«Não feches a porta, eles que venham»: Petrovic para o secretário técnico do Sporting no dia do ataque

Vasco Fernandes está a testemunhar na 11.ª sessão no julgamento do ataque à Academia de Alcochete

Vasco Fernandes (à direita)
Vasco Fernandes (à direita)
Vasco Fernandes (à direita)

O secretário técnico do Sporting foi ouvido na manhã desta terça-feira na 11.ª sessão de julgamento do ataque à Academia de Alcochete, um processo que decorre no Tribunal de Monsanto. Vasco Fernandes começou por recordar que naquela tarde do ataque Ricardo Gonçalves lhe pediu para ligar a João Rolin Duarte, para ir para o campo.

"Pensava que eles [adeptos] já estavam dentro do campo. O Ricardo começa a correr na direção deles, eu fiquei para trás. Fiquei surpreendido com aquela situação. Fiquei petrificado." E continua a relatar: "Fui pela ala da formação para tentar fechar a porta de acesso aos balneários. Foi esse o meu instinto. No momento em que estou a ver se está fechada, há um adepto aos pontapés e encontrões à porta da sala das botas. Estava com ar de quem estava com sentimento de fúria e raiva. Os jogadores devem ter ouvido os barulhos e apareceram por trás de mim. Aí os adeptos ficaram ainda piores." 

Vasco Fernandes recorda que "um desses jogadores era o Battaglia, mais um ou dois" e que lhes disse "para saírem dali, porque estavam a acicatar os adeptos". "O balneário tem duas portas metálicas. Lembrei-me de as fechar. Pedi a chave ao João Reis, o roupeiro, só que as portas estavam empenhadas e era preciso uma força desgraçada para as fechar", relata.

O secretário técnico do Sporting recorda ainda porque as portas não foram logo fechadas: "Entretanto recebo dois estímulos de duas pessoas diferentes. Uma delas o Petrovic que me diz 'não feches a porta, eles que venham!'; Outro do Raul José, que me diz 'Não feches a porta que o homem está lá fora e vão matá-lo'". A testemunha confirma que "o homem" era o então técnico Jorge Jesus. "O Ricardo Gonçalves tentou demovê-los, mas já tinha quatro ou cinco adeptos pendurados nele", frisou Vasco Fernandes, confirmando que o diretor de segurança "estava dentro do balneário" durante as agressões.

«Sai daqui que eu mato-te»

Vasco Fernandes refere que, no balneário, estavam "25 ou 30 adeptos" para "cerca de 20 jogadores". E confirma agressões a vários futebolistas: "Não entraram para falar com ninguém. Aconteceu tudo muito depressa, mas os jogadores foram logo agredidos. O Montero levou uma estalada no rosto, é uma imagem que tenho completamente clara na minha cabeça. Ao Acuña também, que estava dois ou três lugares ao lado. Também agrediram o Rui Patrício, William e Battaglia". "Todos os jogadores que se metiam à frente, eles diziam 'sai daqui que eu mato-te'."

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