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Cádiz: «Aqui com um euro compro 'chiclete', na Venezuela encho o depósito por ano e meio»

Crise venezuelana vista pelo avançado do V. Setúbal

• Foto: Rui Minderico
Jhonder Cádiz, avançado venezuelano do Vitória de Setúbal, assiste com apreensão à escalada da crise socioeconómica que assola o país onde nasceu há 23 anos. O momento que a Venezuela vive e as carências com que os seus compatriotas se debatem diariamente não passam ao lado do atacante que procura, como pode, atenuar as dificuldades dos que lhe são mais próximos.

"É sempre difícil ver um país tão rico como a Venezuela estar a passar pela situação atual. É ainda mais quando temos família lá e que está a passar por tudo. O facto de não conseguir ajudar todos é complicado. Tento ajudar o máximo de pessoas, mas às vezes não dá. É difícil ir lá uma semana de férias e ver como está o país", admitiu hoje em conversa com os jornalistas, no Estádio do Bonfim, na conferência de antevisão ao duelo de domingo, da Liga NOS, entre o Vitória e o Nacional.

O reforço do conjunto setubalense, ex-Monagas (Venezuela), revelou que aguarda ansiosamente pelo reencontro com a sua mulher e a filha de dois meses de idade, Eva. "A minha filha, Eva, nasceu há dois meses e está lá. Ainda não dá para tirar o passaporte porque tem de ter três meses para o poder fazer. Além disso, há também muitos problemas para obter o documento. Estamos a trabalhar para tirar o passaporte da menina para poder vir o mais rápido possível para Portugal".

Jhonder Cádiz, que antes de chegar ao Bonfim teve em Portugal passagens pelo U. Madeira, Nacional e Moreirense, refere que as dificuldades eram muito diferentes quando jogava no seu país antes de rumar a Portugal. "Quando vou para lá levo a moeda daqui [euros]. Com um euro aqui compro quase nada, umas ‘chicletes’ (pastilhas elásticas). Lá, com um euro, dá para encher o depósito de gasolina durante ano e meio".

E acrescenta: "Ao chegar à Venezuela vejo que é totalmente diferente a minha realidade e a das pessoas que moram lá. Passo o ano todo em Portugal com uma vida boa, enquanto lá as pessoas não podem sequer ter uma vida com qualidade média", lamenta, passando uma mensagem de esperança aos seus compatriotas.

"Se não tivesse jogado futebol, trabalhado o que trabalhei e chegado aqui também estaria a passar pela mesma situação. Tenho sorte em estar aqui e poder ajudar a que as pessoas continuem a acreditar que vão poder sair desta situação. Sinto-me mal pela minha família e por todos os venezuelanos, mas, estando aqui, posso ajudar quem está lá. Tenho que ser otimista para as pessoas verem que é possível sair da situação atual", disse Jhonder Cádiz.
Por Ricardo Lopes Pereira
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