Paulo Futre, antigo jogador do Sporting, disse que é impossível defender o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, depois dos acontecimentos desta terça-feira na Academia do Sporting em Alcochete, que terminaram com a agressão a vários jogadores e membros da equipa técnica. "É impossível defendê-lo", sentenciou Futre em declarações à CMTV.

Futre, que fez parte da Comissão de Honra de Bruno de Carvalho nas últimas eleições do Sporting, em 2017, afirmou ainda que pensava que o presidente do Sporting iria mudar a sua atitude depois de ter sido pai novamente. "Pensava que quando ele foi pai vinha mais tranquilo, depois do que lhe tinha acontecido com os jogadores — que os jogadores enfrentaram-no –, depois de ser assobiado no Paços de Ferreira, pensei: ‘vai vir calminho, não vai fazer mais loucuras'", reconhecendo ter-se enganado.

O ex-internacional português mostrou-se ainda arrependido por uma conversa que manteve com Rui Patrício depois das críticas de Bruno de Carvalho à equipa no seguimento do jogo com o Atlético de Madrid, que os leões perderam por 2-0 e que motivou uma publicação no Facebook do presidente que tornou público o mau-estar entre atletas e direcção.

"Quando foi esta confusão com os jogadores eu falei com o Bruno e ele disse: ‘Paulo, diz que eu estou arrependido, fala com o Rui, que eu não vou fazer mais isto’. E eu sentia que ele estava arrependido. Falei com o Rui Patrício na véspera do jogo com o Atlético de Madrid cá, expliquei que o Bruno de Carvalho estava arrependido. Disse: ‘Acredita em mim, já tirou os processos, acabou com o Facebook. Ele não vai fazer mais isto’. E ele disse que ia falar com outros jogadores e fiquei com a clara sensação de que ia mesmo tudo acalmar. Depois vi a mensagem da mulher do Rui… Tenho de pedir desculpa por ter feito aquela chamada", disse Futre.

A mensagem a que o ex-jogador e comentador se refere é uma publicação feita pela mulher do guarda-redes da selecção, Vera Ribeiro, que, depois das agressões em Alcochete escreveu nas redes sociais: "Para todos aqueles que me estão a ligar... acabei de falar mesmo agora com o Rui e ele está bem. Deus não dorme ... e quem "orientou" este e outros "gestos" que ponha a mão na consciência... já foi longe de mais ... isto não è futebol muito menos actos dignos de seres humanos".

"Rui, desculpa ter feito aquela chamada", disse Futre, acrescentando: "Sinceramente pensava que o presidente do Sporting ia ser outro a partir daquele momento. Enganei-me, peço desculpa. Longe de mim que os jogadores algum dia pudessem apanhar com uma situação destas. Joguei no Marselha e no Atlético de Madrid. Até ontem dizia: nós em Portugal ladramos, lá fora mordem. Até ontem. Tinha uma série de entrevistas marcadas e cancelei tudo. Foi muito duro ver aquilo, fiquei em choque".

Paulo Futre criticou também o facto de Bruno de Carvalho não ter condenado o arremesso de tochas por parte das claques do Sporting em direcção à baliza onde estava Rui Patrício, no jogo com o Benfica, considerando ainda que no final desse jogo, o presidente do clube não deveria ter atirado a braçadeira de capitão para o chão no final da partida.

Autor: Sábado