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V. Setúbal-Benfica, 0-1: Classe no último fôlego

CRÓNICA

Um final empolgante, no qual o Benfica assumiu definitivamente os cordelinhos de um jogo adormecido em grande parte pela sua própria incapacidade, conduziu os campeões a uma vitória discutida durante hora e meia. O triunfo encarnado, obtido em cima do minuto 90, tem como explicação principal a classe revelada no último fôlego de um jogo muito discutido e dificultado pela qualidade sadina. A noite em que Karagounis confirmou, finalmente, o talento de grande jogador, terminou com um toque espectacular de Geovanni que isolou Nuno Gomes e com o belo remate deste, com o pé esquerdo, fora do alcance de Moretto, que voltou a mostrar qualidade que o coloca entre os melhores guarda-redes da Liga portuguesa.

Sem soluções

O Benfica revelou na primeira parte do jogo no Bonfim uma estranha apatia no desenvolvimento dos seus processos de jogo ofensivo. Com os supostos extremos (Karagounis e Geovanni) a fugir das linhas, amontoando gente no meio, à espera que os laterais (sobretudo Nélson) subissem para dar largura ao jogo, os encarnados não conseguiram criar mobilidade na frente. A circulação no espaço de ataque foi lenta, previsível, imprecisa e sem sentido de conquista; o Benfica interpretou o comando do jogo enredado numa teia de burocracia da qual nunca foi capaz de sair – quem levava a bola (e todos a reclamavam) tomava decisões, enquanto todos os outros assistiam às iniciativas, impávidos e serenos, sem proporcionar as necessárias linhas de passe.

A outra solução encarnada foi o jogo directo para os avançados. Também não resultou, fundamentalmente porque os dois médios (Petit e Beto) chegaram sempre atrasados à segunda bola. Perante a facilidade em travar o caudal atacante dos campeões, o V. Setúbal apresentou-se com todos os mecanismos defensivos bem oleados; manteve o adversário longe da área e, por ser tão simples consegui-lo, até encontrou disponibilidade para operar algumas transições ofensivas rápidas, indiciadoras de uma ambição que o desenvolvimento do jogo foi negando.

Grande jogatana

Com a partida bloqueada, esperava-se uma reacção benfiquista à inércia dos primeiros 45’. O resultado não foi imediato, mas o tempo acabou por fazer bem aos campeões e, por obra e graça do V. Setúbal, ao próprio jogo. O final foi empolgante e podemos situar o seu início à entrada para a última meia hora, quando Miccoli fez um golo mal anulado e, logo a seguir, foi substituído por Mantorras.

Com Dos Santos a dar profundidade pela esquerda e Karagounis a pautar todos os movimentos, o Benfica aproveitou para intimidar. Como o golo tardava, a equipa decidiu correr riscos que chegaram a ser excessivos; povoou o meio-campo adversário e atacou com muitas unidades, em busca de fracturas que foram surgindo finalmente.

Prova de que não estava intimidado com o agigantar contrário, o Vitória assumiu um recuo estratégico, não se diminuiu por entregar a bola e concentrou todas as esperanças no contra-ataque rápido. Nunca funcionou em pleno, mas em duas ou três ocasiões faltou apenas clarividência nos últimos traços do desenho para aproveitar situações de vantagem numérica. Foi nessa altura empolgante, com todos os ingredientes de um grande jogo, que o Benfica recorreu à excelência individual para o decidir. Às vezes também acontece ganhar a equipa que tem melhores jogadores. Foi o caso de ontem.

Árbitro

Carlos Xistra (4). Excelente actuação, a todos os níveis, assente em notável condução do jogo. Foi mal auxiliado pelo assistente Sérgio Lacroix.
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