Pedro Proença para Rui Patrício: «Preferiste fugir pela calada da noite»

Advogado e apoiante de Bruno de Carvalho escreve carta aberta ao guarda-redes

• Foto: Inês Gomes Lourenço

O advogado Pedro Proença, apoiante de Bruno de Carvalho, escreveu no Facebook uma longa carta aberta a Rui Patrício criticando a opção do guarda-redes que, depois de rescindir unilateralmente com o Sporting, acabou por assinar com o Wolverhampton.

O jogador, que deixou uma mensagem de despedida aos adeptos no Sporting nas redes sociais, é acusado por Proença de "fugir pela calada da noite", de ter pensado apenas no seu "umbigo" e de ter demonstrado "ingratidão, egoísmo, egocentrismo, materialismo e cobardia".

Proença deixa ainda uma garantia sobre os adeptos do novo clube do jogador: "Nunca te perdoarão as falhas e os erros, nunca te defenderão da 'chacota' dos frangos"

Leia a publicação na íntegra:

"CARTA ABERTA A RUI PATRÍCIO.

Caro Rui,

Li esta última tua carta, assim como já tinha lido a penúltima em que tentavas justificar a tua rescisão com o Sporting Clube de Portugal. Sim, porque a tua rescisão não foi com Bruno de Carvalho nem com qualquer elemento da anterior direção. A tua rescisão foi com o Sporting.

Mais ou menos como, e fazendo fé nas tuas palavras, se tivesses fugido da casa dos teus pais, zangado, e entendendo que já não tinhas condições para viver na mesma casa. Mais ou menos como se tivesses voltado costas ao passado que a tua família te deu, às histórias de cada canto da casa em que nasceste e cresceste, como se tivesses passado uma borracha em todos os momentos do teu crescimento em que os teus pais estiveram lá, para ti, nos bons e nos maus momentos. Nos momentos em que estiveste doente, nos momentos em que falhaste, nos momentos em que celebraste vitórias e em que sofreste derrotas. A tua família estive sempre lá. Nem sempre concordando contigo e tu nem sempre concordando com ela.
Mas esteve.

Foi tudo como se tu, e voltando a fazer fé nas tuas palavras, tivesses estado à espera do momento oportuno para bater com a porta. Em silêncio. Esperaste ser maior de idade, esperaste ter um emprego que te permitisse a independência e a estabilidade necessárias para poderes fazer face às tuas despesas… esperaste pelo momento em que já tinhas a tua mulher, os teus filhos, para evitares ficar só… esperaste um momento de fragilidade dos teus pais, talvez quando eles precisavam realmente de ti, e bateste-lhes com a porta.

Pensaste em ti, sobretudo em ti. Não pensaste nem nos teus pais que te fizeram como gente, nem nos teus irmãos que cresceram contigo na mesma casa. Não pensaste na tua família. Pensaste em ti e no teu umbigo.

E só abandonaste a casa que te viu nascer e te fez crescer no momento que entendeste.
Ainda que pudesses ter tido outras opções… escolheste a pior.

Ainda que pudesses ter conversado antes com os teus pais e explicado que, para o bem de todos, precisarias de mudar, de ter uma nova casa, ter outras pessoas a viver contigo e a partilhar contigo as vitórias e as derrotas… podias simplesmente, até num gesto de humildade e gratidão, ter pedido para sair. Não conseguias falar? Escrevias uma carta, pedias a alguém que falasse com eles por ti. Comunicavas antes a tua intenção. Tenho a certeza que os teus pais, por muito que lhes custasse, ou não fosses tu o primogénito da casa - o capitão - te deixariam ir. Seriam eles a abrir-te a porta e a deixá-la entreaberta para um dia, quem sabe, poderes voltar.

Mas não. Tu preferiste fugir, pela calada da noite, levando na mala tudo o que era teu mas também tudo o que a tua família te deu e, simplesmente, bateste com a porta. E bateste-a com tamanho estrondo que sobressaltaste toda a gente e causaste estragos quase que irreparáveis no coração de quem te fez e te criou.

Mostraste ingratidão, egoísmo, egocentrismo, materialismo e cobardia. E isso, Rui, não é de um Leão!
Talvez os adeptos da tua nova casa celebrem contigo muitas vitórias, e que bom que será se assim for. Mas podes estar certo de uma coisa: Nunca te perdoarão as falhas e os erros, nunca te defenderão da "chacota" dos frangos – lembras-te daquele anúncio publicitário infeliz?. Nunca te defenderão, não como o fez de alma e coração esta família sportinguista. A tua família, até tu nos bateres com a porta.

Felicidades e até sempre!"


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