Os 38 suspeitos de agressões em Alcochete continuam em prisão preventiva

Juiz do Tribunal do Barreiro decidiu que ficam a aguardar julgamento detidos

Nuno Torres, Fernando Mendes, Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete
Bruno Jacinto, Ministério Público, Academia de Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete
Nuno Torres, Fernando Mendes, Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete
Bruno Jacinto, Ministério Público, Academia de Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete
Nuno Torres, Fernando Mendes, Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete
Bruno Jacinto, Ministério Público, Academia de Alcochete
Câmaras desviadas do terror na Academia de Alcochete

O juiz de instrução criminal do Barreiro decidiu manter em prisão preventiva 38 suspeitos detidos na investigação ao ataque à equipa de futebol do Sporting, em Alcochete, de acordo com o despacho a que a Lusa teve hoje acesso.

No despacho, o juiz Carlos Delca dá conta da constituição do Sporting como assistente do processo e diz que se mantêm os motivos que levaram à aplicação desta medida de coação a 38 dos 44 arguidos do processo.

"Resultam inalterados os pressupostos de facto e de direito que determinaram a sujeição dos arguidos a prisão preventiva pelo que não é necessário proceder à audição dos mesmos", lê-se no documento.

O juiz considera que está demosntrada "a existência de sério risco de fuga, de perturbação do decurso do inquérito, nomeadamente perigo para a aquisição, conservação ou veracidade da prova, de continuação da atividade criminosa e de grave perturbação da ordem e tranqauilidade públicas já evidenciadas".

Em 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, associados pela que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

O antigo oficial de ligação aos adeptos (OLA) do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, sendo acusado de autoria moral do ataque, tal como o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da Juventude Leonina Nuno Mendes, conhecido por Mustafá, os quais estão sujeitos a apresentações diárias às autoridades.

Aos 41 arguidos que participaram diretamente no ataque - três dos quais sujeitos a termo de identidade e residência - o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. Mustafá está também acusado de um crime de tráfico de droga.

Bruno de Carvalho e Mustafá foram detidos no dia 11 de novembro, um domingo, mas seriam libertados quatro dias depois por decisão do juiz Carlos Delca, que determinou o pagamento de uma caução de 70.000 euros a cada um, além das apresentações diárias.

No seguimento do ataque, nove jogadores rescindiram unilateralmente os contratos com o Sporting, e quatro deles, Daniel Podence, Gelson Martins, Ruben Ribeiro e Rafael Leão, mantêm-se em litígio com o clube.

William Carvalho e Rui Patrício acordaram os valores para a sua saída, enquanto Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o clube lisboeta, que mergulhou numa das maiores crises institucionais da sua história.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o Sporting, foi destituído em Assembleia Geral em 23 de junho e impedido de concorrer às eleições do clube de Alvalade, das quais Frederico Varandas saiu como novo presidente.

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