Record

Bossio: «Enke deu-me poucas chances para jogar mais vezes»

GUARDA-REDES QUER MOSTRAR-SE EM SETÚBAL

O argentino Carlos Bossio não se sente frustrado por ter actuado poucas vezes desde que chegou a Portugal. Antes pelo contrário. Diz  ter conhecido novos métodos de trabalho, ao mesmo tempo que fez muitas amizades. Há três dias a treinar-se no V. Setúbal, revela ânimo para vencer e refere o motivo que o levou a ser presença constante no banco dos suplentes da Luz
Bossio: «Enke deu-me poucas chances para jogar mais vezes» • Foto: Rui Minderico
- ESTÁ satisfeito com este novo passo dado na sua carreira?
- Muito. A primeira impressão é óptima, o balneário parece excelente e todos me receberam bem. A partir de agora, vou trabalhar para conquistar o meu lugar na equipa.

- Esperava que a sua carreira em Portugal tomasse este rumo quando chegou ao nosso país?
- Não se pode nunca prever o futuro, mas a verdade é que neste momento sinto-me muito contente. A vida é muito diferente e para mim é extremamente importante esta oportunidade de jogar no V. Setúbal.

- Pode dizer-se então que o balanço da estada no nosso país é positivo?
- Considero que sim, porque apesar de não ter jogado muito, foi muito bom ingressar no futebol europeu, conhecer outras pessoas, algumas delas muito minhas amigas hoje em dia. No fundo, foi benéfico conhecer uma maneira de trabalhar diferente e outras mentalidades. É evidente que existiram aspectos negativos, que se prendem com o facto de não ter jogado muito, mas Robert Enke deu-me poucas hipóteses de poder jogar mais vezes em Portugal.

- Sente, apesar disso, que tinha valor para ter actuado mais no Benfica?
- No início, estive dois meses sem poder actuar e o Robert Enke "agarrou" bem a sua oportunidade e fez o que lhe competia, isto é, aproveitou-a. Hoje em dia, joga quem trabalha melhor e quem corresponde melhor nos jogos.

- Sentia-se nervoso quando era chamado para substituir Enke?
- Não. Tratava-se de uma missão difícil depois de ter estado parado durante alguns meses, mas nervosos têm de estar os cirurgiões e não os jogadores de futebol.

- Em suma, o seu sonho de ser dono da baliza do Benfica esfumou-se bem mais depressa do que você imaginava...
- Para ser sincero, não conhecia muito do futebol português. Acompanhava mais os campeonatos espanhol e italiano, por exemplo. A minha ideia era conhecer e ganhar experiência em Portugal. Depois, logo se veria o que acontecia.

- Ao fim destes dois anos não sente uma certa sensação de frustração por ter sido tão poucas vezes utilizado?
- Não. Considero até que está a ser uma experiência bastante positiva.

- Chegou a falar-se na possibilidade de voltar à Argentina. O que falhou?
- Havia, de facto, várias equipas interessadas, mas nunca foi possível um acordo com o Benfica. Sei que o Lanus era uma dessas equipas, mas existiam outras.

- Teria sido bom para si o regresso ao seu país?
- O que eu queria e quero é jogar. Aqui, em Setúbal, tenho essa oportunidade, apesar de saber que a titularidade não está assegurada. Há outros guarda-redes de grande qualidade que têm o mesmo objectivo. No entanto, tenho mais chances de actuar regularmente. A treinar na equipa B do Benfica isso não acontecia.

- O que sentiu quando o colocaram a treinar na equipa secundária do Benfica?
- Nada de especial. Também o fiz por pouco tempo. Não fiz a pré-temporada na equipa principal e sabia que não tinha grandes hipóteses. O que posso dizer é que é aborrecido estar a trabalhar e saber que não se pode jogar.

Vida nova

- Terminada essa fase menos boa, pelo menos em termos de actividade, uma nova etapa vai começar na sua vida. O que espera?
- Em primeiro lugar, espero colocar-me bem fisicamente o mais depressa possível, porque nesse aspecto não estou a 100 por cento. Depois, quero lutar por um lugar na baliza do V. Setúbal. Sei que tenho boa concorrência, mas tenho plena confiança nas minhas potencialidades.

- Como avalia essa concorrência?
- Já conhecia o Marco Tábuas, que tem muitas condições. O Cândido é, igualmente, um jogador muito interessante e, finalmente, o Rodrigo é novo, mas tem um grande futuro.

- O facto de ter estado parado pode ter reflexos negativos?
- Pode ser que sim, mas não muito, porque actualmente trabalha-se muito bem e a recuperação dos jogadores processa-se de forma rápida. No V. Setúbal, tenho estado a treinar muito bem e espero sentir-me a 100 por cento muito em breve. O ambiente é muito bom entre toda a equipa e isso é muito importante.

- Pessoalmente, tem algum objectivo pré-definido?
- Gostava de ter outra oportunidade no Benfica e isso só depende de mim próprio. Vou trabalhar para que isso aconteça, mas por agora garanto-lhe que só vou pensar no V. Setúbal e em realizar uma boa época. Vai ser um ano de paz em que o Benfica não conta. Depois, no final da época, logo se verá. Sei que trabalhando para vingar no Benfica, também estou a dar um contributo importante ao V. Setúbal.

V. Setúbal pode ir longe

- O que conhece do V. Setúbal?
- Só vi o jogo frente ao Benfica e considero que foi uma exibição muito interessante e com muita coragem. Em termos técnico-tácticos, a equipa jogou de forma muito inteligente e se o resultado final tivesse sido um empate, ninguém ficaria espantado.

- Já estava a torcer pelo V. Setúbal?
- Não estava a "puxar" por nenhum dos clubes. Queria ver os meus amigos e a forma como ambas as formações se arrumavam dentro de campo. Não vi os primeiros dois jogos, mas a jogar como o fez frente ao Benfica, não tenho dúvidas de que esta equipa pode chegar muito longe.

- Às competições europeias?
- Isso vê-se com o decorrer do Campeonato, mas acredito numa surpresa. Além disso, já sei que o V. Setúbal tem história, não só em Portugal, mas também nas competições europeias.

- Jorge Jesus é o técnico certo para conseguir essa surpresa?
- Confesso-lhe que não o conheço bem, mas pelo que vi, mostra possuir muitas condições para realizar um bom trabalho.

«Campeonato será parecido com o anterior»

PARA o guarda-redes sadino, o Campeonato da presente temporada vai ser muito semelhante ao da época transacta. Apesar de estarem apenas decorridas três jornadas, o argentino já se sente habilitado a arriscar uma previsão.

"Vai ser um Campeonato muito parecido com o da época passada. Prevejo muitas dificuldades para os clubes grandes no confronto com adversários mais pequenos, que cada vez se encontram mais próximos em termos de valores e condições de trabalho. A decisão só será encontrada nas últimas jornadas, o que penso ser muito bom para o futebol português."

«Mudança de residência ainda por decidir»

Em termos profissionais, Bossio mudou-se de Lisboa para Setúbal, mas a residência pode continuar a ser na capital. "De momento, continuo em Lisboa, mas sei que estamos num mês de férias e que o trânsito vai aumentar. Vou esperar que tudo se normalize para posteriormente tomar uma decisão a esse respeito."

«Mantorras vai dar muitas satisfações ao Benfica»

Ainda vinculado ao Benfica até ao final da temporada 2002/2003, era inevitável saber a opinião do guarda-redes acerca dos encarnados. O destaque foi direitinho para Mantorras. "É um jogador diferente e possante que vai dar, de certeza, muitas satisfações ao Benfica. A equipa tem bons jogadores e condições para chegar ao título, mas tem de ir devagarinho, porque ainda é necessário ganhar entrosamento."

«Gosto muito da forma de trabalhar do Figueiredo»

Uma das surpresas de Bossio foi o técnico do guarda-redes do V. Setúbal, Figueiredo (antigo guardião do Belenenses, Rio Ave e Famalicão). "Gosto muito da forma de trabalhar do Figueiredo. Fala muito connosco e explica ao pormenor cada exercício e os objectivos pretendidos. Estou favoravelmente surpreendido."
19
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de V. Setúbal

Notícias

Notícias Mais Vistas

M