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V. Setúbal-Benfica, 0-2: Onda está a crescer falta a equipa apanhá-la

CRÓNICA

Alimentado por erros alheios, o “bebé-Benfica-candidato-a-campeão” já gatinha. Depois de nascer há uma semana, das derrotas caseiras de FC Porto e Sporting (a primeira nutrição deste bebé), sai da jornada 26 a gatinhar. O alimento, desta feita, veio direitinho de Setúbal, dado por Paulo Ribeiro, o guarda-redes sadino, e Auri, um dos defesas setubalenses. Os nervos que o “recém-nascido” mostrou no início, até por se ter apanhado com pouca força no músculo (a saída precoce de Petit), acabaram por não lhe custar caro, já que do outro lado não havia qualquer “vírus” que pudesse criar a primeira “doença”.

Sejamos agora mais directos: a onda vermelha está a ganhar força. Setúbal já a viu. Mas apenas nas bancadas. Nem o mau jogo que as equipas fizeram deixou os adeptos menos optimistas. Afinal, também eles já aceitaram que este é o campeonato dos jogos maus. A diferença é que quem os ganhar mais vezes vai ter, por certo, as faixas no final de Maio. A probabilidade de o Benfica ser campeão é grande. Mas a equipa tem de conseguir apanhar esta onda que está a crescer. Qualquer deslize, antes das duas últimas jornadas (Sporting, em casa; Boavista, fora) pode deitar tudo a perder.

Em casa

Mesmo a “jogar em casa”, o Benfica não soube aproveitar. Entrou nervoso, a perder bolas, a errar passes, a mostrar pouca capacidade de reacção e sem exercer qualquer pressão sobre o homem da bola. A lesão de Petit, logo aos 3 minutos, pode, em parte, explicar a estranha reacção, que permitiu, veja-se, ao Vitória ganhar três pontapés de canto e ter duas boas oportunidades de golo, em menos de 15 minutos! Só depois veio a resposta.

Geovanni e Simão, nas alas, não se colocavam a jeito de ser opção; Nuno Assis, no eixo, não ligava com Karadas, por este, de facto, dificilmente ligar jogo com alguém. Então, não restava outra solução do que tentar ter mais posse de bola, trocá-la bem e optar pelos passes “a rasgar”. E isso proporcionava um jogo de muitas bolas perdidas.

Expulsão

Quando, aos 28 minutos, Veríssimo cometeu uma infantilidade, ao deixar fugir a bola entre os pés, para a fuga de Simão, não teve outra solução para remediar o erro: agarrou o avançado quando este ia para a cara do guarda-redes e foi expulso. Rachão recuou Manuel José para a lateral direita; deslocou Jorginho para a ala do mesmo corredor, passando a jogar com dois homens no meio-campo e três na frente. Deu a superioridade numérica ao Benfica e deixou de ver a sua equipa ter a bola. Como um mal nunca vem só, pouco depois Manuel Fernandes festejou o “frango” de Paulo Ribeiro. A primeira “papa” do “bebé” fora servida.

Má opção

Trocar Meyong por Binho (que nulidade!) foi uma opção desastrada de Rachão. Perdeu capacidade ofensiva (e estava a perder) e não ganhou consistência defensiva. Andou, com as alterações seguintes, a tentar reorganizar a equipa; a procurar dotá-la de maior poder de choque e velocidade do meio-campo para a frente. Com estas indefinições pôde o Benfica muito bem. Passou a ter o domínio total da partida. Mesmo não criando lances de muito perigo, geria os tempos, geria o esforço, enfim, traçava o rumo que melhor servia os seus interesses.

Acabou

Num lance do qual nada parecia poder acontecer, uma vez que os três defesas setubalenses controlavam os dois avançados do Benfica que tinham pela frente, Auri comete um erro tremendo, afastando mal a bola, para os pés de Geovanni. Este nem teve tempo para agradecer. Apenas para rematar e festejar o golo. Aos 64 minutos estava tudo decidido: o Benfica regressaria à Luz com os três pontos e poderia assistir com um sorriso de orelha a orelha ao Sporting-FC Porto.

Que futuro?

Se a resposta, para o Benfica, é óbvia (caminho escancarado para o título), já para o Vitória de Setúbal não o é. Esta equipa é uma caricatura daquela que amealhou 28 pontos até à entrada em cena de José Rachão. Está a viver dos rendimentos, por assim dizer, mas a verdade é que as distâncias estão a ficar mais curtas. Nove pontos permitem manter, ainda, a cabeça fria. Mas nada garante que no fim da ronda essa seja a margem de erro. E mesmo assim pode começar a ficar curta se a equipa não reagir rapidamente. Os adeptos já estão impacientes...

Árbitro

João Vilas Boas (4). Dois lances complicados para decidir. Esteve bem em ambos: Geovanni, aos 16 minutos, faz-se ao “penalty”, abordando a chegada de Paulo Ribeiro já em queda; aos 28 minutos expulsou muito bem Veríssimo, uma vez que este impediu o confronto de Simão com o guarda-redes agarrando-o por trás. E não havia qualquer outro jogador entre eles.
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