Record

V. Guimarães-Benfica, 2-0: Trabalho ou descanso

VITÓRIA QUIS GANHAR DESDE O PRIMEIRO MINUTO E OS ENCARNADOS POUCO FIZERAM POR ISSO

O Vitória de Guimarães quis ganhar o jogo desde o primeiro minuto. E ganhou-o. O Benfica pouco ou nada fez para contrariar essa vontade minhota e perdeu. Naturalmente.

Percebeu-se, em Guimarães, a chamada de atenção que Koeman fez aos jogadores no treino da última quinta-feira. Ontem, na primeira meia hora, se pudesse, o holandês também deveria parar o jogo e avisar os atletas para uma coisa simples: em 90 minutos, há que trabalhar muito para ganhar. Depois de o fazerem, então sim, podem descansar. Mas não foi isso que sucedeu. A entrada em jogo foi tão apática, tão sem sentido, que os campeões nacionais apenas fizeram dois remates à baliza até ao intervalo. E o primeiro ocorreu no minuto 36’!

Garra

O Vitória está com enorme vontade para sair da zona dos aflitos. Percebe-se isso a cada jogada, onde os jogadores se entregam, se ajudam, se desmultiplicam. Aliás, a dinâmica do meio-campo vitoriano foi, na primeira parte, exemplar, e deixou o Benfica sem reacção. Com bola, Neca e Wesley subiam para junto de Benachour e Saganowski; Svärd ficava a compensar no corredor direito, de onde “Bena” saía em auxílio central ao ponta-de-lança.

Sem bola, Flávio Meireles juntava-se aos centrais; Svärd ocupava a posição de trinco, enquanto Neca e Wesley tapavam os espaços entre a meia-direita e esquerda. Um desdobramento que permitia uma superioridade constante de 3 para 2 (Petit e Manuel Fernandes). O Benfica percebia as movimentações. Mas não tinha capacidade para pressionar e provocar o erro.

Acordar

O golo vimaranense foi feliz, mas merecido. E teve o mérito de fazer acordar os jogadores do Benfica. Até aí adormecidos num jogo directo, inexplicável, de Moretto para a dupla de avançados, passaram a testar outras opções. Simão e Léo “ofereceram-se” para levar a bola até à área contrária mas, do lado oposto, Nélson não conseguia ligar-se com o lento Marco Ferreira. A equipa acordava, sim, mas não encontrava soluções para mais que equilibrar o jogo.

Azar

Vítor Pontes entrou para a segunda parte com Otacílio no lugar de Wesley. O relvado pesado e o desgaste acumulado de 45 intensos minutos aconselhavam uma solução que garantisse consistência defensiva no meio-campo, sem sujeitar Neca a tantos desdobramentos. A equipa ficava definida num 4x3x3. Mas a lesão de Svärd, logo no início, obrigou à entrada de Moreno. Sem médio para ligar os sectores, as perdas de bola sucederam-se e o recuo foi normal.

Sorte

O melhor período do Benfica estendeu-se por 20 minutos. Mas foi insuficiente para chegar ao golo. Sentia-se que, agora sim, havia um domínio total. Mas se na primeira parte faltara capacidade de pressão, agora era o momento de meter velocidade, de recorrer à criatividade. E uma vez mais a equipa não respondeu. Colectiva e individualmente. Tudo corria de forma esforçada e pouco ligada. Mas pelo menos o adversário estava encostado às cordas. Acontece que na primeira ocasião em que os minhotos se soltaram... marcaram. Foi um golpe mortal. O factor sorte saltara para o colo de Vítor Pontes. Nada mais havia para fazer.

Título

O jogo com o FC Porto terá, agora, carácter decisivo. O Benfica, que andava a tentar meter pressão no Dragão, colocou-se a jeito de a receber. Por culpa própria.

Árbitro

Lucílio Baptista (2). Se Nuno Gomes (42’) ficava isolado ou não, é secundário: Cléber agrediu-o a pontapé, nem tentou jogar a bola, e só viu amarelo.
16
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de V. Guimarães

Notícias

Notícias Mais Vistas

M