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V. Guimarães-Benfica, 1-4: Uma vitória cheia de casos

CRÓNICA

O BENFICA saiu ontem com um resultado confortável de Guimarães (1-4), mas os números dizem pouco do que se passou no jogo, que teve uma influência importante do árbitro Duarte Gomes e até do quarto árbitro, João Ferreira.

Até ao 37º minuto, o jogo estava equilibrado e o Benfica ganhava com certa justiça, através de um golo de Miguel. O Benfica apresentava a sua fórmula leve e rápida, sem referências fixas no ataque mas com a mobilidade e a técnica de Zahovic, Drulovic, Simão e Miguel. O Vitória tinha dificuldades em unir o seu jogo e vivia de Fangueiro e de um meio--campo laborioso, mas muito mais dado a tarefas defensivas.

Aos 13’, Zahovic enviou a bola ao poste cabeceando um centro de Simão, Romeu respondeu aos 20 com uma cabeçada que levou a bola pouco acima da baliza. Lixa lesionou--se e entrou Fangueiro (22’) e apareceu o tal golo no contra--ataque, que é, forçosamente, a arma desta equipa de Jesualdo Ferreira: Flamarion não saiu a fazer o fora-de-jogo, Simão lançou Drulovic que deu a Miguel uma bola que não podia falhar.

Foi logo a seguir que Caneira fez uma falta à entrada da área sobre Romeu e, enquanto Duarte Gomes se preparava para dar o amarelo ao benfiquista, gerou-se enorme confusão. Romeu deu uma cabeçada a Simão e foram quinze minutos de paragem, que terminaram com o Vitória sem Romeu – expulso –, e sem treinador – Inácio, fora de si, quis travar-se de razões com o quarto árbitro, que foi quem disse a Duarte Gomes o que se passou depois de alegadamente ter visto o lance numa câmara de televisão. A partir dos 37’, Duarte Gomes entrou em campo e, se não está em causa que o Benfica tem melhor equipa que o Vitória, o modo como chegou à vitória teve uma ajuda importante de decisões do árbitro.

Armando podia ter feito o segundo golo, mas errou o alvo antes do intervalo e veio a segunda parte e o golo do empate, por Fangueiro, num remate colocado à entrada da área depois de canto. Era o renascer da esperança dos vitorianos, que tinham entrado bem e criavam dificuldades ao Benfica. O jogo estava aberto, o Benfica procurava aproveitar o balanço ofensivo do Guimarães, mas era bola cá, bola lá.

Aos 56’, Caneira derruba Laelson na área e o árbitro nada assinalou, com tanto azar que no seguimento há um lance idêntico em que Duarte Gomes marca falta a meio campo. Um critério que não se entende. Já não teve dúvidas – e estava bem colocado – em assinalar a marca fatal logo a seguir, quando Simão entrou na área e sentiu o encosto de Nuno Assis. Acentuou a queda o benfiquista, mas aceitemos, com dúvidas visto de longe, a decisão do árbitro. O problema é o critério de Duarte Gomes.

Simão colocou o Benfica na frente, Inácio tentou jogar (da bancada, no caso) com a entrada de Ceará em vez do médio Marco, depois ainda entrou Paulo César, mas obviamente, com dez homens, abriu uma auto-estrada que os avançados do Benfica aproveitaram para arredondar o resultado – primeiro Zahovic, num remate de fora da área e depois, já nos descontos, por Miguel, isolado a passe de Simão.

Infelizmente, DUARTE GOMES teve mais uma noite difícil. Mais do que os erros, que acontecem a todos, ficou a sensação, muito incómoda, de que nos lances capitais dava uma ajudinha ao mais forte. A intervenção do quarto árbitro é inusitada – afinal sempre há meios audiovisuais para os juízes? – ainda que fosse a bem da verdade. Terá sido a verdade toda? Duarte Gomes aí, porém, tem que seguir as indicações do quarto árbitro, porque não saberia como foram obtidas. Mas, entre outras coisas, ficou ainda outro lance suspeito entre Argel e Laelson, para só falar em coisas evidentes...

A fórmula "light" ao ataque dá nove pontos em três jogos

Pela primeira vez neste campeonato, o Benfica conseguiu três vitórias seguidas – Gil Vicente, Farense e, agora, Guimarães. Tirando o último, os adversários não eram prestigiosíssimos, mas onze golos marcados e apenas um sofrido – pela primeira vez, Moreira teve ontem que ir buscar a bola às redes – dão ideia de saúde atacante, uma saúde que o Benfica nunca tinha tido.

Zahovic aparece finalmente e a lucidez e precisão que põe em muito jogo dão outra cara ao Benfica. Até porque o esloveno começa a correr – já não é cedo. Depois há Drulovic, Simão e Miguel, todos jogadores óptimos para o contra-ataque, todos leves e rápidos, além de terem elevada qualidade técnica. Se os centrais do Vitória já são de si pesados para jogadores destes, a fórmula “light” do ataque do Benfica brilhou sobretudo quando o Vitória ficou com dez e a perder. Simão não fez tudo bem (falhou um golo de forma incrível), mas foi decisivo e assume-se como dono da equipa pela forma como fala aos companheiros.

Há melhorias também na defesa, mas Caneira e Fernando Aguiar fazem demasiadas faltas e, muitas vezes, dão demasiado espaço aos adversários. Mas a coisa vai carburando razoavelmente e vai dando, pelo menos, para manter o terceiro lugar, que já não é coisa pouca para quem caiu onde caiu na temporada passada. Houve ajudas, mas o Benfica também se ajudou a si próprio, e isso convém não esquecer.
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