Silas e a "valentia" de apostar em jovens: «Se não corresponderem não podemos tirá-los logo»

Treinador do Sporting fala também da "ajuda fantástica de Leonel Pontes"

• Foto: Sporting CP

Análise à atual formação do Sporting: A grande diferença que há em relação ao meu tempo é o futebol de rua que se perdeu. Os treinadores estão mais preparados e é mais natural que estejam, mas os jogadores a nível técnico perderam, estão preparados a nível tático e no conhecimento do jogo, mas aquilo que eu acho que é mais importante que é a parte técnica estão menos preparados. Havia muito melhores jogadores a nível técnico na minha altura e ainda alguns anos depois, mas agora vai-se perdendo pois os jovens não têm a possibilidade de jogar na rua, de driblar 4 ou 5 se quiserem, e é preciso olhar para a formação nesse aspeto, e é preciso encontrar um espaço mesmo no treino onde os jovens possam driblar as vezes que quiserem. Há clubes que fazem, o Sporting é um deles pois acompanho muito a formação pois tenho dois filhos a jogar, e já vi alguns treinos da formação do Sporting: até uma certa idade dão muita criatividade. Se formos à Holanda vemos que dão essa liberdade aos jovens e fazem-nos jogar em vários pisos, na praia, nos parques de estacionamento, em campos normais, sintéticos, e isso é muito importante porque conseguem adquirir e absorver muita coisa até aos 10-12 anos, depois começa a ser mais difícil, sobretudo a nível técnico. É a partir daí que as pessoas se devem preocupar mais com a parte tática, até lá é deixá-los evoluir e driblar. Noto muito que precisamos que um jogador drible dois ou três e ele não adquiriu isso vai ser difícil. A parte técnica resolve muitos problemas, eu posso estar mal posicionado, mas se a bola me chegar e eu conseguir driblar dois ou três jogadores ganho uma vantagem enorme. A formação tem de pensar muito nisso também, os treinadores estão muito bem preparados, mas muitos deles querem ser mais treinadores do que devem… É preciso deixar os jovens jogar à vontade até uma certa idade e, a partir daí, meter mais cunho pessoal no sentido tático e ainda pecamos muito a nível de formação.

Aposta na formação é o caminho: Tem que ser valente e acreditar que se pode apostar em jovens jogadores, mas é preciso tempo e paciência para os ensinar. Nenhum jogador com 18/19/20 anos sabe tudo, não teve tempo de aprender tudo, é impossível! Mesmo jogadores com 30 têm muito para aprender, é preciso paciência e gosto, e isso é muito importante num treinador. Depois não podemos ter medo de metê-los. É preciso prepará-los para a oportunidade e depois apostar neles. Posso falar sobre isso à vontade pois alguém apostou em mim, e se não me tivesse dado a oportunidade nem estaria aqui, tinha seguido outra coisa, e como me deram a oportunidade acho que eles também merecem essa oportunidade. Se eles não corresponderem não podemos tirá-los logo, é preciso continuar a trabalhar e dar outra oportunidade, isso é muito importante, o pior que pode acontecer é dar a oportunidade a um jovem, ele não corresponder logo e não voltar a dar-lhe, isso não é dar uma oportunidade, é jogar à sorte. Oportunidade é apostar e se ele não corresponder ver onde falhou e voltar a dar uma hipótese, no meu ponto de vista mandá-lo lá para dentro e esperar que corresponda não é uma oportunidade.

Análise aos sub-23? Hoje em dia os treinadores estão muito bem trabalhados, há ideias táticas muito boas. No caso dos sub-23 que é a equipa que está mais próxima da nossa há ideias muito boas a nível tático, mas olhando aos jogadores acho que há muitos deles que ainda podem melhorar a nível técnico. Já a nível tático têm de adaptar-se às minhas ideias. Eu gostei muito daquilo que vi e, nestas últimas duas semanas, tivemos sempre 8 ou 9 jogadores dos sub-23 connosco. Temos tido uma ajuda fantástica do Leonel que está sempre em contacto connosco, é alguém com quem mantemos uma relação muito boa. Ele ajuda-nos muito, o Emanuel Ferro que também tinha um grande conhecimento, também é uma ajuda muito grande e, nesse sentido, tenho uma vantagem grande pois conhecem-nos melhor que eu e estão sempre a dizer-me este é isto, este é aquilo. Nesse sentido é bom para mim e para os jovens pois quando eles vêm treinar comigo já os conheço, não em profundidade, mas já conheço muito daquilo que podem fazer ou não. Estou a lembrar-me de um que é extremo e eles me disseram que também já jogou a lateral, o Leide. Temos ali outros jogadores que fazem outras posições, e se eu estivesse a chegar agora não sabia, assim são chamados. Adoro jogadores que possam fazer várias posições pois como nós mudamos muito o sistema, a maneira de marcar é diferente, e se tivermos jogadores com essas características… Estou a lembrar-me do Miguel Luís que jogou contra o LASK a lateral direito e jogou muito bem, correspondeu muito bem, e se precisar um dia vai jogar ali pois há certos movimentos que o lateral tem de fazer como se fosse um médio, e o Miguel pode fazer isso perfeitamente. Sei que vou ter de trabalhar o Miguel pois já tive a idade dele e havia posições que não gostava de jogar, e com idade aprendi a desfrutar de todas, mas eu percebo que o Miguel tenha alguma resistência, não é que tenha visto algum sinal dele, mas sei que poderá vir a ter alguma resistência a jogar ali, mas se ele é bom e pode fazer. Estou a falar do Miguel como um exemplo, e se eles tiverem essa abertura vão ter muito mais oportunidades pois vão jogar em vários sistemas e isso é muito importante e é o futuro do futebol, mudar de sistema de jogo para jogo, e até no próprio jogo. Ter jogadores como o Miguel e o Neto que também fez isso, uma posição diferente, e nós damos muito valor a isso. O Neto foi substituído, não porque estivesse a jogar mal, muito pelo contrário, dos três era o que estava melhor, mas quisemos fazer coisas diferentes, e optámos por ele em função das características do adversário. O Miguel e o Neto estavam a ser dos melhores, e um dia mais tarde vamos utilizá-los novamente ali, mas já com mais trabalho da nossa parte que não tivemos nesse jogo com o LASK, nós gostamos de jogadores de mente aberta que não se agarrem a uma posição, um sistema ou um movimento. A minha ideia de jogo tem muito a ver com isso, muita diversidade da forma como atacamos, na maneira como defendemos e pressionamos pois não jogamos sozinhos e temos de adaptar-nos muitas vezes ao adversário, e preferimos jogadores que possam fazer várias posições. Nesse aspeto e ajuda do Leonel é muito boa.

Por João Soares Ribeiro
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  • Sporting CP
    -
    Vit. Guimarães
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    4.45
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