Júlio Mendes: «Ainda falei há dias com Mário Ferreira»

Presidente assegura que não se incompatibilizou com o acionista maioritário da SAD

• Foto: Simão Freitas

RECORD - Criou a imagem de serum bom gestor de crise. Acha que no novo mandato vai imprimir uma imagem diferente, e ser capaz, em tempo de vacas gordas, conseguir projetar o Vitória para patamares mais elevados?
JÚLIO MENDES - O próximo mandato será, não diria que um período de vacas gordas, mas certamente um período mais desafogado, que nos dará outras vantagens. Porque para ganhar campeonatos e competições é preciso ter as vantagens competitivas para o fazer. Temos três em que somos muito fortes: a nossa dimensão, a paixão e a experiência acumulada. Depois há outras duas, a influência, no bom sentido da palavra, que tem que ser trabalhada; e a outra que é a mais cruel que é a questão financeira. Com um novo contrato televisivo, nós vamos estar mais competitivos também nesta variável. Portanto não será propriamente um período de vacas gordas, não posso dizer isso porque senão vou criar aqui uma expectativa muito grande e não seria correto, mas será um período onde teremos outra capacidade na competição, porque vamos ser capazes de fazer outras opções, mais capacidade de retenção, não precisamos de vender tantos jogadores, conseguimos mantê-los mais tempo no plantel e portanto há um entrosamento maior durante mais tempo, o que traz maior consistência competitiva. Mas convém não me esquecer, o aumento de recursos financeiros por via da renegociação dos contratos televisivos não vai acontecer só no Vitória. Vai acontecer em todos os clubes e alguns estão já a gozar desses contratos e a fazer descontos de adiantamentos. Coisa que o Vitória não fez. O Vitória não pegou no contrato da MEO e foi ao banco descontá-lo. Há aí uma ideia errada, a tentar ser passada aos sócios, de que o Vitória fez um adiantamento e isso não é verdade. Há clubes que o fizeram e eu não estou a dizer isso para criticar os outros. Para dizer que há um inflacionamento no futebol, que se está a criar uma bolha no futebol português, já começou nesta época, há emblemas de menor dimensão que não estão no tal G5 mas que hoje já têm capacidade financeira que não tinham no passado. E que se aproximaram muito de nós que ainda não temos acesso aos novos contratos televisivos. E também é preciso perceber isso no contexto do que se tem passado no campeonato esta época. Mas claro que nós projetamo-nos para este triénio claramente já não tão preocupados com as questões de sobrevivência, de reorganização, de recuperação de infranstruturas, para estarmos mais próximos dos melhores, mas no sentido de maior ambição desportiva, mais próximos dos sócios e mais próximos daquilo que tem que ser a preservação da história da instituição.

R - Incompatibilizou-se com o investidor Mário Ferreira?
JM - Não, de modo algum. Mário Ferreira é meu amigo. Até com a mulher às vezes discutimos ou temos divergências de opiniões aqui ou ali. Agora dizer que nos incompatibilizámos é mentira. Somos amigos, temos uma relação normal, saudável, ainda falei há dias com ele ao telefone. Não tem vindo a Portugal porque não se pode deslocar devido a um problema de saúde. Sobre esta questão decidimos em conjunto que o melhor era ele não se envolver dado que a eleição era apenas para o clube e ele é acionista de uma SAD. São duas entidades diferentes e não seria ético envolver-se numa disputa eleitoral. Ele é um gestor e algo garanto, dado que o conheço bem. Quando, e se algum dia for necessário discutir alguma questão de alterações do ponto de vista do capital social, Mário Ferreira vai colocar à frente dos seus interesses pessoais os interesses do Vitória.

Por Vítor Pinto e José Miguel Machado
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