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Também foi falso alarme o bom futebol dos leões

ALVERCA IMPÕE AO SPORTING A PRIMEIRA DERROTA DA ÉPOCA, PARA CONSUMO INTERNO

Também foi falso alarme o bom futebol dos leões
Também foi falso alarme o bom futebol dos leões

O SPORTING caiu em Alverca, sem apelo nem agravo, frente a uma equipa que, para bater os leões, nem teve de realizar uma exibição de grande nível. Num estádio que já começa a ser local de culto para os anti-sportinguistas (os de Alvalade têm, em Alverca, uma taxa de insucesso de cem por cento e este ano nem podem queixar-se da inspiração de Nandinho...), o conjunto de Augusto Inácio realizou uma exibição desigual, de mais para menos, que obriga o técnico leonino a olhar para dentro à procura das explicações para a derrota.

Sintetizando a história do encontro, poder-se-á dizer que o Sporting teve meia hora de qualidade, outra meia de desmembramento e trinta minutos finais de aflição.

Na melhor fase fez o golo e mandou no jogo; a seguir desbaratou o comando da partida e alinhou na vulgaridade; finalmente perdeu a cabeça e a expulsão de Pedro Barbosa fica como emblema da desgraça leonina de ontem, em Alverca.

De facto, poucas atenuantes podem ser encontradas para deitar alguma “água benta” na atitude do capitão do Sporting. Já tinha um cartão amarelo (escapara ao segundo devido à atitude contemporizadora adoptada por Vítor Pereira aos 53 minutos) e foi protestar com o árbitro num lance inofensivo, aos 68 minutos, deixando a sua equipa numa dramática inferioridade numérica que, muito provavelmente, lhe custou a derrota.

ENTRADA DE LEÃO

O Sporting entrou bem na partida. Com uma frente de ataque de costa a costa - Hanuch na direita, De Franceschi na esquerda e Beto Acosta no meio, com o apoio, nas costas, de Pedro Barbosa - os leões lançaram o perigo no último reduto do Alverca e cedo chegaram ao golo. A equipa de Inácio construía um futebol agradável, enleava o adversário a meio-campo parecia arrancar para uma vitória folgada.

No Alverca, os centrais mostravam dificuldade em parar Acosta, Diogo tinha de recuar para minimizar danos e o “playmaker” Milinkovic não se mostrava. Até à meia hora o Sporting mandou a seu bel-prazer no encontro. Chegou, porém, o minuto 32, que marcou a primeira reviravolta na partida. Uma jogada de Caju pela direita, culminada com um centro atrasado para um duplo falhanço de Anderson, serviu de despertador à turma de José Romão. O bom jogo dos leões despedia-se do público nesse momento. Até ao intervalo só uma boa iniciativa de De Franceschi, aproveitada por Acosta para rematar para defesa difícil de Ovchinnikov, merece destaque. No mais, a imagem que melhor se adequa aos minutos finais da primeira parte é a de um daqueles jogos de miúdos nos pátios das escolas, com grandes correrias e tudo atrás da bola, sem rei nem roque.

SAÍDA DE DENDEIRO

Na segunda parte, Inácio deixou De Franceschi na cabina (seria cansaço?) e fez entrar Krpan. Não ganhou com a troca. O mesmo não pode dizer-se de José Romão, que acertou em cheio com a chamada de Rui Borges em detrimento de Milinkovic. O substituto, além do golo do empate que marcou, mexeu a equipa como o bósnio não fora capaz de fazer. Imediatamente antes do “um a um”, Inácio refrescou o ataque (Hanuch por Ayew) mas os deuses estavam de costas voltadas para o treinador do Sporting, que viu logo a seguir a sua defesa “meter água” e dar espaço para o remate certeiro de Rui Borges.

Estavam jogados 62 minutos. Aos 68, Pedro Barbosa foi expulso nas condições já referidas. O Sporting desunia-se e passava por momentos de aflição. Qual “amigo da onça” Romão tratava de “meter o dedo na ferida”, lançando o buliçoso Filipe Azevedo (72). Cinco minutos volvidos Anderson, a passe de Caju, isolava-se e batia Schmeichel pela segunda vez. Logo a seguir Delfim, o mais lúcido dos leões, lesionava-se (com uma gravidade que os exames a realizar hoje poderão clarificar) e o que era difícil para os de Alvalade passava a ser... impossível.

Imagem do desespero final da equipa do Sporting foram as duas subidas de Peter Schmeichel à área do Alverca, já em período de descontos, na tentativa de empatar o jogo em lances de bola parada. De nada valeriam. O Sporting, que começou tão bem o jogo, terminava a partida entregue aos fantasmas que Inácio, durante os encontros com o Viking e o Boavista, conseguira exorcizar.

O Alverca, sem ter realizado um jogo por aí além, acabou por ser um justo vencedor. Ultrapassou a crise inicial, abanou mas não caiu, recompôs-se e terminou bem organizado na defesa de três preciosos pontos.

Vítor Pereira teve um jogo complicado para dirigir. Esteve bem nos cartões a Pedro Barbosa, podia ter inclusivamente, mandado o capitão leonino para o banho logo aos 53 minutos, na sua primeira grande imprudência, ao não deixar marcar um livre. A nota é, pois, positiva.

JOSÉ MANUEL DELGADO

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