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Benfica-V. Setúbal, 1-0: Menos era muito difícil

ENCARNADOS VENCEM SADINOS LIMITANDO-SE A CUMPRIR A OBRIGAÇÃO MÍNIMA

Foi um Benfica apenas disponível para cumprir os serviços mínimos, aquele que ontem entrou em campo frente ao V. Setúbal e desenvolveu um futebol arrastado do primeiro ao último instante do jogo. Apesar do ritmo baixo, da falta de soluções e da desinspiração que acompanhou a quase totalidade dos seus elementos, os encarnados venceram com justiça e, talvez mais importante do que isso, desde que se adiantaram no marcador nunca estiveram em risco de não ganhar.

Já pode o leitor concluir que não foi uma partida emocionante, bem jogada e com motivos de interesse. Pelo contrário, a hora e meia foi previsível e sem ritmo, incapaz de entusiasmar as mais de 50 mil pessoas que estavam nas bancadas. Os sadinos, que levavam a lição bem estudada, quebraram a partir do momento em que o Benfica se adiantou no marcador. No fim, ficou a ideia de que vencer dando menos era, de facto, muito difícil.

Três centrais

Condicionado pelas ausências forçadas e orientado pelas suas próprias opções, Ronald Koeman surpreendeu ao apostar em três centrais. O Benfica montou a sua estrutura com dois jogadores a fazer os flancos (Marco Ferreira na direita e Léo na esquerda), esticando a equipa com duas linhas de três elementos que se movimentavam atrás do ponta-de-lança Miccoli – primeiro Petit, Beto e Manuel Fernandes, depois Marco Ferreira, Manduca e Léo. Em 3x3x3x1, os encarnados formaram um conjunto inofensivo, desarticulado e sem confiança; desconfortável no novo sistema, excessivamente receoso da surpresa, dócil nos despiques individuais e sempre com poucas ideias para chegar à baliza.

Sadinos tranquilos

O V. Setúbal mostrou-se cómodo no 4x4x2 em losango. Os sadinos defenderam sem sobressaltos, revelaram ímpeto na discussão das bolas divididas e foram ameaçando, aqui e ali, com ténues iniciativas individuais, quase todas conduzidas por Carlitos.

Perante o equilíbrio no desenrolar do encontro, confrontado com a sensação de que seria difícil desatar aquele nó, o Benfica não se entusiasmou, embora também não se tenha deprimido; viveu com dificuldades para sair da teia montada na zona intermediária, mas nunca perdeu a cabeça. A equipa demorou a fazer as transições e quando as ensaiou foi incapaz de lhes dar objectividade, também por falta de gente na área. O problema começava a ser esse: instalava-se no meio-campo contrário e atacava continuadamente ou trocava a bola mais atrás e não progredia. Qualquer das opções era escassa.

O golo

Na sequência de um canto, aos 25’, os encarnados adiantaram-se no marcador, facto que não foi aproveitado para resolver o jogo depressa – a águia prosseguiu o voo com serenidade e sem empolgamento.

No segundo tempo, o Benfica voltou com maior agressividade na procura da bola e outra acutilância no desdobramento para chegar à baliza de Rubinho – o número de faltas e remates subiu em flecha. Pode mesmo dizer-se que foi no decorrer do segundo tempo que os elementos mais adiantados se podem queixar de desperdício, perante um V. Setúbal inconsequente, cuja ameaça se resumiu às já referidas tentativas individuais de Carlitos, algumas delas condenadas ao fracasso antes mesmo de começarem. Razão mais do que suficiente para se dizer que o triunfo benfiquista não merece a mínima contestação.

Árbitro

Artur Soares Dias (2). Oportunidade desperdiçada para assinar um bom trabalho. Os erros sucederam em lances a meio campo, quase sempre em prejuízo do Benfica.
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