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Sadinos assim tão tenrinhos -- o petisco ideal para águias

BENFICA ASSUME LIDERANÇA DO CAMPEONATO COM UMA VITÓRIA FÁCIL

Sadinos assim tão tenrinhos -- o petisco ideal para águias
Sadinos assim tão tenrinhos -- o petisco ideal para águias

NADA melhor, para levantar o moral, do que ganhar fácil e comodamente, sem pressas, sem forçar, sem problemas de qualquer espécie. Perante sadinos assim tão tenrinhos, o Benfica cumpriu a obrigação e ganhou por 3-0. Mas esteve longe, muito longe, daquilo que Heynckes apregoou no sábado: "Para ganhar o campeonato temos de render muito mais."

Na posição de vantagem logo a partir dos 2 m ("penalty" transformado por Kandaurov, a punir falta de Paulo Filipe sobre João Pinto), os encarnados limitaram-se a gerir o tempo e o adversário, nunca forçando, nunca evidenciando qualquer rasgo, quer individual quer colectivo. Foi pouco, muito pouco.

As duas equipas vinham de "desastres", a nível das competições europeias, e uma boa actuação, se possível aliada a um bom resultado, seria, convenhamos, o melhor dos tónicos. O Vitória de Setúbal passou completamente ao lado deste desiderato e o Benfica somente atingiu parte dele: o triunfo e inerentes três pontos, que até lhe possibilitam, à 4ª jornada, a liderança isolada do campeonato.

O golo inicial, tão cedo, foi determinante no desenrolar dos minutos, mais a mais porque o árbitro Jacinto Paixão enganou-se a mostrar o cartão amarelo ao jogador faltoso, exibindo-o a Mário Loja em vez de Paulo Filipe, o homem que de facto carregou João Pinto. Como o citado Loja, ainda na primeira parte, viu o segundo amarelo, o já de si muito fraquinho onze setubalense ficou reduzido a dez unidades e a uma incapacidade confrangedora.

MEDO DE QUÊ?

Carlos Cardoso armou a sua equipa com os habituais -- nestas deslocações -- cuidados defensivos: Mário Loja a líbero, Quim e Paulo Filipe na marcação a Nuno Gomes e João Pinto, respectivamente, mais duas unidades nas faixas (Frechaut e Pedro Henriques) e depois um quarteto no meio-campo. Na frente, entregue a si próprio, Chiquinho Conde.

Estranho é que o treinador sadino não tenha abdicado, uma vez que fosse, deste sistema. Nem mesmo face à toada "melancólica" do Benfica houve uma pontinha de audácia. Após a expulsão de Loja foi Hélio que recuou para líbero e nos últimos minutos até colocou em campo o defesa Semedo.

Resumindo: os sadinos efectuaram um remate em cada um dos períodos do jogo, desfrutaram de um "corner" em 90 m e não obrigaram Enke a uma defesa que fosse!

A equipa limitou-se, entre o 1-0 e o 2-0 (por Maniche, que tinha rendido pouco antes o lesionado Luís Carlos), a trocar a bola, de pé para pé, sem progressão, sempre com medo de "desmanchar" aquele bloco de todo inofensivo. E os responsáveis sadinos que me desculpem, mas desta feita não voltem a dizer que a Comunicação Social quer fazer deste prestigiado emblema o "bode expiatório" do que quer que seja.

Reconheça-se, todavia, que o Vitória tem uma razão de queixa: a expulsão de Mário Loja, injusta e a mais dificultar o que já de si era um bicho de sete cabeças.

DEVAGARINHO...

Do outro lado, do lado das águias, uma lentidão exasperante. Os poucos adeptos que compareceram no estádio choraram, por certo, o tempo e dinheiro gastos. Sempre devagar, devagarinho, o Benfica teve o condão de ampliar a vantagem pouco depois da meia hora. A partir daí foi um castigo ter de aguentar mais uma hora...

Com Okunowo (pouco prometeu) a lateral-direito e Kandaurov no "miolo", ao lado de Calado, os benfiquistas tiveram em Nuno Gomes um elemento com alguma influência, uma vez que iniciou a jogada que originou o "penalty", assistiu para o golo de Maniche e depois fechou a contagem. Também Ronaldo deu um pouco mais nas vistas, mercê da insistência no remate: tentou-o por quatro vezes -- uma delas numa bonita "bicicleta" -- e quase que batia mesmo Marco Tábuas.

Uma derradeira palavra para o árbitro, justificando a nota negativa. Para além do erro crasso na troca Loja-Paulo Filipe, ainda fez vista grossa a uma falta credora de grande penalidade e cometida -- também -- por Paulo Filipe, sobre Cadete. Ah, é verdade, Heynckes, segunda-feira, deu uma oportunidadezinha a Cadete...

HÉLIO NASCIMENTO

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