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Benfica-Beira-Mar, 1-0: Quando a plateia hostil ataca os seus artistas

CRÓNICA

Uma vitória sem brilho, no seguimento, aliás, do que tem feito na maioria das actuações na Luz, permitiu ao Benfica seguir para as meias-finais da Taça de Portugal, cumprindo assim um dos objectivos traçados para a presente época.

A vitória, obtida frente a um Beira-Mar que já visitara os encarnados e lhes ganhara no embate para a SuperLiga, não gerou consenso nas bancadas – o clima contruído pela plateia foi sistematicamente hostil para com os seus artistas. E nem adianta tentar perceber quem teve razão primeiro, porque, se é verdade que nos últimos minutos o escasso rendimento da equipa justificou a reprovação, o facto é que antes mesmo do primeiro apito de Lucílio Baptista já havia quem não estivesse feliz e o expressasse sonoramente.

Tolerância zero

A noite era de elevado coeficiente de dificuldade. Porque Simão estava ausente; porque este Miguel obriga o parceiro de corredor a jogar por dois; porque Geovanni foi desviado para a esquerda; porque Manuel Fernandes, Petit e Nuno Assis não se revelaram tão firmes e precisos nas acções.

Bastaram poucos minutos em campo e já a equipa entendera que percorria uma estrada de tolerância zero e ansiedade máxima; de nula confiança na condução e exigência absoluta. Definitivamente, não era o melhor ambiente para se jogar futebol.

Água na fervura

Só o golo de João Pereira (e recordemos que foi à passagem da meia hora) deitou um pouco de água na fogueira em que se estava a tornar o anfiteatro benfiquista. De todo incompreensível o clima gerado a partir da reacção dos adeptos encarnados, que ainda não estão sequer no lugar e já assobiam o nome do treinador; reclamam dois passes laterais seguidos porque isso é jogar à defesa; mostram descontentamento por cada momento desde que dele não resulte um golo, de preferência rápido, bonito e decisivo.

Tudo isto quando o crédito da equipa era suficientemente elevado para ter uma recepção calorosa, que revelasse estímulo, afecto e esperança num futuro que permanece em aberto. Mas de pouco valeu o empate na casa do FC Porto (o primeiro nos últimos dez anos) que, entre outras coisas, permitiu manter a liderança à 23.ª jornada, numa altura em que já visitou três dos quatro adversários directos (só falta o Boavista).

E de nada valeu haver uma Taça de Portugal para ganhar e uma vingança muito particular para cometer, sobre um dos carrascos mais surpreendentes da época.

Segurança

Prova de que a estética nos grandes clubes conta e que em alguns, como no Benfica, o peso da história dita muitas regras (mesmo ao cabo de onze anos sem ganhar o campeonato), a turma encarnada iniciou o jogo condicionada pelo clima exterior pouco amigável e de impaciência latente. Conseguiu ter iniciativa, trocar a bola e revelar o mínimo de segurança – Moreira só foi chamado aos 14’, a defender remate de Ahamada. Mas não mais do que isso.

Sem deslumbrar, mas fechando a porta às investidas de um Beira-Mar que vinha a Lisboa com a ideia de aproveitar os erros do adversário, o Benfica levou a água ao seu moinho, até porque a intermediária aveirense não conseguiu aproveitar o menor acerto do triângulo encarnado – actuação pobre de Petit, Manuel Fernandes e Nuno Assis.

Sem bola

A segunda metade aproximou da razão os protestos oriundos das bancadas. Luís Campos trocou Mário Loja por Rui Lima, fez avançar a equipa e reclamou a posse de bola. O Benfica levou o pragmatismo até às últimas consequências e aceitou as novas regras: recuou, fechou-se e não se incomodou perante a iniciativa atacante do adversário.

Essa foi mesmo a fase mais difícil da noite encarnada, porque o Beira-Mar se tornou ameaçador, porque o Benfica se resignou à tendência e cometeu o pecado mortal tendo em conta o perfil da sua plateia: perdeu a bola, ficou a ver jogar e a gerir a vantagem mínima no marcador. Imperdoável para quem entendia que, naquela altura, já tudo devia estar resolvido e com uma grande exibição.

Os últimos minutos foram penosos, incluindo para os espectadores. Porque o Beira-Mar não alimentou as suas pretensões e porque o Benfica se sentiu confortável face a um ataque inofensivo. Resultado? Ganhou o mais forte e ninguém se divertiu.

Árbitro

LUCÍLIO BAPTISTA (2). Dois níveis distintos no seu trabalho: boa condução do jogo, com critério largo (melhor na primeira parte); decisões polémicas nos lances mais duvidosos. Aos 57’ avaliou como não faltoso o braço de Ricardo Rocha (difícil avaliação) e aos 75’ deixou seguir num lance em que Srnicek puxou Nuno Gomes na área (foi claro o puxão do guarda-redes).
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