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Benfica-V. Guimarães, 2-1: Grãos na engrenagem

ÁGUIAS AFORTUNADAS TIVERAM DE SUAR PARA VENCER VIMARANENSES SEMPRE INCÓMODOS

Foi uma noite complicada para o campeão nacional, muito mais do que indiciaram os primeiros minutos do jogo. Para vencer um V. Guimarães com organização, ainda não totalmente entrosado, mas cheio de bons jogadores, o Benfica teve de se empregar a fundo. Para anular os efeitos dos muitos grãos introduzidos na sua engrenagem e, também, para partir em busca daquela pontinha de felicidade com a qual acabaria por chegar ao triunfo. Feito o balanço da hora e meia, poderá mesmo dizer-se que Ronald Koeman teve de recorrer ao pragmatismo para salvar a conquista dos três pontos e que Jaime Pacheco tudo tentou para o evitar, mesmo quando já perdera eficácia nos movimentos de ataque.

À campeão

O Benfica entrou bem no jogo, confiante pelos últimos resultados, senhor da sua superioridade e motivado pelos pontos perdidos na véspera por FC Porto e Sporting. Como tradução prática dessa convicção inabalável, Koeman fez adiantar Nuno Gomes para junto de Miccoli (muito mais do que tem sido hábito), desguarnecendo com essa opção a zona central do terreno, onde o V. Guimarães tinha superioridade numérica – Petit e Manuel Fernandes para Svärd, Neca e o vagabundo Benachour, que se desdobrava no apoio aos dois avançados. Porque Targino e Saganowski derivaram do meio para as faixas laterais, os encarnados não conseguiram compensar essas dificuldades com as subidas dos dois laterais, qualquer deles com características de desequilibrador no espaço de ataque.

Jaime Pacheco não teve prurido em colocar Moreno na vigilância directa a Nuno Gomes, mesmo quando a acção do avançado benfiquista obrigou o vimaranense a ser mais central do que outra coisa. Colocados os grãos de areia na engrenagem adversária, o Vitória apenas levou muito tempo a soltar amarras e a começar a jogar. Precisou mesmo de um estímulo negativo, o golo de Miccoli, aos 20', para dar início à acção de desgaste que deu ao encontro o perfil competitivo que o caracterizaria até final.

Empate

Cresceu então o V. Guimarães, ao mesmo ritmo com que o Benfica moderou os ímpetos, assim como quem dá a si mesmo uns minutos de repouso, escudado na vantagem no marcador. Foi um abrandamento comprometedor para os campeões nacionais, que permitiram ao adversário crescer, tomar conta do jogo, empatar e ainda desperdiçar oportunidades que podiam ter dado ao marcador uma expressão insólita no fim da primeira parte – Moreira esteve em acção quase permanente, Benachour ainda atirou à barra e no último lance do primeiro tempo Nélson, a meias com o seu guarda-redes, salvou o golo em cima da linha fatal.

Foi nessa altura mais visível a vantagem vimaranense no miolo, a facilidade com que a equipa soube trocar a bola e sair dos apertos para trás da defesa contrária. De tal forma que não era previsível o que poderia suceder no segundo tempo. Estava tudo em aberto.

Crescer

O tempo revelou-se bom conselheiro para os encarnados, que foram resolvendo os problemas à medida das exigência da escola holandesa: com bola, movimento, passe e velocidade. O Vitória recuou e mesmo quando se soltou perdeu eficácia na chegada à área. Veio então o momento de felicidade do golo de Simão, um remate cruzado, com o pé direito, que tabelou em Moreno e enganou Paiva. Daí até final, já com Karagounis em campo em vez do desinspirado Geovanni, o Benfica equilibrou as operações mas voltou a viver agitado, face à revolta vimaranense. Jaime Pacheco viu a sua equipa desafiar a lógica, superar o cansaço e abrir espaços na retaguarda. Que o Benfica, ansioso para consumar a aproximação à frente da Liga, não soube explorar.

Árbitro

Nuno Almeida (2). Bem tecnicamente, é incrível como não puniu em termos disciplinares (com a respectiva expulsão) as agressões de Petit a Targino e de Medeiros a Petit.
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