Quinta do Mocho sai em defesa de Carlos Mané

"Jesus, o Midana tem de jogar!"

• Foto: Luís Manuel Neves

Carlos Mané soma 1.018 minutos em 4.410 possíveis, esteve em apenas 22 dos 49 jogos do Sporting e só foi titular em dez. Os números provam o ‘eclipse’ de um extremo que já foi o ‘menino dos olhos’ de... Jorge Jesus.

Pode andar ‘esquecido’ das contas do treinador, mas não deixa de ser o maior... lá da rua. Nascido e criado na Quinta do Mocho, bairro problemático do concelho de Loures, às portas de Sacavém, Mané é expoente máximo para miúdos e graúdos. Todos o têm como exemplo de quem soube subir a pulso, nunca esquecendo ao que foi nem de onde veio.

Do cimento à Champions

Mané abriu ontem as portas da Quinta do Mocho, bairro social outrora impenetrável, hoje cada vez mais sociável. O extremo apadrinhou uma ação solidária junto dos seus, em comunhão com o ‘Projeto Esperança’.

"Que o Jesus me ouça: queremos ver este rapaz jogar futebol, que é o que de melhor ele sabe fazer". O ‘pedido’ é de Lurdes Gonçalves, presidente da direcção do ‘Start.social’, a promotora do ‘Projeto Esperança’, grande impulsionador da recuperação da Quinta do Mocho, hoje urbanização ‘Terraços da Ponte; o ‘menino’, esse, é Carlos Mané, ‘Midana’ para quem o conhece desde os primeiros passos. Ali, em pleno rinque, no cimento áspero onde deu os primeiros pontapés, os tais que o levariam, anos mais tarde, à Liga dos Campeões, Mané reviveu episódios marcantes. "Foi aqui que tudo começou...", vincou, de microfone em punho, depois de ter sido protagonista de uma animada ‘peladinha’, mesmo que por breves minutos.

Perdeu-se... um guarda-redes...

"Estou orgulhoso por poder estar aqui a dar-vos dicas", continuou, tímido e emocionado. "Tudo começou neste campo, com os meus amigos e a jogar à baliza..." Sim, Mané foi guarda-redes até ao dia em que lhe mudaram a vida. "Um dia, estava aqui o meu tio a ver-nos jogar e mandou-me ir prà frente. Uns tempos depois, fui treinar ao Sporting e fiquei. Em 60 miúdos, ficaram dois! Eu e um colega". Dali à equipa principal foi um instante. Pelo meio, medalha de prata no Europeu sub-21, Taça de Portugal e Supertaça. O segredo? Tudo o que a Quinta lhe ensinou. "O bairro fica para a vida. Aqui cresci como homem. Gosto de cá vir ver os amigos que me apoiam sempre. Nunca desistam dos vossos sonhos e não se esqueçam da escola! Temos de dar sempre o máximo para sermos jogadores, professores, o que for", reforçou.

Ganhou-se um exemplo

"O Midana é especial para nós. É um exemplo para estas crianças", confessa, a Record, Hamessaline Silva, 38 anos, coordenador do ‘Projeto Esperança’, psicólogo de formação, também ele nado e criado na Quinta. Precisamente o mesmo bairro que deu ao Mundo Iero Djau, 31 anos, monitor e treinador dos meninos da Quinta do Mocho. Também ele viu o Midana crescer. "Tem a mesma humildade de quando jogava à baliza connosco. Está igual, nunca esquece de onde veio, nem dos amigos", assegura, orgulhoso por ver no que Carlos Mané se tornou.

Por António Adão Farias
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