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Benfica-V. Guimarães, 2-1: Tanto sofre esta águia quando apanha um susto

CRÓNICA

Benfica-V. Guimarães, 2-1: Tanto sofre esta águia quando apanha um susto
Benfica-V. Guimarães, 2-1: Tanto sofre esta águia quando apanha um susto • Foto: João Trindade
O Benfica venceu o Vitória de Guimarães e apresenta-se no Dragão, dentro de uma semana, em igualdade pontual com o FC Porto, na liderança da SuperLiga. Mas, a despeito de tão importante vitória, os encarnados teimam em pregar sustos aos seus adeptos, insistem em não convencer, em praticar um futebol por vezes sem chama, sem alma, sem personalidade.

Não admira, por isso, que a águia tenha terminado o encontro a jogar em contra-ataque, com o coração nas mãos, suspirando por um final que parecia não chegar, já depois de ter visto a equipa de Manuel Machado criar as melhores oportunidades de golo para, pelo menos, chegar ao empate. E não fosse Quim, com uma defesa notável, já nos derradeiros minutos, e a história poderia ter sido bem diferente na antecâmera de um jogo, na próxima segunda-feira, que promete.

Golo

Os encarnados até começaram o jogo com um futebol alegre, com Nuno Gomes a destacar-se no papel do homem das assistências e, aos 12 minutos, já se encontravam em posição privilegiada para abordar a partida. Contra um adversário que apostava em estender o nulo o mais possível, para depois tentar um golpe fatal, nada melhor do que marcar logo a abrir, para impor algum respeito. A verdade é que o Vitória não acusou o golo e teve, durante grande parte dos primeiros 45 minutos, o jogo equilibrado – com Silva a ter nos pés a melhor situação, pouco antes da meia hora.

Aos poucos, o Benfica, com Simão escondido e Geovanni em bom plano, tornou-se mais autoritário, começou a trocar melhor a bola, a assumir-se como o anfitrião que não estava ali para ser simpático.

Felicidade I

Sem que o justificassem, os encarnados chegaram ao segundo golo num momento importante – a escassos segundos de Hélio Santos mandar todos para o descanso.

Uma vez mais, Nuno Gomes na assistência, agora para Nuno Assis, que cometeu a “traição” de marcar aos seus ex-companheiros.

Já antes, Manuel Machado mexera na equipa, trocando Djurdjevic por Marco Ferreira. A ideia passava por dar maior profundidade ao lado direito e mais talento ao meio-campo, aproveitando a magia do brasileiro para melhor servir Silva. A perder por dois golos, o técnico do Vitória resolveu correr riscos, do género perdido por dois, perdido por mil. E, sem demoras, mandou entrar Targino e Rafael – o primeiro para o eixo do ataque, o segundo para ocupar uma posição no meio-campo com a qual está pouco identificado.

Felicidade II

No primeiro minuto da segunda metade, o Vitória chegou ao golo, num lance simples e no qual Miguel teve largas culpas, ao consentir o cabeceamento de César Peixoto. O Vitória entrou bem e o Benfica, por estranho que possa parecer, acusou o momento. De repente, os jogadores começaram a discutir uns com os outros, ninguém sabia a quem cabia marcar quem, a equipa parecia à deriva, atordoada, e dessa ausência de autoridade ou de liderança se aproveitou o Vitória para pregar mais uns quantos sustos nos adeptos.

Giovanni Trapattoni, a exemplo do que já aconteceu esta época, tardou a reagir, não foi capaz de dar outra dimensão à equipa, tudo o que fez foi mandar aquecer João Pereira. Se, naquela altura, tem optado por outro ponta-de-lança, além de moralizar os seus homens, teria obrigado ao recuo do adversário, pelo menos de um elemento do meio-campo, uma zona habitada, naquela altura, por dois homens com pouca vocação defensiva (Moreno tem alguma, Rafael não). Mas não, esperou até 15 minutos do final para trocar Nuno Assis, a magia, por Bruno Aguiar, que personifica mais o trabalho. Claro que o povo não gostou e o italiano ouviu os assobios do costume. Mas a verdade é que Bruno Aguiar até entrou bem no jogo

Até aí, Nuno Gomes estivera perto de marcar mas foi Targino, após uma assistência de Petit, de cabeça, que fez silenciar a Luz por segundos. Já com Quim pelo chão, o jovem avançado atirou às malhas laterais. Também Petit, já mais perto do final, fez a bola embater com estrondo na barra mas, apesar da boa vontade de João Pereira e de Mantorras, tornava-se difícil esquecer que, durante longos períodos, a águia deixou, uma vez mais, uma pálida imagem. E Quim, afinal, defendera aquele remate quase impossível de Silva. Um milagre!

Árbitro

Hélio Santos (2). Esteve na última derrota do Vitória, no Bessa, pelo mesmo resultado, mas não foi pelo árbitro que a equipa de Manuel Machado perdeu. Não se depreenda destas palavras que Hélio Santos assinou um trabalho positivo. Pelo contrário. Mal auxiliado, o juiz de Lisboa pecou, e muito, no aspecto disciplinar, deixando no bolso alguns cartões amarelos plenamente justificados.
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