Philipe Sampaio: «Representar a seleção do Brasil é um sonho»

Central respondeu às perguntas dos adeptos e revelou as suas origens humildes

• Foto: Filipe Farinha

O central Philipe Sampaio disponibilizou-se para responder a algumas perguntas de adeptos e o resultado foi uma retrospetiva à carreira, com o brasileiro, de 25 anos, não só a revelar a ser oriundo de uma condição social desfavorável, como o peso que um projeto social teve na sua vida e carreira.

Testemunho na primeira pessoa sobre as origens, dificuldades e objetivos, mas também os motivos que o levaram a assinar pelo Tondela, bem como o sonho de um dia vestir a camisola da seleção brasileira.

Qual foi o jogo que mais o marcou?

Jogar contra os grandes tem sempre um sabor especial, mas o jogo que mais me marcou foi contra o Portimonense. Marquei e acabamos por vencer. Era um jogo decisivo por ser frente a um adversário direto e foi o que mais me marcou esta época.

O que é o projeto Raposo Tavares?

Venho de uma comunidade pequena. Uma favela em São Paulo e através desse projeto social dei os primeiros passos no futebol. Acabei por vir para Portugal e estive três anos no Boavista, onde, no final, fui transferido para a Rússia. Este é um projeto social onde o objetivo é salvar vidas de crianças carentes e sem condições de jogar numa escola de futebol.  Quando vim para a Europa falei com o meu primeiro professor na Raposo Tavares e disse-lhe que queria contribuir e ajudar para dar continuidade ao projeto. O objetivo não é fazer jogadores, mas sim cidadãos. Pessoas corretas porque o Brasil é um país difícil.

O que é que seria se não fosse jogador?

Acho que dei tudo para ser jogador de futebol, caso contrário seria o destino a decidir. Talvez estudasse, mas não me vejo longe do futebol.

Qual é a razão para ter o número 94 na camisola?

Foi porque não tinha grandes alternativas à minha disposição e também um pouco de marketing da minha parte. Quando cheguei a Portugal, em 2013/14, um dirigente do Boavista disse que eu precisava de decidir qual era o número que pretendia. Acontece que os habituais números dos centrais estavam todos ocupados e lembrei-me do ano do meu nascimento. A ideia era, se conseguisse chamar a atenção as pessoas iam falar do porquê do número, daí a razão.

Quem é o jogador que o impressionou mais a nível físico?

Chegou um grandalhão ao Tondela, o Ronan, que é incrível. É o mais bicho que já vi no campeonato. Temos outros no balneário, mas o Ronan é o que eu marco como um bichão.

Como te sentes em ser um dos melhores centrais do campeonato?

Há bastantes centrais brasileiros em Portugal. Trabalho dia a dia para melhorar. Sei das minhas limitações, sei quais são os meus pontos fortes e estou a batalhar para estar entre os melhores.

Qual é o motivo da escolha do Tondela?

Já me tinham procurado antes. Mostraram interesse ainda antes do final do campeonato e isso deixou-me confortável. Foi uma decisão minha e a vontade do clube. A minha mulher também estava grávida e o objetivo era um clube que me proporcionasse estabilidade e fosse acolhedor.

Qual é a sua principal característica?

Aguerrido. Forte nos duelos aéreos. Tento estar sempre no limite.

Gostava de representar a seleção brasileira?

É muito difícil. O Brasil é o país do futebol e tem talentos de elevado nível. É um sonho meu, mas para viver esse sonho temos que viver primeiro um dia após o outro. Trabalhar pouco a pouco e talvez esse futuro fique mais próximo.

Aceitaria representar Portugal?

Portugal é um país acolhedor. Deu-me tudo. Foi aqui que dei os primeiros passos como profissional. Pode ser uma decisão a pensar, mas o meu sonho é o Brasil.

Como avalia o nosso campeonato?

Portugal tem a 5ª melhor liga do mundo. É um campeonato vendedor com saídas por milhões de euros e repleta de jogadores com rápida adaptação às circunstâncias. Quem consegue jogar aqui, joga em qualquer lado. O exemplo mais recente é o Bruno Fernandes, que passou do Sporting para o Manchester United e chegou lá e está a jogar. Portugal é muito forte a nível tático. É muito difícil ganhar às equipas menores e frente aos grandes é o jogo das nossas vidas.

Qual foi o clube que mais gostou de representar?

Tem alguns clubes especiais. O Santos e o São Paulo na formação e o Boavista. Passei três anos no Bessa e realizei perto de 80 jogos.  É um clube que me acolheu num momento jovem e que marcou a minha trajetória.

Como está a ser a experiência no Tondela?

O Tondela tem-me surpreendido cada vez mais.  De fora não tinha bem noção de como era, agora posso dizer que é um clube pequeno, mas que cumpre com tudo e onde não falta nada.  Está procura de todas dimensões para crescer e sei que vão conseguir a estabilidade pretendida e poder fazer grandes vendas.

Por Pedro Malacó
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