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Gil Vicente-V. Guimarães, 1-1: Acreditar contra tudo

CRÓNICA

Uma demonstração de raça no dérbi minhoto. O Gil Vicente deixou a pele em campo e mereceu um empate só concretizado em período de descontos. Foi um pequeno sucesso para os barcelenses, que continuam abaixo da linha de água em vésperas de visitar o Estádio do Dragão. No entanto, tendo em conta a competitividade na parte baixa da tabela, ninguém está proibido de sonhar. De resto, quem consegue evitar uma derrota contra todas as probabilidades, frente ao Vitória de Guimarães, praticamente não conhece missões impossíveis.

É que os homens de Paulo Alves sofreram tormentos devido à expulsão de Gregory no primeiro tempo. O lance, visto à distância, aparenta ser legal, mas nem as imagens captadas pelas câmaras televisivas presentes em Barcelos permitiram um esclarecimento cabal. Quem não teve dúvidas foi o assistente João Silva, levando a que Paulo Costa sancionasse mais uma bola no braço, a falta da moda dentro da área. A partir daí, a expulsão do defesa-central gilista era incontornável, dado que Svärd tinha rematado em boa posição para marcar. Apesar da dupla desvantagem, o Gil Vicente deu espectáculo no segundo tempo, compensando com dinamismo e entrega o que lhe faltava em activos. Carlitos foi o expoente máximo da revolta.

Ónus

O Vitória de Guimarães chegou a Barcelos carregando o ónus da escassa margem de recuperação após o choque que foi a eliminação nas meias-finais da Taça. Vítor Pontes, pensando também na chuva incessante e no vento forte, abdicou de poder criativo e fez regressar Svärd para dar combatividade ao meio-campo.

Paulo Alves respondeu com uma teia de marcações que cortava as linhas de passe. Sem velocidade de ponta, com um futebol amorfo, sem chama, o Vitória ia vendo como os minutos passavam sem conseguir criar uma oportunidade que fosse. De repente, caiu do céu a grande penalidade que o capitão Cléber converteu com competência. Os penáltis deram azar em Setúbal, mas renovaram a esperança contra o Gil Vicente, despertando uma massa associativa vimaranense que compareceu em grande número, mas que já denotava sinais de intranquilidade.

(Indi)gestão

Regressando dos balneários em posição privilegiada, o Vitória tinha tudo para fazer uma boa gestão do jogo. No entanto, meteu-se por caminhos complicados. Cedeu o domínio da partida, preferiu ficar na expectativa e nem sequer soube explorar as sucessivas situações de contra-ataque com superioridade numérica. Mais do que uma questão física, os homens de Vítor Pontes pareceram tolhidos por alguma quebra anímica decorrente do fechar das portas do Jamor. Uma oscilação inconveniente quando o Sporting é o próximo adversário no calendário.

O técnico gilista foi mais feliz nas suas intervenções. Corrigiu a saída de Gregory com a entrada de Rovérsio. Tirou Braima ao intervalo para apostar na disponibilidade de Luís Coentrão e, finalmente, a cartada com João Vilela foi premiada com golo. Enquanto isso, o Vitória de Guimarães queimava tempo por Nilson nos pontapés de baliza e via como os jogadores substituídos demoravam o mais possível a sair de campo. Lances de perigo no segundo tempo, apenas um, concluído por Wesley. A circulação de bola foi desastrosa e redundou em mais uma desilusão. O fantasma da despromoção está complicado de exorcizar.

Árbitro

PAULO COSTA (3). O penálti de Gregory é duvidoso, a bola dá ideia de bater no peito, mas o árbitro aceitou a sinalização do seu assistente. Deve receber o benefício da dúvida. Segurar o jogo à custa de mostrar 11 cartões não é uma receita agradável.
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