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V. Setúbal-Benfica, 1-1: Benfica teve força mas faltou-lhe arte

CRÓNICA

“Ontem, a falta de Simão Sabrosa fez-se sentir de forma gritante e nem alguns apontamentos geniais de Drulovic ou o golo de Carlitos chegaram para fazer esquecer aquela que é, de momento, a unidade mais válida dos encarnados”
V. Setúbal-Benfica, 1-1: Benfica teve força mas faltou-lhe arte • Foto: Miguel Barreira
O BENFICA deixou dois pontos no Estádio do Bonfim numa noite de futebol musculado. O V. Setúbal, agitado, a meio da semana, por uma “chicotada psicológica”, esteve à mercê dos encarnados, mas a equipa de Jesualdo Ferreira não teve arte para vencer o encontro. Na fase em que os sadinos mais arriscaram, o Benfica desperdiçou vários contra-ataques em que chegou a ter superioridade numérica, poupando o adversário ao xeque-mate. A turma da Luz, que juntou no onze titular os quatro reforços de Inverno (Armando, Fernando Aguiar, Jankauskas e Tiago), falhou a primeira série de três vitórias consecutivas na época em curso essencialmente por culpa própria. É certo que o V. Setúbal foi sempre uma equipa organizada, já a ensaiar um “pressing” que deverá vir a ser a sua imagem de marca sob a batuta de Luís Campos, mas quando correu atrás do prejuízo foi apanhada demasiadas vezes em contrapé; tivesse o Benfica mais “classe” e outro galo teria cantado...

Ontem, a falta de Simão Sabrosa fez-se sentir de forma gritante e nem alguns apontamentos geniais de Drulovic ou o golo de Carlitos chegaram para fazer esquecer aquela que é, de momento, a unidade mais válida dos encarnados.

Jesualdo Ferreira apostou, sobretudo, num futebol musculado em que Fernando Aguiar e Tiago se postaram à frente do quarteto defensivo, deixando os desequilíbrios para os homens das alas, Drulovic e Carlitos, e ainda para Mantorras, ontem com direito a “polícia particular”. Mas o que se viu foi Fernando Aguiar a esgotar-se praticamente na função de roubar a bola ao adversário e Tiago sem o “élan” de um “box to box”. Por aí entupiu a maior parte do jogo encarnado. Como Mantorras (oito faltas sofridas ao longo do encontro), numa primeira fase, teve Costa como sombra e depois, quando o seu marcador foi substituído, derivou para a direita, mas não mostrou frescura para fazer a diferença, as despesas da qualidade ficaram só para os médios-ala. Foi curto para o que o Benfica precisava...

O novo treinador do V. Setúbal começou por adoptar uma estratégia de grande povoamento do meio-campo, privilegiando a força de Costa, Ico e Hélio, a que juntou a velocidade de Marco Ferreira e Jorginho. O “pressing” desenvolvido nos primeiros minutos chegou, até, a empurrar os encarnados para as imediações de Enke. Mas os visitantes viriam a marcar num lance de contra-ataque (20 m) e logo a seguir (27 m) Jankauskas perdeu incrivelmente o segundo golo. Antes do intervalo, o lituano voltou a fazer perigo, mas Eliseu derrubou-o em falta à entrada da área, lance ao qual o árbitro fez vista grossa.

O segundo tempo começou com um aviso ao Benfica, através de um estupendo remate de Hugo Henrique que embateu na trave. O Vitória não baixava os braços e, embora o futebol apresentado não fosse fluido, o Benfica respondia no mesmo tom vulgar e o jogo entrava numa fase pouco interessante. O empate sadino (57 m) nasceu de alguma cerimónia da defesa encarnada e acabou por ser castigo para a incapacidade do Benfica de impor a lei do mais forte. Jesualdo Ferreira decidiu então mandar Zahovic para dentro das quatro linhas (Mantorras para a direita e Carlitos para o banho). Mas Luís Campos foi respondendo com jogadores mais frescos e, embora cedendo o domínio territorial aos forasteiros, acabou por conquistar um ponto saboroso. O Benfica teve, na recta final do encontro, duas ocasiões para marcar, mas foi já numa fase de “desespero”, depois de não ter sido capaz de pegar no jogo e resolver o encontro quando teve oportunidade para isso.

O árbitro Duarte Gomes rubricou um trabalho regular. Uma falta não assinalada de Eliseu sobre Jankauskas foi o erro mais grave.
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