julgamento do ataque à academia de Alcochete, dia em que Rúben Ribeiro e Gelson Martins prestaram depoimentos.

"Quem mandou os jogadores não falarem com o presidente foi Rui Patrício, foi isto que foi dito. Digo isto com base no que foi dito hoje [sexta-feira] no julgamento. Depois, para além do Rui Patrício foi questionado se mais alguém deu instruções ao plantel para não falar com o presidente, aí a nega foi categórica. Agora, o que foi inquestionável foi que o então capitão Rui Patrício disse ao plantel para não falar com o presidente", apontou o advogado de defesa de Bruno Carvalho. 

Está a dizer que os jogadores sabiam que este ataque ia acontecer?

"Não, não é isso. O Gelson também diz que só leu esta mensagem depois de aquilo ter acontecido. Objetivamente é isto que ele diz. Agora se outros já sabiam… por aí eu não entro, mas que houve informação houve. Por quê que ninguém quis saber e perguntar a esta pessoa? Ele disse um nome, ele disse Quaresma. O nome não me diz rigorosamente nada, mas há que se investigar, não? Era informação que não podia ser escondida do processo."

Sai satisfeito com os testemunhos de hoje?

"A minha satisfação é quando se tenta atingir a verdade material e estamos numa lide leal e o tribunal, na medida do possível, tem deixado as coisas rolar, no sentido de não deixar andarmos atrás de fantasias mas sim de coisas reais. Nesse aspeto foi mais uma sessão que foi útil."

Depois do dia de hoje, ficamos mais perto da verdade?

"Ficamos mais perto da verdade, claro que sim. Como ficamos na sessão anterior, quando ouvimos dizer de onde se partiu a conversa de que os jogadores não queriam falar com o presidente, por exemplo. Ele [Rúben Ribeiro] em instâncias da juíza, sem ninguém ter perguntado nada, referiu que quem tinha dito que não queria falar com o presidente foi o capitão Rui Patrício quem disse aos jogadores para não falarem com o presidente. Isto ficou registado. Mais tarde é que é pedida uma clarificação, onde não se fala mais do Rui Patrício e William Carvalho, que era também capitão como o Rui Patrício, se pediu alguma coisa aos jogadores em relação ao presidente e ele aí foi categórico. Negou. O treinador da altura [Jorge Jesus] também negou, nem pensar. Se ele ou alguém disse para não falar com o presidente ele até teve uma intervenção: ‘Deus me livre, pouco mais ou menos’ porque nunca ninguém perdeu o contacto com a administração da SAD, nem com a direção, nem com o presidente. Foi outra fantasia que foi vendida à comunicação social. E continua a haver sujeitos processuais que quando vêm aqui largam essa [mentira]. Isto é importante, até para ir desmistificando estas coisas. Estamos a falar de seres humanos que estão aqui a ser julgados. Este tipo de fantasias é importante de serem desmontados perante um órgão de soberania como o tribunal, não estamos numa taberna."

As relações com Bruno de Carvalho depois do ataque à Academia continuaram serenas?

"Não continuaram serenas nem deixaram de continuar serenas. O problema é que não é isso, o que nos é vendido é que os jogadores não queriam conversar com o presidente porque estavam absolutamente convictos de que ele tinha tido alguma intervenção naqueles acontecimentos [ataque à academia]. E, pelo que se está a ver, é mentira. Mais, outra mentira que é vendida é que todos eles perderam contacto com o presidente. Isso é mentira, é falso. Há mensagens trocadas, com 'coraçõezinhos' verdes e braços de ‘Vamos lá’, e ‘Estamos unidos, somos família’."

Então e depois do ataque, como ficaram as relações?

"Depois do ataque é assim: quem ficou ficou, quem decidiu ir embora foi embora. Não voltou. Nunca ninguém disse que não queria falar com o presidente e todos falaram com a administração as vezes todas em que foram chamados para falar."

Há algum que ainda mantenha contacto com BdC?

"Há e vou mais longe ainda. Ao intervalo da final da Taça de Portugal havia mensagens trocadas entre o presidente e os jogadores, isso foi o que o senhor Jorge Jesus fez de conta em ficar surpreendido ao saber isto."

Mensagens com respostas dos jogadores?

"Com respostas dos jogadores no intervalo da Taça de Portugal, está documentado. O senhor comendador [Jorge Jesus] é que fez de conta que não sabia de nada disto."

Ainda hoje mantêm contacto?

"Mantém contacto com vários jogadores. Não vou quantificar, mas mantém contacto com vários. Com alguns que já prestaram depoimento em Tribunal e outros que ainda irão prestar. Quando digo que mantém contacto não é: ‘Vais dizer isto e aquilo…’, mantém contacto cordial. Houve jogadores que não 'comeram' aquilo que lhes colocaram à frente, houve jogadores que viram aquilo que se passou e que entenderam que eram uma família e que o presidente fazia parte dessa família."

Papel de Rui Patrício

"O capitão tem de ser o elo de transmissão entre a administração, o treinador e os jogadores. Não tem que dar instruções nem recados de quem quer que seja aos jogadores para falarem ou deixarem de falar com a administração, é diferente. Uma coisa é instruir outra é transmitir, é totalmente diferente. O problema é que dá-se a sensação que houve determinadas testemunhas que tiveram preparação para ficar cá e há outras que não tiveram preparação."

Sente que algumas testemunhas foram preparadas?

"Não tenho dúvidas nenhumas. Mas também não vou entrar por aí, senão estaria a levantar um falso testemunho. Mas que passaram por aqui testemunhas que nota-se nitidamente que foram preparadas, isso foram. As que eu gosto mais são daquelas [testemunhas] que dizem que não se lembram, não se lembram, mas aquilo que é crucial até se lembra, dessas é que eu gosto. Por isso é que gostei da parte da manhã [depoimento de Rúben Ribeiro]."

Depoimentos de André Geraldes e William Carvalho no próximo dia 31

"São duas testemunhas importantes, claro que são. Um deles porque era capitão e o André Geraldes porque acompanhava diretamente os assuntos com o plantel, esteve nas reuniões chave e era a pessoa que, a seguir aos administradores, que mandava no futebol. Portanto, obviamente que o Sr. André Geraldes é uma pessoa importante."

Depois do depoimento de André Geraldes é possível que BdC regresse a Monsanto?

"Não é uma matéria que esteja fechada ainda. Ainda vamos decidir. Não me parece que seja muito importante. Até porque nós conhecemos o depoimento do André Geraldes. Por exemplo, por quê que há alguns que estão como arguidos no processo e outros estão só como testemunhas", concluiu.

Por Sérgio Magalhães e Luís Mota
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