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«Oposição» no ataque prejudica a nova «sociedade» de Heynckes

QUARTA VITÓRIA CONSECUTIVA APROXIMA BENFICA DA LUTA PELO TÍTULO

«Oposição» no ataque prejudica a nova «sociedade» de Heynckes
«Oposição» no ataque prejudica a nova «sociedade» de Heynckes

LUTANDO mais contra si próprio do que contra o adversário, o Benfica conseguiu segunda-feira a quarta vitória consecutiva e cumpriu o objectivo de recuperar dois pontos aos guias do campeonato, reentrando na luta pelo título, agora com apenas quatro distâncias de atraso do FC Porto.

Num jogo que não deixa de fazer lembrar a luta fratricida que se desenvolve nos bastidores do clube em torno da cadeira do poder ocupada por Vale e Azevedo, a equipa de Jupp Heynckes perdeu o ensejo de uma goleada histórica, esteve à beira do empate fatal e acabou por ganhar de forma empolgante, com um golo de raiva de Maniche. Em sentido figurado, é como se na hora de alcançar um triunfo, tudo acabasse por se diluir nas indefinições de uma “oposição” interna, corporizada pelos jogadores a quem compete, na frente de ataque, concretizar uma maior percentagem das situações construídas por um meio-campo completamente novo, uma “sociedade” inédita com Machairidis finalmente no seu lugar de trinco e Kandaurov e Chano a alterarem o 4x4x2 habitual para um 4x3x3 mais dinâmico. E segunda-feira as oportunidades ultrapassaram a dezena.

Para o Benfica foi o quarto triunfo consecutivo, mas o facto de se tratar de quatro resultados tangenciais (dois por 1-0 em casa e outros dois por 2-1 fora) ajuda a compreender as grandes dificuldades que a equipa evidencia na finalização. O número de golos não corresponde ao caudal ofensivo e ontem, particularmente, ainda ressaltou uma atitude temerosa de Nuno Gomes, duas ou três vezes isolado a preferir um passe lateral em vez da tentativa de remate.

Foi, por ironia, de uma deficiente finalização, com o derradeiro passe de Nuno Gomes para Kandaurov a “perder-se”, que surgiu o primeiro golo: uma oferta de Nélson a Poborsky. Quando aconteceu, já tinham passado 36 minutos e a explosão da grande legião de adeptos encarnados foi uma mistura de felicidade e de alívio. É que estava a esgotar-se o tempo de ajuda da forte ventania que soprou contra a baliza de Marco Tábuas na primeira parte e já se contavam três ou quatro ocasiões flagrantes desperdiçadas por Kandaurov e pelo próprio Maniche - pois o primeiro remate do goleador da equipa só veio a acontecer depois do intervalo.

A precipitação da ponta final encarnada permitiu a evidência positiva do jovem guarda-redes, a salvar todo o sector defensivo da sua equipa de uma punição exemplar, tantos foram os erros defensivos cometidos perante um Benfica em velocidade moderada. Mas no lance do golo, Marco Tábuas ainda teve a infelicidade de se lesionar, agravando a situação da equipa, ao “queimar” uma substituição a Rui Águas - que bem precisava de rectificar todo o esquema defensivo.

Neste jogo contra o “lanterna vermelha” da Liga, a troca de João Pinto por Kandaurov e de Calado por Machairidis (com Chano e Ronaldo a voltarem à titularidade) mexeu bastante a dinâmica do conjunto, que se movimentou mais do que o habitual no sentido longitudinal, perfurando o centro de uma defesa demasiado avançada. Aliás, é preciso sublinhar que muito do domínio benfiquista foi construído sobre um esquema suicida de defesa em linha e marcação à zona no meio-campo sadino, com dois médios-ala improfícuos, o que deixou Kandaurov em liberdade para criar sucessivos desequilíbrios, ora com Maniche ora com Nuno Gomes. Esta deficiência não só não foi corrigida como ainda obrigou Chiquinho Conde a recuar, desamparando Maki.

JOÃO PINTO "MARCADO"

Como o sentido do vento não mudou ao intervalo, o Vitória de Setúbal - que apenas se aproximara três vezes da baliza de Enke nos primeiros 45 minutos - conseguiu depois repartir o domínio do jogo e manter os corações benfiquistas em permanente sobressalto. Por um lado, as situações criadas por Pedro Mendes e Marco Ferreira, cada qual em seu flanco, não pareciam particularmente ameaçadoras e Maki era um avançado apático. Mas, por outro, sentia-se que o Benfica corria o perigo de ver anulada a vantagem tangencial, ao mesmo tempo que os seus pilares do meio, Chano e Kandaurov, já não conseguiam acompanhar a correria dos jovens sadinos. Nos lances de bola parada, havia insegurança na defesa do Benfica e o golo acabou por chegar, a seis minutos do fim. O primeiro sofrido esta época em pontapés de canto e o primeiro marcado por Chiquinho Conde em quatro meses.

Não terá faltado quem ligasse este golo - fulminante para as pretensões do clube - à entrada em campo de João Vieira Pinto, no minuto imediatamente anterior! Pela terceira vez deixado no banco, como nos Açores e em Alverca, o “capitão” parece carregar nas costas o drama de uma equipa que quer mas não pode, trabalha mas não realiza.

Mas acabou por ser ele, com espírito de luta e entusiasmo, a empurrar a equipa para o último forcejo, iniciando até o lance do espectacular golo de Maniche, a menos de cinco minutos do fim - um golo de raiva de um jogador que esteve várias vezes em posição de marcar, graças à disposição defensiva dos setubalenses e que teve, no momento certo, a força e decisão que faltou sempre a Nuno Gomes - inclusive no lance em que atirou ao poste por enfeitar demasiado o remate (52’).

O esquema defensivo do Vitória complicou a noite aos assistentes de José Pratas, com vários foras-de-jogo à moda de Valongo, mas foi o árbitro quem cometeu o “crime” maior, ao não expulsar Quim num derrube a Nuno Gomes, como “último homem” numa situação de golo iminente (70’).

JOÃO QUERIDO MANHA

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