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V. Guimarães-Benfica, 1-2: Geovanni livrou Benfica de valente Trapalhada

ENCARNADOS PODIAM E DEVIAM TER RESOLVIDO O JOGO MAIS CEDO

Trapattoni lançou Sokota a dez minutos do fim, a jogar com mais um jogador desde o minuto 42''. Valeu-lhe Simão e... Geovanni
V. Guimarães-Benfica, 1-2: Geovanni livrou Benfica de valente Trapalhada • Foto: Simão Filho
Geovanni livrou, de livre, em cima do minuto 90, o Benfica, mas sobretudo o outro Giovanni, o Trapattoni, da perda de dois pontos muito difíceis de digerir, tendo em conta o caudal de jogo atacante e as oportunidades que a equipa criou ao longo dos 90'. O treinador do Benfica, fiel à sua filosofia e concepção de jogo, só lançou Sokota em campo a cerca de dez minutos do fim, depois do V. Guimarães ter chegado ao empate. E fê-lo jogando o Benfica em superioridade numérica desde o minuto 42', por expulsão de Marco Ferreira (devia receber um prémio Nobel da patetice pela forma como se fez expulsar – gesto que, de resto, ajuda a explicar a razão de ter ido parar à lista de dispensas do FC Porto).

Trapattoni preparava-se para efectuar duas substituições a vinte minutos do fim, Geovanni e Sokota, para os lugares de Zahovic e, provavelmente, João Pereira, mas o golo de Simão, num livre, fê--lo recuar – Geovanni entrou, mas Sokota, esse, regressou para o banco.

Lacuna

Era manifestamente notório que a única pecha que impedia o Benfica de materializar o caudal de jogo que criava era justamente ao nível da finalização. Não se percebeu, ainda por cima estando o Benfica ainda na 1ª parte com mais uma unidade em campo, tanto receio em lançar outra unidade na área (Sokota devia ter entrado logo após o intervalo), para libertar Nuno Gomes e dar maior peso e contundência ao Benfica na área vimaranense.

A vitória encarnada foi indiscutível e merecida, mas a equipa correu o risco de perder dois pontos ingloriamente, salvos pelos dois jogadores que Trap tanto demorou a lançar em campo: Sokota que sofreu a falta que originou o livre e Geovanni que o executou.

Seja como for, a verdade é que o Benfica só chegou à vitória graças ao talento individual de Simão e Geovanni, na execução de dois livres, que fizeram a diferença, num jogo em que o Benfica deveria ter ganho com toda a naturalidade um jogo que constituiu um grande espectáculo, raro de ser ver nos relvados portugueses.

Foi um jogo de grande ritmo e intensidade, com o Benfica a assumir o controlo a partir dos vinte minutos e o Vitória uma postura de contra-ataque, na qual, de resto, se sente mais à vontade. Petit e Manuel Fernandes começaram a ganhar superioridade no meio-campo no duelo com Moreno e Alexandre, Simão, ontem inspirado, a desequilibrar no flando esquerdo e Nuno Gomes, finalmente, a jogar ao seu nível (a despeito de não ter estado feliz na finalização). Isto apesar de Zahovic destoar, sem pedalada para a pressão alta que o Benfica exerceu, e João Pereira no flanco direito a não dar amplitude ao ataque.

As oportunidades de golo começaram a surgir com naturalidade – aos 18', 34' e 40' o Benfica esteve à beirinha de marcar, com o Vitória a responder com alguns lances de perigo em contra-ataque. O Vitória chegou ao intervalo com um 0-0 muito lisonjeiro, mas Marco Ferreira fez-se expulsar por uma falta estúpida, fora de tempo, sobre Ricardo Rocha, deixando a equipa reduzida a dez unidades.

Pressão alta

Na 2ª parte, Manuel Machado, com menos um jogador, manteve a estrutura defensiva e derivou Luís Mário para o lado direito na tentativa de equilibrar a equipa em termos ofensivos. A expulsão de Marco Ferreira acentuou a postura defensiva do Vitória e o Benfica "caiu-lhe" literalmente em cima. Mantendo a pressão alta e o ritmo, perante um Vitória que lutou bravamente e que nunca se entregou. Aos 60', Manuel Machado trocou Luís Mário por Nuno Assis (era imperioso fazê-lo porque o brasileiro jogava de pantufas num jogo para homens de barba rija), que transmitiu naior dinamismo e velocidade ao contra-ataque. Aos 63', 64' e 65' o Benfica teve uma sucessão de oportunidades de golo soberanas que não concretizou. E Sokota no banco... Com a entrada de Nuno Assis e Romeu o Vitória ganhou maior acutilância no contra-ataque e o jogo ficou impróprio para cardíacos.

Custou

Com o golo de Simão Trapattoni recuou na decisão de lançar Sokota, fez entrar apenas Geovanni. Mas com o empate do Vitória, aos 77', não teve outro remédio senão meter o croata, custou-lhe, mas teve que ser. E este acabaria por estar no lance do golo da vitória, ele e Geovanni, quando o empate parecia inevitável. O brasileiro acabou por pôr justiça no resultado e reparar as hesitações de Trapattoni. Percebeu-se agora porque Karadas ficou em Lisboa.

Árbitro

Jorge Sousa (0). Parecia ter o jogo sob controlo e de repente... descarrilou. O primeiro golo do Benfica resulta de uma falta inexistente sobre Nuno Gomes; aos 77', assinalou um "penalty" fantasma por alegada falta de Luisão sobre Romeu; e aos 79' o assistente José Cardinal assinalou um fora-de-jogo surrealista a Nuno Assis com este isolado para a área de Moreira, a passe de Romeu.
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