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Sporting-Leixões, 5-1: Vitória tranquila com futebol total

CRÓNICA

Sporting-Leixões, 5-1: Vitória tranquila com futebol total
Sporting-Leixões, 5-1: Vitória tranquila com futebol total • Foto: Pedro Sá da Bandeira
Cinco golos e uma exibição muito melhor do que a feita na final da Taça de Portugal frente a este mesmo Leixões valeram ao Sporting a posse do primeiro troféu oficial da temporada, a Supertaça Cândido de Oliveira.

Mesmo sem Jardel, salvador da nação sportinguista no Jamor há três meses, os leões conseguiram uma vitória tranquila e desenhada a partir de argumentos que na época passada não se lhes conheciam: colectivismo e velocidade em vez de finalização clínica, detalhes no lugar da continuidade.

E, apesar de ver a vida facilitada pelo menor estatuto do Leixões, equipa de dois escalões abaixo mas que escolheu sempre uma aproximação positiva ao jogo, o Sporting até se deu ao luxo de experimentar um simulacro de futebol total na última meia hora da partida, com troca constante de posições entre todos os jogadores. Mas aí já dava para tudo.

Os 5-1 do score final não pareciam, contudo, admissíveis a quem tivesse visto a primeira parte. Aí, era do Leixões o meio-campo: Bölöni escalonou a equipa num 4x4x2 que, dada a propensão ofensiva dos alas, Quaresma e Toñito, era mais um 4x2x4 com Kutuzov e Niculae a pontas-de-lança, o que levou a que Paulo Bento e Ricardo Fernandes se tenham visto muitas vezes em clara inferioridade face ao triângulo que Carvalhal tinha no meio (Guerra, China e Abílio).

O Leixões controlava a partida, ditava o ritmo de jogo e, embora com melhores executantes, o Sporting não se impunha. Valiam aos leões o acerto da sua defesa e o facto de, com Israel a juntar-se a Sérgio e Nuno Silva no centro da defesa para uma linha recuada de cinco homens, a equipa de Matosinhos raramente se mostrar capaz de chegar com perigo à frente.

A atestar esta realidade está o facto de o Leixões ter feito o seu primeiro remate aos 51 minutos.

O Sporting também não rematava muito: só duas tentativas na primeira meia hora. A manta de Carvalhal não chegava para tudo e o jogo foi-se mantendo equilibrado, num impasse que só um pormenor de classe podia desfazer. Foi o que sucedeu num livre de Ricardo Fernandes, aos 31’, a valer o 1-0. E podia ter-se repetido a história mesmo no final da primeira parte, quando Toñito partiu José António e este o rasteirou,
provocando “penalty” e acabando expulso por acumulação de amarelos.

Ricardo Fernandes atirou o “penalty” ao poste e, dois minutos depois, a expulsão de Beto assegurou que haveria jogo na segunda parte. Por pouco tempo. É que, a abrir, Quaresma ofereceu o 2-0 a Niculae e o vencedor foi encontrado.

Até final, a história do jogo foi, fundamentalmente, a dos golos, restando a curiosidade de ver como as equipas se arrumavam num interessante exercício táctico de dez contra dez. O Leixões ultrapassou a questão da expulsão de José António passando Israel para a direita da defesa e assumindo o risco de jogar em quatro contra quatro atrás; o Sporting começou por jogar em 3x2x4, com Contreras livre e Prates e Hugo a marcar, os dois “pivots” no meio e os mesmos quatro avançados do início.

O jogo abriu e surgiram os golos, quase todos extraordinários. Com as substituições, contudo, Bölöni evoluiu para um 3x3x3 que via Carlos Martins auxiliar os médios e Kutuzov e Danny abertos nas alas, com Toñito a ponta-de-lança. Um sistema com trocas constantes de posições que, seguramente, com uma vantagem menos dilatada e um adversário mais forte, o Sporting teria enormes dificuldades em por em prática.

Tecnicamente irrepreensível, a arbitragem de João Ferreira foi disciplinarmente desastrosa. Se os 14 cartões mostrados (para 36 faltas) são resultado das mais recentes instruções dadas aos árbitros, não se iludam: há que substituir os instrutores.
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