Cláudio Ramos: «No coração? Tondela e V. Guimarães»

Guardião lembra os clubes que o marcaram

• Foto: Nuno André Ferreira
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RECORD - Nos últimos tempos tem-se falado de um possível regresso ao V. Guimarães. Gostava de voltar?

CLÁUDIO RAMOS – Fico contente por ver o meu nome associado a clubes de outras dimensões, patamares. Toda a gente sabe que os clubes do meu coração são o Tondela e o V. Guimarães. Foram os dois clubes que me deram as condições para trabalhar. O Vitória na minha formação, enquanto jovem, e no Tondela estou a afirmar-me. São os dois clubes do meu coração. Para mim o V. Guimarães vem logo depois dos três grandes, em Portugal. É sempre bom e é um grande clube que luta por outros objetivos.

R - Quando saiu de casa, aos 14 anos, para ir para Guimarães, foi um momento complicado?

CR – Não foi fácil, confesso. Muitos pais queixam-se de que os filhos vão para a faculdade com 17/18 anos e eu, por exemplo, saí de casa com 14. Não estava habituado, porque tinha a minha realidade familiar e sair da zona de conforto para ir para uma cidade diferente com apenas 14 anos, foi complicado. Ainda somos muito miúdos com essa idade, o que nos obriga a crescer muito mais rápido. Tornei-me homem mais cedo, porque fui obrigado a isso. Foi bom para mim ir para lá com essa idade.

R - Quando chegou ao Tondela emprestado pelo V. Guimarães pensou que passados oito anos ainda estaria aqui?

CR – No 2º ano de empréstimo vim para aqui. Nunca pensei ficar cá os anos todos em que já cá estou. Pensava que era mais um ano de passagem, fazer uma boa época e voltar a Guimarães, ao Vitória. Não aconteceu e até posso dizer ‘ainda bem’, porque não sei o que iria acontecer. Fiquei aqui, consegui subir de divisão outra vez, fomos campeões da 2ª Liga e viemos para a 1ª. Subi duas vezes aqui. Tenho feito o percurso que fiz e estou muito orgulhoso disso..

R - O que representa para si estar tantos anos no Tondela?

CR - É muito bom. Acho que já faço parte da história do clube. São já 202 jogos, estou na oitava época. Já tive muitas alegrias, algumas tristezas, como é óbvio, porque não é tudo um mar de rosas. É muito importante ter o carinho dos adeptos. Ainda mais eu, que sou desta região, e poder fazer história num clube do interior e que é a minha zona é muito bom. Ser acarinhado pelos adeptos dá-nos muita força para conseguirmos estar dentro de campo ao mais alto nível.

R - Mas no futebol português não é normal um jogador estar tanto tempo no mesmo clube…

CR - Em Portugal não é normal. Há casos raros e eu sou um deles. Fico contente por fazer parte da história deste clube.

R - Já tem o símbolo do Tondela tatuado?

CR - [Risos] Não, não tenho tatuagens.

R - O Tondela tem crescido nos últimos anos. Como tem acompanhado esse crescimento?

CR - É um clube que cresce de ano para ano. Quando cheguei tínhamos uma rouparia pequenina, um posto médico pequenino e uns balneários pequeninos. Agora vamos lá dentro e está tudo diferente, com todas as condições. Temos dois campos relvados que na altura também não tínhamos. Nos últimos anos o clube sempre teve os ordenados em dia. A nossa única preocupação é jogar futebol.

«Rui Patrício é o melhor português»

R - É o melhor guarda-redes a atuar em Portugal?

CR – É muito forte dizer isso. Não posso dizer isso assim. Para mim sou, mas não posso dizer isso assim. É complicado dizer dessa forma.

R - Patrício é o melhor guarda-redes português e o justo titular da baliza da Seleção?

CR – Sem qualquer dúvida. O Rui é o melhor guarda-redes português por tudo o que tem feito. Pelo grande Europeu que fez, também esteve muito bem no Mundial e por tudo o que fez no Sporting, onde fez uma história muito bonita. É o melhor guarda-redes português.

Tragédia dos incêndios uniu a região

R - Em 2017 viveram aqui momentos complicados com os incêndios. Como relembra esses momentos?

CR – Quando demos conta, estava tudo a arder. Houve muita gente, muitos amigos nossos, muitos familiares de amigos que perderam casas, terrenos, tudo e mais alguma coisa. Depois tivemos o jogo com o Belenenses e ganhámos esse jogo e essa foi a maior alegria que podíamos ter dado às pessoas. O míster ainda andou a ajudar e muitos colegas meus também. Mesmo durante a semana andaram a recolher alimentos para dar às pessoas, roupa e essas coisas. Isso mexeu connosco e deu-nos mais força ainda para encarar esse jogo.

R - Esse momento acabou por unir a equipa...

CR – Nessa semana unimo-nos ainda mais e talvez daí tenha vindo a razão para a época que fizemos. Estávamos mesmo muito unidos.

Por André Ferreira
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