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Benfica-Oliveirense, 4-1: Eles merecem assobios e muito mais do que isso

ENCARNADOS PRECISAM DO PROLONGAMENTO PARA SEGUIR EM FRENTE

Benfica-Oliveirense, 4-1: Eles merecem assobios e muito mais do que isso
Benfica-Oliveirense, 4-1: Eles merecem assobios e muito mais do que isso • Foto: João Trindade
“Tenho de ver o DVD do último jogo da Oliveirense para ver se podemos jogar com dois pontas-de-lança”. As palavras não são nossas, pertencem a um conceituado técnico italiano chamado Giovanni Trapattoni, um homem que apresenta um admirável currículo mas que, em Portugal, teima em ignorar a realidade do Benfica e a relação do clube com os adeptos.

Ou muito nos enganamos ou nunca irá existir uma verdadeira empatia entre treinador e massa associativa. A frase proferida por Trapattoni na habitual conferência que antecede os jogos é suficiente para fazer corar o mais insensível adepto dos encarnados. Mas se não jogamos com dois pontas-de-lança contra o Oliveirense, uma equipa da III Divisão, então contra quem vamos jogar com dois homens na frente? A pergunta, feita pelos sócios, tem toda a legitimidade e devia constituir, dentro do panorama interno do Benfica, um forte motivo de reflexão, agora que um período de férias está aí.

Neto

Mas, como disse Giovanni Trapattoni, há decisões por ele tomadas e incompreendidas pelos benfiquistas que até o neto entende. Não sabemos se será uma criança mas, tenha a idade que tiver, será que percebeu a razão que levou o avô a colocar Sokota a aquecer logo aos 15 minutos, quando já se ouviam as primeiras assobiadelas na Luz e, obviamente, dirigidas à equipa encarnada? Ficamos com a leve impressão que, desta vez, nem o neto percebeu, como não terá entendido Zahovic, ontem de regresso à titularidade após cumprir castigo.

Frente

O Benfica segue em frente na Taça, marcando quatro golos, mas acaba o ano de 2004 da pior forma, se nos reportarmos ao que, de facto, aconteceu durante 120 minutos. Giovanni Trapattoni, como já dissemos, teve receio de jogar com dois homens na frente e preferiu optar por colocar Bruno Aguiar e Manuel Fernandes numa linha mais defensiva, deixando a Zahovic e aos extremos (ontem Simão e Carlitos) a tarefa de ajudar Karadas na cada vez (para o norueguês) difícil missão de marcar a essa temível equipa de Oliveira de Santa Maria.

Os primeiros minutos não correram nada bem aos encarnados e, talvez encorajados pelo medo de Trapattoni, os rapazes da Oliveirense deram um ar da sua graça, primeiro num remate ao lado e até mesmo quando se tornaram a primeira equipa a conquistar um pontapé de canto. Mas o Benfica, que até aos 30’ fez um único remate, rapidamente percebeu que a Oliveirense estava na Luz, não apenas para uma visita de estudo, mas para complicar ao máximo a vida aos encarnados.

E das ameaças à prática de um crime que silenciou a Luz passaram breves minutos.

A ganhar, a temível equipa da Oliveirense teve o seu melhor período na meia hora inicial e nessa fase, perante um Benfica à deriva, esteve muito perto de marcar o segundo golo. Não o fez e estaria longe de imaginar o filme que se iria seguir.

"Penalties"

No espaço de oito minutos, a ingenuidade da Oliveirense veio ao de cima. Duas grandes penalidades foram cometidas e as duas desperdiçadas, primeiro por Simão, depois por Sokota.

Definitivamente, o Benfica nada queria com o jogo e, uma vez mais, os adeptos trataram de assobiar (não terão razão, Luís Filipe Vieira?) os jogadores.

Os encarnados regressaram decididos e cinco minutos depois já estavam novamente a gozar as delícias de um “penalty”. Só que desta vez Simão não falhou. A Oliveirense começava já a ficar fragilizada fisicamente e percebia-se que a resistência seria, apenas, uma questão de minutos. Mas não foi. Não fosse a ligeireza de Armando, em duas situações, e outro galo poderia estar agora a cantar.

Quim Machado mexeu na equipa (Trapattoni trocou homem por homem mas Petit veio dar mais consistência ao meio-campo e, com essa atitude, contagiou Manuel Fernandes), mas o primeiro homem a entrar haveria de sair, após receber ordem de expulsão, sete minutos depois. Era o fim para a Oliveirense, um fim confirmado quando Petit, com um grande remate, obrigou o pobre guarda-redes a socar a bola e a levar esta de encontro a Cristiano, que a introduziu na baliza. Depois de três “penalties”, um autogolo. As gentes de Oliveira de Santa Maria não mereciam. E os adeptos do Benfica merecem muito mais do que esta pobreza.

Árbitro

Bruno Paixão (0). Este é, seguramente, mais um caso crónico de alguém que gosta de se afirmar pela incompetência. Bruno Paixão esteve bem na análise aos lances que originaram as grandes penalidades, mas teve um péssimo desempenho a nível disciplinar. Várias situações sem amarelo para depois, com toda a arrogância, expulsar Raul numa falta igual a tantas outras.
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