Do vento contra os vimaranenses ao "desmaio" de Rogério Pipi

Águias perderam primeira decisão; Vitória nunca conseguiu ganhar...

Do vento contra os vimaranenses ao "desmaio" de Rogério Pipi
Do vento contra os vimaranenses ao "desmaio" de Rogério Pipi
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Benfica e V. Guimarães protagonizam no domingo uma inédita 73.ª final da Taça de Portugal no Estádio Nacional, e se o primeiro é recordista de finais disputadas (33) e de troféus ganhos (24), já o segundo detém a marca de mais finais perdidas (5), esperando, então, quebrar o enguiço já esta época. A verdade é que ambos os clubes já viveram episódios marcantes em finais da Taça, que ficaram para a história e tornam especial cada um dos jogos decisivos de uma competição que começou a ser jogada na longínqua temporada de 1938/39.

O pedido de... Passos. Para o Benfica tudo começou na 1.ª edição da prova, e se era favorito antes da final diante da Académica, a derrota por 4-3 aos pés dos estudantes acabou por ser marcante. Aliada à confiança exagerada, a ausência do lateral-direito titular Vieira motivou a entrada no onze de Joaquim Correia que, segundo o companheiro Espírito Santo, foi um “furo”.

“O normal era a Académica perder connosco mas, talvez por já sermos campeões lisboetas, se tenha instalado a ideia de que eram favas contadas. Correia foi um furo que a Académica aproveitou bem. Mas isso não invalida o êxito da Briosa”, disse, no final do jogo, o benfiquista Guilherme Espírito Santo. O Benfica perdeu na primeira final mas ganharia as cinco seguintes.

Até que em 1951/52 os encarnados disputaram o primeiro dérbi de sempre com o Sporting numa final da Taça, naquela que seria considerada “a” melhor final de sempre, com o Benfica a vencer por 5-4.

Após várias alterações no marcador, Rogério Carvalho “Pipi” fez o golo da vitória encarnada aos 89’, em mais um episódio marcante, pois logo a seguir estatelou-se no chão... fingindo estar desmaiado. “O meu desmaio foi a pedido do capitão [do Sporting] Passos, para que se preocupassem comigo e não o culpassem de estar muito adiantado no terreno, acabando por ser batido em corrida por mim”, contou Rogério no final de uma partida que ficou para sempre registada no álbum de ouro da Taça de Portugal.

Vencido a festejar

O V. Guimarães estreou-se numa final na 4.ª edição da prova, em 1942, a perder por 2-0 frente ao Belenenses. E se os adeptos vimaranenses aproveitaram essa ocasião para criar a segunda versão do hino do clube, no fim acabaram traídos pelo... vento.

Numa tarde de forte vendaval, o V. Guimarães acabou por conseguir escolher o meio-campo que tinha o vento a favor, mas mesmo assim chegaria ao intervalo a perder. Na 2.ª parte, com o Belenenses a jogar a favor do vento, este acabou com as aspirações ao “empurrar” uma bola tocada pelo belenense Gilberto para o fundo das redes, quando ela, em condições normais, passaria ao lado do poste. O espanto foi geral e a equipa vimaranense não mais conseguiu voltar à discussão do jogo.

O Benfica marcou presença na final de 1958/59, frente ao FC Porto, primeira em que um Chefe de Estado, na altura o almirante Américo Tomás, desceu ao relvado para cumprimentar os vencedores – águias bateram dragões por 1-0 – e entregar medalhas aos vencidos. Não deixou de ser um ato marcante, mas não tão forte emocionalmente como o que ocorreu na final de 1968/69, entre o Benfica e uma Briosa em crise académica, motivando a ausência do Chefe de Estado português.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ainda impediu os estudantes de fazerem luto na final mas, no fim, o capitão do Benfica, Toni, conhecedor da luta estudantil, fez questão que o capitão da Académica, Mário Campos, fizesse parte do ambiente vencedor. Foi um momento importante da história das finais que, contudo, não teve direito a transmissão televisiva, porque a RTP não chegou a acordo com a FPF, ao contrário dos anos anteriores.

Rui Lopes para a história

O V. Guimarães voltou à final da Taça de Portugal em 1962/63 e acabou goleado por 4-0, reservando para 1975/76 novo regresso ao Estádio Nacional para defrontar o Boavista. No último jogo do então capitão vimaranense Rui Rodrigues pelo clube, o Vitória haveria de voltar a perder, mas desta vez a festejar pela 1.ª vez um golo numa final da Taça: Rui Lopes, aos 62’, reduziu na altura a vantagem boavisteira, a qual não haveria de perder-se até ao fim.

Quatro épocas depois, o Benfica voltou a discutir uma final com o FC Porto, num jogo marcado por inúmeros episódios: aos 9’, Alberto chocou com Gomes e Frasco, e partiu a tíbia e o perónio, alarmando companheiros e adversários; mais tarde, aos 36’, o brasileiro César, que estava para ser substituído, marcou o golo solitário da partida e... acabou por jogar os 90 minutos; e já depois do apito final, a invasão de campo impediu o capitão benfiquista Humberto Coelho de receber a Taça.

Digno vencido

Doze anos depois de ter sido derrotado pelo Boavista, o V. Guimarães regressou ao vale do Jamor, para defrontar o FC Porto de Tomislav Ivic.

Os vimaranenses apresentaram-se com um onze constituído por vários suplentes devido ao desmembramento da equipa que havia sido feito durante a época, face à crise diretiva e desportiva (estiveram perto de descer), e com os titulares quase todos com propostas do... Sporting, que estava em campanha eleitoral. A derrota por 1-0 surgiu num detalhe, mas a exibição vimaranense foi elogiada. Desta vez, a ideia é mesmo aplicar nesta final o nome comum do clube e treinador: Vitória. Ao cabo de seis finais.

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