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Benfica até prometeu muito mas o V. Guimarães é que cumpriu

PRIMEIRA PARTE DE GRANDE NÍVEL COMPETITIVO E QUALITATIVO, NÃO TEM SEQUÊNCIA APÓS O INTERVALO

Benfica até prometeu muito mas o V. Guimarães é que cumpriu
Benfica até prometeu muito mas o V. Guimarães é que cumpriu

NA jornada 15, o futebol português desejou um bom Natal aos adeptos. Foi uma ronda (que só termina segunda-feira, nas Antas) de grandes jogos e muitos golos. Para não destoar, a partida de Guimarães também entrou nesse patamar. Com efeito, o V. Guimarães-Benfica foi um jogo de grande intensidade, disputado em grande velocidade e com incerteza no resultado até final. Venceram, e bem, os minhotos, mas foi o Benfica quem surpreendeu mais, em especial na primeira parte. A análise final, contudo, leva-nos a ter de escrever que o Benfica apenas prometeu muito, com 20 minutos de grande qualidade. Não se deu pela falta de João Pinto, Calado e Ronaldo. E com um golo madrugador (3), a equipa encheu-se de confiança e deu um "banho de bola" na formação de Quinito. Mas, afinal, tudo não passou do entusiasmo inicial. Assim que as cabeças minhotas começaram a pensar, e as pernas benfiquistas a fraquejar, o espectáculo mudou de actores. A uma primeira parte de grande competitividade e qualidade, seguiram-se 45 minutos em que o músculo fez lei. Mas os vimaranenses desenharam autênticas pérolas no relvado, enquanto foi a arte a ordenar, e justificaram a vantagem final, ainda que conseguida num lance polémico, no qual Edmilson agride ostensivamente Andrade. Esta agressão, de resto, deve vir a ser muito discutida ao longo da semana. Pela nossa parte, fazemos apenas esta chamada de atenção: Edmilson devia ter sido expulso se José Pratas visse o lance. O árbitro seguiu a bola, viu Paulo Madeira cabeceá-la para fora da área e Riva disparar para golo. De facto, a agressão de Edmilson não condiciona o desenrolar normal do lance.

É uma daquelas situações complicadas. E que acontece com frequência nos pontapés de canto e livre (como foi o caso). Nenhum árbitro foi crucificado por não ver e assinalar esses lances. Haverá razão para atirar todas as culpas para Pratas? Parece-nos que não.

O Vitória, ao contrário do que é habitual na equipa de Quinito, optou por entrar em campo de forma pouco geométrica. Se o bloco defensivo (4x3) até ocupava bem os espaços, já o trio atacante optava por deixar de fora a ala esquerda, dadas as movimentações de Edmilson, que poucas vezes tinham o corredor esquerdo por solução.

Com isso deu-se bem o Benfica, num 4x1 (Andrade)x4x1 (Nuno Gomes), já que não tendo Okunowo com quem se preocupar (era Paulo Madeira quem saía a Edmilson), e como Poborsky segurava Tito, o nigeriano ajudava no meio. E foi por esse tipo de movimentações de compensação que o Benfica surpreendeu e ganhou superioridade. O desdobramento a meio campo, mais a pressão sobre o homem da bola, começaram por provocar o golo logo aos três minutos, quando Evaldo se assustou e atrasou mal para Pedro Espinha. E daí até aos 20 minutos, Poborsky, Kandaurov e Maniche tiveram chances de golo. Quer dizer, os da Luz podiam estar a golear a meio da primeira parte.

Quinito "leu" as movimentações do meio campo defensivo do Benfica e encontrou a solução: "obrigou" Edmilson a tirar Paulo Madeira da área, "deu" Pedro Mendes a Andrade e fez avançar mais Paiva e Fredrik Soderstrom.

A equipa do Benfica, por forma a não ficar mais curta, decidiu-se por alinhar a defesa mais à frente, para provocar os foras-de-jogo. Começaram aí os problemas. E aos 27 minutos Pedro Mendes ultrapassou essa linha, valendo então a boa defesa de Enke. Essa situação espevitou os minhotos, que partiram para cima do adversário sem dó nem piedade. Meira marcou e Pratas anulou (29); Edmilson estoirou de primeira à barra (30), Brandão marcou (36) e Edmilson viu Enke fazer uma grande defesa para canto (41). Um "massacre" parado pelo intervalo.

Após o intervalo, Heynckes arrumou a equipa melhor nas marcações. Andrade "pegou" Edmilson e Paulo Madeira colou-se a Brandão. Nem a entrada de Riva (51) alterou o equilíbrio que os da Luz colocaram no relvado.

Apesar de se esforçarem por cumprir as ameaças de quererem vencer, os da casa não ganhavam superioridade. Apesar de atacar mais, o Vitória não encontrava soluções para bater Enke e só o remate de ressaca de Riva (a bater ainda no poste) furou a defesa encarnada. Daí até final, o Vitória teve mais duas oportunidades de golo (Edmilson, 80; Nandinho, nos descontos), mas o Benfica podia ter chegado à igualdade num lance em que Tote se preocupou mais em tentar ganhar o “penalty” do que o golo.

José Pratas desorientou-se depois do 2-1 e permitiu até final que entradas para vermelho directo (duas numa só jogada) passassem sem serem sequer assinaladas as infracções.

JOSÉ RIBEIRO

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