Varandas: «Maior vitória não é financeira mas sim a demonstração da união dos sportinguistas»

Presidente agradece empenho de todos no empréstimo obrigacionista

• Foto: Lusa

Frederico Varandas agradeceu o empenho de todos os que contribuíram para a realização do empréstimo obrigacionista do Sporting. O presidente dos leões salientou as dificuldades do processo, mas realçou a demonstração de união que houve em torno desta causa.

Situação difícil

"Herdámos esta situação. Tivemos de resolver o que os outros não conseguiram. Não tivemos mais de um mês e meio, significou auditar as contas do último trimestre, negociar com os bancos e CMVM. Não tivemos direito - como outros tiveram – a um empréstimo intercalar, nem os bancos a quererem comercializar as nossas ações. Não houve nenhum sindicato bancário a resolver os problemas que vinham de trás. Nestes meses tivemos sim ruído, muito ruído. Tivemos referências caluniosas sobre insolvência e falência da SAD, boicotes, detenções, processos, constantemente o nome do Sporting na comunicação social pelos piores motivos. Tudo o que podia gerar insegurança e instabilidade, tudo o que podia prejudicar e abortar este empréstimo obrigacionista. Resistimos a tudo, superámos tudo."

Agradecimento aos adeptos

"Houve investidores reputados que acreditaram em nós. Acreditaram na marca Sporting. O verdadeiro sindicato bancário deste empréstimo obrigacionista foi o Sporting, a sua massa adepta e associativa. Vivemos num país em que muitos vivem com dificuldades e em que o dinheiro não abunda para a maioria. O Sporting é um clube de massas, popular, e sabemos bem o que custam as provas de dedicação e amor que muitos fazem ao clube. Também sabemos e reconhecemos quanto pagam os sócios por quotas, bilhetes, gamebox, viagens, produtos Sporting, e sabemos o peso disso nos orçamentos familiares. Temos essa consciência social. E para além deste esforço que estes adeptos fazem durante o ano, participarem num empréstimo como este teria de ser um esforço extraordinário. Foi de facto um feito extraordinário que aconteceu. Este foi o sexto empréstimo obrigacionista. Foi um empréstimo onde mais subscritores participaram. Onde houve mais pessoas a participar com pouco e isso é muito relevante para nós. Por isso, e não como presidente mas como sportinguista, sócio, quero manifestar a minha gratidão e admiração pelos familiares que investiram que se mobilizaram, que passaram a palavra, que não desistiram e  que sempre acreditaram no Sporting. Queria também agradecer aos que quiseram mas não tinham capacidade para participar. Desde segunda-feira tivemos várias pessoas a deslocarem-se aqui ao estádio para doarem 100 euros, porque tinham visto o apelo desta direção, mas chegavam ao banco e esses 100 euros ao fim dos três anos, com brutais comissões, perdiam dinheiro. Então vieram aqui. Jamais esquecerei esta semana. Jamais."

Empenho dos colaboradores

"Queria agradecer o papel decisivo de varias pessoas que serviram o clube, atletas, dirigentes, treinadores que disseram presente. Agradecer a todos os funcionários do Sporting que não encararam isto como um trabalho, mas uma missão. A prova de maior gratidão que tive foi ontem quando conhecemos os resultados finais, saí do escritório e todos estes sorriam e diziam ‘conseguimos’. Este é o tempo verbal correto. Conseguimos. Não foi o presidente, não foi a direção, fomos todos nós. Orgulho-me de dizer que a máquina Sporting é só uma. Não existe mais o Sporting do futebol, das modalidades, os funcionários do clube e da SAD. Não tenham dúvidas de uma coisa: a maior vitória não é financeira, mas a demonstração da união e compromisso dos verdadeiros sportinguistas. Esta é que é a vitória. Estamos aqui desde 1906, somos o Sporting Clube de Portugal, estamos cá pra durar, este é o nosso clube. Será sempre o clube dos sócios, dos nossos avós, dos nossos pais, dos nossos filhos, netos, bisnetos e dos que vierem a seguir."

Sempre em crescendo

"A CMVM preparou-nos para entrar em default. Mas aí disse: não vamos falhar. A partir daí, jamais esquecerei. Já senti muitas provas de amor pelo Sporting, mas esta foi uma tremenda. Criámos uma máquina durante sete dias, dia e noite. Pessoas conhecidas, emigrantes, África do Sul, Venezuela, Brasil, Angola… Normalmente às 48 horas está todo o empréstimo praticamente subscrito. E os dias mais fortes foram, em crescendo, segunda, terça, quarta e quinta. Se tivéssemos continuado, ia continuar. Por isso, a experiência foi surreal."

Por Luís Miroto Simões
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