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Sporting-Benfica, 2-1: Matador na hora certa ao fim de tantos atrasos

LEÕES POUCO INSPIRADOS BATEM RIVAIS MUITO ENCOLHIDOS

Num "derby" que respeitou a história, conferindo a si próprio a solenidade dos momentos que fazem parar o País, os maiores rivais do desporto português participaram na grande cerimónia à medida das suas possibilidades actuais - não foi muito, mas é o que se pode arranjar. Ganhou o Sporting porque, apesar de tudo, quis ter a bola e jogar; porque mesmo nas situações mais delicadas que encontrou na hora e meia (a mais significativa das quais passar 40' com menos uma unidade), nunca perdeu de vista a baliza adversária e a noção de como lá chegar; ganhou porque foi, afinal, a equipa que entrou em campo com os olhos postos na vitória.

A diferença fundamental entre uns e outros residiu precisamente na forma como encararam a desinspiração: os leões souberam conviver com ela mas combateram-na em permanência; as águias entenderam-na como parte de um plano arrojado, em que quase tudo servia para adormecer o jogo e definir o meio campo como palco de todas as acções. O pano de fundo do derby, traçado desde o apito inicial de Duarte Gomes, resumiu-se ao embate entre uma equipa que não jogou bem e outra que o fez para, com base na posse de bola, não permitir que o jogo aquecesse. O espectáculo futebolístico, perante este cenário, tinha de ser pobre e desinteressante.

Vendaval

No papel, Trapattoni foi mais ousado do que se previa em função dos treinos durante a semana, ao colocar Bruno Aguiar em vez de Paulo Almeida. Atrás, o Benfica envolveu os quatro defesas na marcação aos dois avançados sportinguistas, encaixando os médios de zona central no perigoso trio leonino - Petit com Rochemback; Bruno Aguiar com Hugo Viana; Manuel Fernandes nos terrenos de Carlos Martins. Ao Sporting sobrou sempre Custódio, porque Nuno Gomes caiu na zona dos centrais, enquanto as faixas laterais eram questão a ser resolvida pelos pares Rogério-Simão, Rui Jorge-Geovanni.

José Peseiro viu sempre a sua equipa mais empenhada em combater a inércia e a procurar soluções combinadas para ultrapassar casos de individualidades com menor fulgor. A isso responderam os encarnados com segurança processual nas marcações e no modo como preparavam a saída para o contra-ataque. Foi então, nessa rototina a pedir por um rasgo capaz de a quebrar, que surgiu o vendaval determinante que salvou o essencial da partida: dois golos em quatro minutos e uma expulsão. De aparente condenado à derrota, o Benfica transformou-se num sério candidato a ganhar.

Gestão

Peseiro procurou reorganizar a equipa com Paíto no lugar de Douala. O Sporting, que sentiu de forma evidente a diferença de estar a jogar com menos uma unidade, ocupou o espaço de forma racional, combateu a urgência de atacar com muita paciência nas marcações e respondeu às ténues ameaças adversárias com muita segurança.

O Benfica não soube interpretar aquilo que o jogo lhe proporcionou. Por um lado, o antagonista tornou-se menos ambicioso e mais racional; por outro, os seus jogadores da intermediária (Petit e, principalmente, Manuel Fernandes) conseguiram exercer superioridade na zona de comando. Em vez de saltar em busca da vitória, o Benfica entendeu a situação como forma mais simples de garantir o domínio das operações. E escusado será dizer que toda essa manobra foi acompanhada pelo pensamento de que o empate seria um bom resultado.

A tempo

Quando Alcides foi expulso, aos 67', por falta grosseira, tal como Rui Jorge fora meia hora antes, ficaram lançados os dados para a ponta final. Dois minutos depois, o Sporting fez o segundo golo, de novo por Liedson que, cansado de tantos atrasos, quis mostrar que chegou a tempo de decidir o "derby".

Entre a espada e a parede, o Benfica foi obrigado a alterar o plano de passividade que por pouco não lhe garantia o resultado desejado. E, em desespero, procurou atacar com todas as armas. Era tarde para fazer em desespero o que podia ter sido feito com cabeça e em situação favorável.

Árbitro

Duarte Gomes (4). Lances polémicos à parte (ainda que, vistos de uma só vez, nos pareça ter ajuizado bem), conduziu o jogo com critério e autoridade. Num ambiente escaldante saiu ileso no essencial, com nota elevada no acerto e na convicção com que decidiu. Os amarelos por palavras e o perdão por entradas mais duras não é problema dele. É uma cruz de todos nós.
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